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Pandemia pode duplicar número de pessoas que enfrentam crises alimentares

Pandemia pode duplicar número de pessoas que enfrentam crises alimentaresFoto: PMA/Khudr Alissa

PMA distribui alimentos em Aleppo, na Síria

Onu News - 22/04/2020 - 10:16:22

Relatório mostra que 265 milhões podem enfrentar insegurança alimentar esse ano, comparando com 135 milhões em 2019; pesquisa destaca lista de 35 maiores crises, entre eles Angola e Moçambique; América Latina e Caribe entre regiões mais afetadas; Conselho de Segurança discute conclusões.

Número de pessoas que enfrenta insegurança alimentar pode duplicar devido à pandemia de covid-19, passando de 135 milhões de pessoas no final de 2019 para 265 milhões no final desse ano.

A conclusão faz parte do Relatório Global de Crises Alimentares, publicado pelo Programa Mundial de Alimentação, PMA, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e outros parceiros.

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O relatório apresenta a escala de insegurança alimentar em cinco fases: mínima, estresse, crise, emergência e fome.

No ano passado, comparando com 2018, mais de 5 milhões de pessoas estavam nas últimas três fases. A maioria dessas pessoas vivia em países afetados por conflitos, cerca de 77 milhões. Mudanças climáticas eram responsáveis pela situação de 34 milhões de pessoas e crises econômicas responsáveis por 24 milhões.

As piores crises eram Iêmen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Venezuela, Etiópia, Sudão do Sul, Síria, Sudão, Nigéria e Haiti. Esses dez países eram responsáveis por 66% da população afetada.

Lusófonos

O relatório destaca uma lista de 35 países onde a situação é mais grave, que inclui Angola e Moçambique.

A situação mais preocupante é Moçambique. Com uma população de 27,9 milhões, 1,7 milhão de pessoas estava nas últimas três fases de insegurança alimentar, cerca de 1,4 milhão em situação de crise e 265 mil em emergência.

Mais de 67 mil crianças com menos de cinco anos sofriam de desnutrição grave e 42,6% tinha problemas de crescimento.

No ano passado, os ciclones Idai e Kenneth destruíram plantações e aumentaram o preço dos alimentos, piorando a crise alimentar que o país já enfrentava. Em 2020, as agências esperam que os números devem ser mantidos, devido à seca e cheias.

Já em Angola, a insegurança alimentar aumentou devido à seca nas províncias do sul e o afluxo de refugiados da República Democrática do Congo.

No país de 31,8 milhões, mais de 562 mil foram afetadas. Cerca de 272 mil viviam em situação de crise e 290 mil em emergência. Mais de 8% das crianças com menos de cinco anos sofriam de desnutrição grave e perto de 30% tinha problemas de crescimento.

Em 2020, a melhoria das condições de seca deve ajudar as pastagens e aumentar as perspectivas de produção agrícolas.

América Latina

Cerca de 14%, ou 18,5 milhões, das pessoas em fase de crise ou pior viviam na América Latina e Caribe.

As principais crises da região eram os quatro países do Corredor Seco da América Central (El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua), Haiti, República Dominicana e Venezuela. Metade dos afetados, cerca de 9,3 milhões, estava na Venezuela.

Choques econômicos eram o principal fator. Na Venezuela, 2019 marcou o quinto ano consecutivo de recessão profunda. Os preços dos alimentos aumentaram mais de 8 mil % em 2019, destruindo o poder de compra dos venezuelanos. No Haiti, onde o número de pessoas com necessidade de assistência urgente cresceu 600 mil, a crise política e socioeconômica foi a principal causa.

A América Latina e o Caribe também estão sentindo o impacto das mudanças climáticas, com fortes furacões no Atlântico e secas na América Central, sendo a segunda região do mundo mais propensa a desastres climáticos.

Pandemia

Os dados do relatório foram recolhidos antes da pandemia de covid-19. Em 2020, a situação “é particularmente preocupante devido às previsões da evolução da pandemia.”

Os declínios na atividade econômica provavelmente diminuirão os orçamentos nacionais e das famílias. A situação alimentar pode continuar a piorar, mas a magnitude das consequências ainda não é conhecida.

A pesquisa afirma que “a maioria dos países mencionados não tem meios para realizar atividades humanitárias de resposta à pandemia e, ao mesmo tempo, proteger e apoiar os meios de subsistência dos seus cidadãos.”

Os autores alertam que os doadores internacionais “podem achar cada vez mais difícil priorizar ajuda no exterior quando as situações sociais e econômicas de seus países também estão sendo muito afetadas.” Apesar disso, a pesquisa afirma que os Estados-membros cobertos pelo estudo “não devem ser obrigados a escolher entre salvar vidas e salvar meios de subsistência.”

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