Inquéritos sobre Lulinha acirram tensão entre o ministro André Mendonça e Polícia Federal

Filme sobre Bolsonaro teria recebido dinheiro de Daniel Vorcaro

Inquéritos sobre Lulinha acirram tensão entre o ministro André Mendonça e Polícia Federal
Inquéritos sobre Lulinha acirram tensão entre o ministro André Mendonça e Polícia Federal

André Richter - Repórter Da Agência Brasil - 01/08/2026 18:31:49 | Foto: Andressa Anholete/STF

ANA POMPEU-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O avanço de investigações sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aprofundou a tensão entre a Polícia Federal e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça. A relação entre os investigadores e o responsável pelos inquéritos na corte chegou ao ponto mais agudo de desconfiança.

Nas últimas semanas, Mendonça fez cobranças à PF por entender que as investigações andavam em ritmo mais lento do que deveriam, enquanto a cúpula da polícia propôs uma ação para desfazer medidas de controle impostas pelo ministro.

O embate transbordou e alcançou outros órgãos do governo, principalmente depois que o filho do presidente Lula (PT) entrou na mira. Entre esses integrantes da gestão petista, há uma preocupação de que a disputa possa contaminar as investigações, tirando o foco do trabalho dos agentes e criando o risco de que o caso saia do controle.

Para membros do governo, o fato de a queda de braço entre Mendonça e a PF ter se tornado pública pode criar a imagem de que o trabalho da investigação é disfuncional e alimentar expectativas de desfechos específicos da investigação.

Assim, o indiciamento ou não de Lulinha seria visto como a vitória ou derrota de um grupo, mais que a consequência de um trabalho técnico. Embora a própria PF tenha pedido a abertura de inquérito, Mendonça se encarregou do caso após sorteio.

A avaliação no governo é que a tensão entre os dois lados é inoportuna, uma vez que casos de grande repercussão são complexos e que é natural um andamento em ritmos particulares. Isso dependeria da quantidade de envolvidos, volume de elementos, forma de coleta de provas, sofisticação do esquema investigado, local das infrações e conexões identificadas.

Mendonça vinha questionando a demora do envio do material das investigações sobre as fraudes no INSS, que deram origem aos novos inquéritos contra Lulinha, além de cobrar informações sobre as mudanças feitas na equipe de investigação e sobre a falta de comunicação dessas alterações.

O filho de Lula teve quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático autorizadas pelo ministro em fevereiro. Na última quinta-feira (30), ele se tornou alvo de um inquérito sob suspeita de tráfico de influência em atuação por comércio de canabidiol.

Nesse caso, as autoridades apresentaram o pedido de forma autônoma ao Supremo, e não dentro do caso do INSS. A opção foi vista por assessores do STF como uma tentativa de driblar a relatoria de Mendonça e reduzir a concentração de poder em seu gabinete.

Durante os dias finais do recesso do Judiciário, o STF está sob a presidência de Alexandre de Moraes. O ministro encaminhou o processo para distribuição, e Mendonça foi o sorteado, mantendo, assim, o controle sobre o caso.

Mendonça também autorizou a abertura de outro inquérito sobre Lulinha, por suspeitas de atuação a favor de um empresário em negociações com a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência).

Segundo pessoas com acesso ao gabinete de Mendonça, a demora, até então, na análise do material sobre Lulinha causou estranhamento. Em comparação, as apurações das fraudes do Banco Master, cuja primeira fase deflagrada foi em 18 de novembro, estariam caminhando de forma mais acelerada. A Sem Desconto, sobre o caso do INSS, foi iniciada em 23 de abril de 2025.

O magistrado já havia determinado que todos os atos da apuração do INSS fossem imediatamente levados ao gabinete. Com isso, essas informações não passariam por outros departamentos da PF, como a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro e a própria cúpula do órgão.

Mendonça também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigadores fosse comunicado previamente a ele e que a remessa de todos os dados apreendidos seja feita ao gabinete no meio das apurações, não ao final do trabalho.

Desde o surgimento do nome de Lulinha no caso INSS, três delegados do caso foram trocados. Em alguns momentos, o relator soube da mudança por meio de advogados de envolvidos.

Como a reportagem mostrou, depois dessas medidas, a PF acionou a AGU (Advocacia-Geral da União). A entrada do órgão no circuito serviria para tentar contestar as ordens de Mendonça e a desconfiança manifestada pelo ministro.

A ida da PF à AGU representou um passo da escalada da crise entre Mendonça e a polícia. Devido à insatisfação do relator com o que vê como lentidão das investigações sobre o caso, o ministro havia determinado anteriormente que a PF concluísse, em até 60 dias, a análise do material apreendido na operação, como celulares, HDs, e pen drives dos presos.

Em resposta, a PF informou ao ministro que precisaria de mais prazo e falou em falta de pessoal. A polícia disse que há 11 pessoas atuando na investigação, enquanto seriam necessárias mais de 40 para cumprir o prazo desejado pelo ministro. Também afirmou que a análise global do material, de cerca de 1.700 itens, encontra-se em estágio inicial e que teria finalizado cerca de 40%.

Polícia Federal aciona governo contra medidas de Mendonça no caso INSS, que envolve Lulinha

CONSTANÇA REZENDE-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal acionou, na última semana, a AGU (Advocacia-Geral da União) contra medidas impostas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que aumentaram o controle do caso que investiga as fraudes nos descontos no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).

As investigações sobre o caso envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

O objetivo do órgão é que a AGU encontre algum remédio judicial para rebater a determinação do ministro para que todos os atos da apuração sejam imediatamente juntados ao processo que tramita em seu gabinete.

Ele também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigadores seja comunicado previamente ao seu gabinete.

Nos bastidores, pessoas com acesso à cúpula da polícia classificaram as medidas como uma intromissão do magistrado na gestão de suas equipes e uma violação às competências do órgão.

A decisão de compartilhar os dados diretamente com o gabinete também foi vista como um sinal de uma possível desconfiança do ministro em relação à imparcialidade da polícia na condução do caso.

Um investigador ligado às apurações disse que, se Mendonça avalia que há perseguição ou proteção a alguém ou alguma irregularidade, ele deve formalizar isso no processo e não ir contra uma instituição por uma suspeita genérica.

A reportagem não conseguiu contato com o gabinete de Mendonça para falar do assunto e a AGU não respondeu sobre o pedido. A PF também não comentou o assunto.

As investigações do caso, no âmbito da Operação Sem Desconto, são consideradas sensíveis por envolverem Lulinha. Ele teve as suas quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático autorizadas pelo ministro em fevereiro.

Uma das linhas de investigação é que o filho do presidente seria sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes.

A ida da PF à AGU representa uma escalada na crise entre Mendonça e a polícia. Devido à insatisfação do relator com o que vê como lentidão das investigações sobre o caso, o ministro havia determinado anteriormente que a PF concluísse, em até 60 dias, a análise do material apreendido na operação, como celulares, HDs, e pen drives dos presos.

Em resposta, a PF informou ao ministro que precisaria de mais prazo e falou em falta de pessoal. A polícia disse que há 11 pessoas atuando na investigação, enquanto seriam necessárias mais de 40 para cumprir o prazo desejado pelo ministro. Também afirmou que a análise global do material, de cerca de 1.700 itens, encontra-se em estágio inicial e que teria finalizado cerca de 40%.

O ministro também havia pedido, em ofício enviado à corporação, que o órgão mantivesse a equipe de investigação e, em caso de alterações, que fossem apresentadas justificativas no processo.

A determinação foi feita devido a sua insatisfação com trocas na coordenação do caso feitas pela Polícia Federal. Ele avaliou que essas mudanças têm contribuído para a demora da conclusão da operação.

Também há uma percepção, entre autoridades que acompanham o caso, de que, apesar de ser mais antiga, a Sem Desconto, iniciada em 23 de abril de 2025, está mais lenta do que a operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master e teve a primeira fase deflagrada em 18 de novembro.

A PF já havia anunciado a retirada do caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e realocado a apuração para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, que investiga pessoas com foro privilegiado.

Na ocasião, o chefe da divisão antiga, o delegado Guilherme Figueiredo Silva, foi pego de surpresa com a decisão da cúpula da Polícia Federal.

A polícia argumentou que a mudança foi feita para assegurar maior eficiência às investigações porque a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores tem estrutura para a condução de operações sensíveis com tramitação no STF.

As mudanças da PF levaram a oposição a acusar a corporação de proteger o filho do presidente. O assunto também tem gerado um racha entre investigadores que trabalham no caso.

Sob reserva, parte deles diz ver a opção de avançar sobre o filho do presidente como uma mudança do rumo das apurações e afirma que, até o momento, não há provas suficientes de que ele tenha cometido irregularidades. A defesa de Lulinha sempre negou que ele tenha cometido qualquer ilegalidade.

Os investigadores também têm feito críticas internamente à condução de Mendonça, assim como no caso da Compliance Zero. Segundo eles, os pedidos para quebra de sigilo ou de bloqueio de bens feitos pela PF ao gabinete não têm a mesma velocidade em suas análises, dependendo de quem são os alvos.

PF pede para investigar Lulinha sob suspeita de tráfico de influência e cita gabinete presidencial

CONSTANÇA REZENDE-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de um inquérito para investigar suspeitas envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

A solicitação feita na última sexta-feira (24) foi distribuída nesta quarta-feira (29) ao ministro André Mendonça, que vai decidir se abre o procedimento.

De acordo com informações obtidas pela Folha, os investigadores querem apurar os crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização da comercialização de cannabis medicinal, em programas ligados ao Ministério da Saúde.

Lulinha tem atuação no ramo em parceria com a empresária Roberta Luchsinger, sua amiga, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

O pedido de abertura de inquérito também cita contatos entre os alvos e servidores, inclusive do gabinete de Lula. A suspeita é de que o tráfico de influência tenha sido exercido junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência, de acordo com informações da PF.

Segundo os investigadores, há suspeita de que Lulinha tenha atuado com Roberta no mercado de canabidiol a favor da empresa World Cannabis, ligada ao Careca do INSS.

Advogados de Lulinha, Luchsinger e Antunes foram procurados na tarde desta quinta-feira (30) para comentar o pedido da PF, mas não responderam até a publicação desta reportagem. O Palácio do Planalto também foi procurado, mas ainda não se manifestou.

Nos últimos meses, os citados vêm negando irregularidades em sua atuação no ramo da cannabis medicinal.

Os advogados de Lulinha afirmaram anteriormente que o filho do presidente não participou de negociações, não investiu trabalho ou valores "e tampouco recebeu convite para associação, participação ou compra de cotas" no projeto comercial da World Cannabis.

Em março, a defesa de Lulinha admitiu que ele teve despesas pagas pelo Careca do INSS em uma viagem para Portugal em 2024.

Roberta Luchsinger disse que prestou uma consultoria para o Careca do INSS na área de canabidiol e que apresentou o lobista a Lulinha em um "contexto social". Disse ainda que seu contrato não previa a comercialização de nenhuma substância.

O Careca do INSS está preso desde setembro de 2025. Em depoimento à CPI do INSS no ano passado, ele disse ser um empresário cuja prosperidade é "fruto de trabalho honesto e dedicado" e que não possui "patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita".

O documento enviado pela PF ao Supremo afirma que teriam sido identificados pagamentos do lobista para a RL Consultoria, de Roberta Luchsinger. A investigação tentará esclarecer se houve o pagamento para agentes públicos.

Os investigadores pedem à corte a autorização do compartilhamento de provas colhidas na Operação Sem Desconto, que mira uma quadrilha responsável por desvios no INSS e que tem Careca como um dos alvos.

O pedido de investigação foi enviado ao STF na última sexta, durante o recesso do Judiciário. A PF remeteu o caso à presidência do Supremo por considerar que os fatos não são relacionados à Operação Sem Desconto, que envolve fraudes no INSS e que está sob relatoria de Mendonça.

O caso foi analisado por Alexandre de Moraes, que substituía Edson Fachin na presidência da corte em regime de plantão.

No mesmo dia, o ministro pediu um parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), que afirmou que as quebras de sigilo apresentadas pelos investigadores "revelaram a prática de crime" sem relação com a Operação Sem Desconto, opinando pelo sorteio de um novo relator para o caso. O escolhido foi André Mendonça.

No fim do ano passado, Lula chegou a afirmar que o filho deveria ser investigado se houvesse envolvimento dele em irregularidades.

"Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso será investigado. Se tiver o [ministro da Fazenda Fernando] Haddad, vai ser investigado, o [ministro-chefe da Casa Civil] Rui Costa com essa seriedade, vai ser investigado", afirmou.

André Mendonça autoriza investigação da PF sobre repasses a filme sobre Jair Bolsonaro

CONSTANÇA REZENDE E JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar o caso "Dark Horse", nome do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A PF irá investigar o destino de repasse de recursos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, pediu dinheiro ao ex-banqueiro sob a justificativa de financiar a obra. Procurado para comentar a decisão, ele não se manifestou até o momento. Anteriormente, disse que a solicitação foi feita só para o filme e não haveria qualquer irregularidade.

Mendonça havia pedido um parecer ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a partir de uma solicitação da Polícia Federal. O chefe do MPF (Ministério Público Federal) disse que há elementos suficientes para pedir a abertura formal de um inquérito que apure os repasses.

Procurado, o senador Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou, mas já negou anteriormente qualquer irregularidade nos repasses. Já Eduardo chamou, em maio, de "tosca" a suspeita da Polícia Federal porque, segundo ele, seu status de migração nos EUA à época vedaria recebimento de valores.

Na ocasião, afirmou que explicou às autoridades americanas "toda a origem" dos seus recursos. "E não tive qualquer problema, porque aqui não vigora um regime de exceção. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem."
Além da PF, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) havia feito o pedido de investigação ao STF, mas a PGR se manifestou pelo arquivamento da solicitação do parlamentar. Ele tinha acionado o Supremo depois que o site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para o longa-metragem.

No fim de junho, o presidente da corte, Edson Fachin, definiu então que Mendonça deveria ficar como relator do caso.

Ao pedir a investigação no mês passado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse em entrevista crer que era necessário instaurar um inquérito que apure o envio de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos EUA sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse".

Uma das desconfianças é de que esses recursos bancaram despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025,o que ele nega. A PF também quer saber se eles foram usados para outras ações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo Donald Trump.

"Há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios", disse o diretor-geral, em entrevista à GloboNews, em junho.

Os recursos teriam sido transferidos pela Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.

Quando foi revelado, pelo site Intercept Brasil, o financiamento do filme Dark Horse com recursos de Vorcaro, Flávio Bolsonaro disse em nota que era "falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro".

"Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos."
A PF pretende entender se os recursos -que teriam sido enviados a pedido do dono do Master- foram, de fato, usados para financiar o filme ou se uma parte serviu para custear a vida de Eduardo no país, para onde ele se mudou alegando perseguição de Alexandre de Moraes. O ex-parlamentar nega as acusações e já se queixou de contas bancárias bloqueadas, inclusive de sua mulher.

Eduardo foi para os EUA no ano passado. Ele é réu no STF em uma ação sob acusação do crime de coação, que tem a relatoria de Alexandre de Moraes.

PGR recomenda ao STF investigação sobre repasses a filme sobre Jair Bolsonaro

CONSTANÇA REZENDE E JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar o caso "Dark Horse", nome do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A PF irá investigar o destino de repasse de recursos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, pediu dinheiro ao ex-banqueiro sob a justificativa de financiar a obra.

Mendonça havia pedido um parecer ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a partir de uma solicitação da Polícia Federal. O chefe do MPF (Ministério Público Federal) disse que há elementos suficientes para pedir a abertura formal de um inquérito que apure os repasses.

Além da PF, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) havia feito o pedido de investigação ao STF, mas a PGR se manifestou pelo arquivamento da solicitação do parlamentar. Ele tinha acionado o Supremo depois que o site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para o longa-metragem.

No fim de junho, o presidente da corte, Edson Fachin, definiu então que Mendonça deveria ficar como relator do caso.

Ao pedir a investigação no mês passado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse em entrevista crer que era necessário instaurar um inquérito que apure o envio de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos EUA sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse".

Uma das desconfianças é de que esses recursos bancaram despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. A PF também quer saber se eles foram usados para outras ações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo Donald Trump.

"Há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios", disse o diretor-geral, em entrevista à GloboNews, em junho.

Os recursos teriam sido transferidos pela Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.

Quando foi revelado, pelo site Intercept Brasil, o financiamento do filme Dark Horse com recursos de Vorcaro, Flávio Bolsonaro disse em nota que era "falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro".

"Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos."
A PF pretende entender se os recursos -que teriam sido enviados a pedido do dono do Master- foram, de fato, usados para financiar o filme ou se uma parte serviu para custear a vida de Eduardo no país, para onde ele se mudou alegando perseguição de Alexandre de Moraes. O ex-parlamentar nega as acusações e já se queixou de contas bancárias bloqueadas, inclusive de sua mulher.

Eduardo foi para os EUA no ano passado. Ele é réu no STF em uma ação sob acusação do crime de coação, que tem a relatoria de Alexandre de Moraes.

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