Anvisa recomenda não jogar fora os detergentes da Ypê
Mateus Vargas-brasília, Df (folhapress) - 11/05/2026 19:02:49 | Foto: Carlos Tavares/COP30
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), disse nesta segunda-feira (11) que vídeos irresponsáveis tentam transformar a suspensão de lotes de produtos de limpeza da Ypê em "disputa política". Ele disse que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tem "lado partidário" e que está ao lado da saúde das famílias.
Padilha afirmou que a interdição envolveu análises do setor de vigilância do estado de São Paulo, que é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro. Ainda afirmou que o diretor da Anvisa Daniel Meirelles, responsável pelo setor que suspendeu os produtos, foi indicado à agência durante o governo Bolsonaro.
"O diretor que é responsável por essa área na Anvisa foi indicado por Bolsonaro, foi assessor e secretário-executivo do ministro do governo Bolsonaro e está na Anvisa cumprindo o cargo e tendo a responsabilidade de cumprir papel técnico", disse à imprensa.
No último dia 7, a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes da Ypê com a numeração final 1 fabricados em Amparo, no interior de São Paulo. A agência também suspendeu a produção dos produtos.
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciaram uma campanha a favor da empresa nas redes sociais e acusaram a Anvisa de perseguição política. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou uma foto com detergente da marca no sábado (9), enquanto o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), defendeu a marca.
"Tivemos no fim de semana uma enxurrada de vídeos irresponsáveis que desinformam a população, que tentam transformar algo técnico, a preocupação com a saúde das pessoas, em disputa política porque essa empresa financiou campanhas do ex-presidente da República e do seu time", disse Padilha.
A inspeção foi feita durante quatro dias por técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo. A decisão de suspensão foi tomada a partir de uma avaliação de risco sanitário.
"A própria empresa, no final do ano passado, chegou a identificar no seu lote a presença de uma bactéria que não deveria estar nesse produto. Toda vez que se encontra uma bactéria nesse produto é um sinal de precaução importante, porque isso pode significar contaminação em várias etapas do processo de produção", disse Padilha.
A Ypê apresentou recurso contra a interdição e conseguiu um efeito suspensivo da proibição de fabricar e comercializar os produtos relacionados pela Anvisa. Na quarta-feira, a diretoria colegiada da Anvisa irá avaliar o recurso.
Imagens da inspeção sanitária realizada no final de abril na fábrica da Ypê em Amparo, no interior de São Paulo, mostram os equipamentos usados na fabricação de detergente e lava-roupas com marcas de corrosão. Detalhes do relatório foram revelados na noite deste domingo (10) pelo Fantástico.
Em nota, a Ypê afirma que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos. Informou também que possui controle de qualidade capaz de identificar e descartar itens que não seguem o padrão de qualidade exigido pela empresa.
Segundo a nota, as fotos que aparecem no relatório mostram áreas em que não há nenhum tipo de contato com os produtos e fazem parte de "um plano robusto de melhorias na fábrica", com mais da metade das ações já realizadas.
O ministro ainda recomendou que as pessoas não bebam detergente de qualquer marca. "Muito menos sair fazendo 'videozinho' sobre isso. É uma desinformação, colocando em risco a vida das pessoas."
"Não sejam irresponsáveis com a saúde das pessoas, como vários de vocês foram durante a pandemia", disse o ministro. Ele ainda recomendou que a população guarde em local seguro os produtos interditados enquanto a empresa não fizer o recolhimento.
Anvisa recomenda não jogar fora os detergentes da Ypê
GABRIELA CECCHIN E CRISTIANE GERCINA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A recomendação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ao consumidor que tenha algum produto da Ypê que faça parte do lote apontado como com risco de contaminação microbiológica não jogue fora e espere o "desdobramento do caso".
A empresa está fazendo o recolhimento do produto, mas com o alto volume de procura para orientações e devoluções, o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) tem falhado tanto online quanto por meio de telefone 0800-1300544. Há ainda a opção de fazer cadastro por meio de formulário no site da marca.
"No momento a orientação é não jogar fora, mas sim aguardar o desdobramento do caso e da determinação de recolhimento", diz nota enviada pela Anvisa.
O recall da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) começou na quinta-feira (7), quando foi determinado o recolhimento de todos os lotes com numeração final 1 por apontar risco de contaminação microbiológica.
A medida também previa a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos afetados. A empresa conseguiu a reversão de parte da determinação, mas optou por ainda não voltar a fabricar os produtos até que a situação seja regularizada na Anvisa. Há uma reunião prevista para esta quarta-feira (13).
De acordo com a agência reguladora, a decisão foi tomada após avaliação técnica de risco sanitário. Durante inspeção realizada na unidade, foram identificados descumprimentos em etapas relevantes do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
Não há ainda orientações claras por parte do órgão regulador de como o produto que ainda será devolvido deve ser armazenado pelo consumidor nem sobre os riscos específicos ao meio ambiente. Especialistas, no entanto, não recomendam nenhum tipo de uso e afirmam que o líquido não deve ser despejado na natureza.
As informações sobre o que pode acontecer com quem tiver contato com a possível bactéria identificada são de danos à pele, causados por irritação. Com isso, o produto não deve ser usado em nenhuma hipótese.
Outro risco é de contaminação microbiológica maior caso o consumidor insista em utilizar os itens para fazer a higiene em sua casa.
QUAIS OS RISCOS PARA A SAÚDE?
No comunicado, a Anvisa citou possibilidade de presença de microrganismos patogênicos nos produtos afetados. O risco é de contaminação microbiológica, que pode dar origem a quadros diversos, mas para maior especificação a agência diz que precisa de mais prazo para a apuração.
Em 2025, a própria empresa informou que havia identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em alguns lotes de lava-roupas líquidos. Essa bactéria pode causar infecções, principalmente em pessoas imunossuprimidas, hospitalizadas ou com feridas abertas. Em indivíduos saudáveis, o risco costuma ser menor, mas o contato com produtos contaminados pode causar irritações ou infecções em situações específicas.
QUAIS PRODUTOS FORAM SUSPENSOS?
De acordo com a Anvisa, somente os lotes que terminam com o número 1, dos produtos abaixo estão afetados:
- Lava-louças Ypê Clear Care
- Lava-louças com enzimas ativas Ypê
- Lava-louças Ypê
- Lava-louças Ypê Toque Suave
- Lava-louças Concentrado Ypê Green
- Lava-louças Ypê Clear
- Lava-louças Ypê Green
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Antibac
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Green
- Lava-roupas líquido Ypê Express
- Lava-roupas líquido Ypê Power Act
- Lava-roupas líquido Ypê Premium
- Lava-roupas Tixan Maciez
- Lava-roupas Tixan Primavera
- Desinfetante Bak Ypê
- Desinfetante de uso geral Atol
- Desinfetante perfumado Atol
- Desinfetante Pinho Ypê
- Lava-roupas Tixan Power Act
USEI O PRODUTO NA LIMPEZA. DEVO LAVAR A LOUÇA OU A ROUPA DE NOVO?
Como medida de precaução, consumidores podem lavar novamente roupas, utensílios ou superfícies que tiveram contato direto com um produto suspenso, especialmente em casos de irritação, alteração no cheiro, cor ou textura do item. Não há indicação, porém, de risco que exija jogar fora objetos domésticos usados com o produto.
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