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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 27 de setembro de 2021

PMs impulsionam atos no 7 de Setembro com críticas e ataques ao Supremo e ao CongressoFoto: Matheus Alves

PMs impulsionam atos no 7 de Setembro com críticas e ataques ao Supremo e ao Congresso

A convocação parte de policiais de patentes variadas, em diferentes Estados, conforme levantamento do Estadão.

Vinicius Valfré - Estadão - Tribuna Da Internet - 25/08/2021 - 06:49:23

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), determinou o afastamento do chefe do Comando de Policiamento do Interior-7 da Polícia Militar de São Paulo, coronel Aleksander Lacerda. A decisão foi tomada após o Estadão revelar publicações do oficial em rede social com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), insuflando a participação de “amigos” nas manifestações de 7 de Setembro, uma postura que tem se espalhado em ao menos seis Estados.

Em suas postagens, o oficial afirma que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é “covarde”, que Doria é uma “cepa indiana” e que o deputado Rodrigo Maia (RJ), recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, é beneficiário de esquema “mafioso”.

Sargento Da Silva postou uma conclamação

DORIA REAGE – “No Estado de São Paulo nós não teremos manifestações de policiais militares na ativa de ordem política”, disse Doria.

A decisão de Doria é uma reação a algo que está longe de ser um caso isolado. Nas redes, proliferam as manifestações de policiais militares da ativa e da reserva, com chamamentos para que participem em massa da mobilização de 7 de Setembro.

A convocação parte de policiais de patentes variadas, em diferentes Estados, conforme levantamento do Estadão. Na internet, a mobilização dos oficiais e praças ainda é reforçada por deputados-PMs, que têm em integrantes das forças estaduais suas bases de apoio. Há pessoal da ativa e da reserva incentivando manifestações em São Paulo, Rio, Santa Catarina, Espírito Santo, Ceará e Paraíba.

RUPTURA INSTITUCIONAL – A preocupação com os atos foi compartilhada na reunião que teve a participação de 25 governadores. Na conversa, deixaram claro que não se trata de impedir a livre manifestação de expressão, direito garantido pela Constituição. Mas destacaram que o que tem marcado a organização dos atos é o caráter de apoio a uma ruptura institucional, com ameaças de invasão do Supremo Tribunal Federal e do Congresso.

O medo de ruptura ligada às PMS faz parte do cenário traçado por oficiais-generais e ex-ministros da Defesa como Raul Jungmann, conforme revelou o Estadão.

A reportagem questionou a principal organização dos policiais, a Associação Nacional de Entidades Representativas de Policiais Militares e Bombeiros Militares, se tem orientado a participação nos atos. A instituição declarou que “ainda não deliberou”. Haverá uma reunião na próxima quinta-feira, e o tema poderá ser tratado. Ao contrário de integrantes da ativa, homens da reserva podem participar de manifestações.

GOVERNADORES EM ALERTA – A adesão de militares a atos pró-Bolsonaro no Dia da Independência ligou o alerta de governadores. No Rio, Eduardo Da Silva Marques Junior, o sargento Da Silva, não comanda batalhões, mas se comunica com um grande contingente. Tem mais de 162 mil seguidores no Facebook.

No domingo, Da Silva, que é da ativa, publicou uma foto em que aparece fardado ao lado do presidente Jair Bolsonaro. “Soldados do Povo! Guerreiros por Natureza! 7 de Setembro será um grande dia! Milhões de cidadãos de bem de todas as regiões do Brasil estão com o senhor!”, escreveu o policial.

Na cúpula das PMs, o incentivo à manifestação em favor do presidente por parte de militares da ativa em vários Estados é visto como pontual. “Dentro de um cenário nacional, há uma sinalização para a generalização desses posicionamentos”, disse ao Estadão o coronel Euller Chaves, presidente do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das PMs.

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NOTA DA REDAÇÃO
– É extremamente negativa a radicalização que invade o país, provocada pelo próprio presidente da República, por motivos meramente pessoais, visando claramente a usurpar o poder e criar uma nova ditadura. Sem a menor dúvida, Bolsonaro está sendo altamente irresponsável, sob aplausos entusiásticos dos oficiais da reserva das três Forças, que deveriam estar mais atentos ao interesse público, conforme deveriam ter aprendido nas escolas militares. (C.N.)

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