×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 27 de novembro de 2021

Relação comercial Brasil-Reino Unido pós-Brexit: 'Há muito a explorar e a resgatar', diz economista

Relação comercial Brasil-Reino Unido pós-Brexit: 'Há muito a explorar e a resgatar', diz economistaFoto: Gov.UK

Esta semana, o Reino Unido apresentou novas propostas para alavancar a economia, focadas no setor de exportações. A Sputnik Brasil conversou com analista para entender os novos planos e se o Brasil pode se beneficiar com os mesmos.

Luiza Ramos - Agência Sputnik De Noticias - 19/11/2021 - 08:24:00

Em meio a todas as questões envolvendo a conturbada saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o setor econômico é um dos que mais sofre com acordos que, segundo especialistas, foram feitos de forma precipitada e abrupta, não garantindo um bom fluxo de exportações e importações entre o bloco e a nação insular.

Ontem (17), o governo britânico anunciou um novo plano, o Made in the UK (Feito no Reino Unido, na tradução), o qual tem como objetivo ajudar empresas a aproveitarem novas oportunidades nos mercados globais, de acordo com a BBC.

Segundo a mídia, como parte do projeto, agências governamentais oferecerão novos serviços para ajudar exportadores britânicos a garantirem melhores negócios.

A Sputnik Brasil entrevistou Márcio Sette Fortes, economista e professor de Relações Internacionais do IBMEC, conselheiro da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e diretor Conselheiro da Sociedade Nacional de Agricultura SN para entender sobre a nova investida comercial britânica e se o Brasil pode gerar maiores laços econômicos com Reino Unido.

O especialista conta que o projeto Made in the UK, é um plano focado em deslanchar potenciais de novos exportadores, ou seja, "identificar empresas cujo potencial está travado e extrair dessas empresas o seu melhor".

"Hoje, apenas uma em cada dez empresas do Reino Unido participa de mercados internacionais, o que ainda é muito pouco, no sentido de que as empresas que exploram as potencialidades do mercado internacional se remuneram melhor e pagam salários melhores consequentemente, beneficiando o perfil de consumo do país", explicou.

Em relação às dificuldades de exportação para Europa após o Brexit, Fortes afirma que precisa ficar claro que o acordo significou "o fim das vantagens que anteriormente eram estendidas aos membros daquele grupo".

"Esses membros usufruíam de vantagens aduaneiras, de vantagens tarifárias que agora não estão mais à disposição do Reino Unido. Então, essa questão, se torna também uma questão burocrática, uma vez que o próprio processo de transação dos produtos de país para país se torna mais burocrático."

Entretanto, Fortes enfatiza que o mercado britânico representa uma fatia pequena das exportações da União Europeia, portanto, o "interesse do Reino Unido de acessar o mercado europeu é muito maior do que o do bloco ".

Mesmo assim, o economista considera que a dificuldade nas transações poderia ser pior se não houvesse " o acordo estabelecido em termos comerciais entre a UE e o Reino Unido para continuar a gerar um certo fluxo".

União Europeia começa processos contra Reino Unido pelo Brexit, relata mídia

Reino Unido x Brexit

Na visão do especialista, o Brexit não concebeu vantagens para o Reino Unido, pelo contrário, "ele trouxe problemas a serem resolvidos, uma vez que participar de comércio bilateral com o bloco europeu agora implica em custos maiores".

"Esses custos não existiam antes quando a UE estava integrada com as vantagens aduaneiras estabelecidas, portanto, o aumento desses custos vai elevar os preços enfrentados pelos consumidores e muitas vezes à redução das exportações. Houve e haverá perdas inevitáveis nesse processo."

No entanto, Fortes diz que o plano do Reino Unido para novos mercados não está focado exclusivamente no espaço europeu, ainda que o mesmo represente uma fatia substancial do mercado consumidor das exportações britânicas, "o projeto para diversificação é ligado a novos mercados".

"O intuito desse planejamento é dar uma maior movimentação e aquecimento na economia, já que também há perdas em outros setores, por exemplo, perda de mão de obra sazonal e no turismo."

O especialista elucida que dentro da mão de obra sazonal, se encontram os trabalhadores europeus que contribuíam para diversas áreas, como a do agronegócio e da pesca.

Em relação à perda do turismo, Fortes salienta que ela também é complexa, porque "os principais pontos turísticos europeus vêm se recuperando bem, enquanto que o Reino Unido enfrenta dificuldades. A indústria do turismo é muito representativa para economia britânica".

"Essa realidade se impõe como desafio ao Reino Unido e precisa ser equacionada para que a economia britânica não seja severamente penalizada", complementa.

Passageira chega ao Aeroporto Internacional Heathrow, 18 de setembro de 2021. No dia 7 de outubro, o governo brtiânico disse que relaxaria ainda mais as regras de viagens para atrair turistas

Comércio Brasil e Reino Unido

Para Fortes, no comércio entre Brasil-Reino Unido " há um enorme potencial a ser explorado " e uma grande parcela das transações deve ser "resgatada".

"Foi criado recentemente um grupo de trabalho entre os dois, no qual a Associação de Comércio Exterior do Brasil [AEB] faz parte junto a outros órgãos. Esse grupo tem como objetivo aprofundar as relações comerciais. Nesse caso, o Brasil se apresenta na figura do Mercosul, uma vez que como membro, nós temos que fazer acordos bilaterais no âmbito do bloco mersoculino", afirmou.

Segundo o economista, existe a perspectiva de um acordo evoluir "não só para aprimorar o comércio exterior, mas também para resgatar o que foi perdido ao longo da última década nos setores onde houve decréscimo".

Fortes destaca que outras "oportunidades" podem surgir a partir do momento que, com o Brexit, o Reino Unido não segue mais as regras da União Europeia.

Nesta semana, a UE enviou um projeto de lei ao Parlamento Europeu pelo qual pretende criar barreiras para compra de commodities brasileiras que são provenientes de áreas de desmatamento, segundo o especialista.

"Isso abre uma oportunidade para o Brasil já que essa exigência não vem diretamente do Reino Unido. Quando olhamos a pauta de produtos brasileiros vendidos aos compradores britânicos, é possível identificar entre as principais mercadorias produtos agrícolas e metais [...]. Contudo, temos que ter consciência e não podemos descuidar da parte ambiental."

No entanto, de acordo com Welber Barral, membro da consultoria de relações governamentais e comércio internacional BMJ, existe um projeto de lei similar ao da UE em evolução no Reino Unido.

"Isso pode significar novas barreiras às exportações brasileiras", disse Barral citado pelo jornal O Globo.

Reino Unido está pagando preço por ter se retirado de forma abrupta da UE, diz especialista

Comentários para "Relação comercial Brasil-Reino Unido pós-Brexit: 'Há muito a explorar e a resgatar', diz economista":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Black Friday da crise dá força a sites de produtos da China

Black Friday da crise dá força a sites de produtos da China

"Existe desconfiança do brasileiro em relação a efetividade das promoções da Black Friday no País. Com essa super digitalização do processo de compra, é mais fácil comparar e ver os preços que são praticados lá fora", diz a fundadora da Wiz & Watcher, Cíntia Gonçalves.

O impacto da Black Friday na indústria de iGaming no Brasil

O impacto da Black Friday na indústria de iGaming no Brasil

A Black Friday é um dos eventos mais relevantes do calendário comercial das empresas

Novo seguro contra hackers oferece proteção digital para pessoas e famílias

Novo seguro contra hackers oferece proteção digital para pessoas e famílias

Quem nunca teve seu computador infectado por um vírus ou recebeu mensagens e e-mails com links maliciosos?

Alto preço do combustível é 'puxado' pelo preço do barril do petróleo

Alto preço do combustível é 'puxado' pelo preço do barril do petróleo

A explicação, conforme a equipe de analistas do Sindifiscal/MS, está no 'Fator Petrobrás'

Empresas da Zona Franca de Manaus faturam R$ 116,59 bilhões em 2021

Empresas da Zona Franca de Manaus faturam R$ 116,59 bilhões em 2021

Resultado é do período de janeiro a setembro deste ano

Próximo sorteio no DF do Nota Legal será em 24 de dezembro

Próximo sorteio no DF do Nota Legal será em 24 de dezembro

Mais uma vez, serão distribuídos R$ 3 milhões em prêmios, que vão de R$ 100 a R$ 500 mil

Setor de eventos e turismo prevê forte retomada para 2022

Setor de eventos e turismo prevê forte retomada para 2022

A previsão é de um acréscimo de 0.9% na comparação entre este ano e o ano passado.

Preço das principais hortaliças sobe em outubro no atacado, diz Conab

Preço das principais hortaliças sobe em outubro no atacado, diz Conab

No caso do tomate, os preços continuam em níveis elevados e a oferta do fruto em outubro foi a menor do ano, com quedas desde junho.

Presidente do BC aponta piora “quantitativa e qualitativa” da inflação

Presidente do BC aponta piora “quantitativa e qualitativa” da inflação

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto (foto), disse na terça-feira (16) que diante de um cenário de piora “quantitativa e qualitativa” da inflação, a autoridade monetária do país terá um trabalho difícil e desafiador, em um cenário de alta nos preços de alimentos, combustíveis e de energia.

Últimos dias para resgatar prêmios do Nota Legal no DF

Últimos dias para resgatar prêmios do Nota Legal no DF

Contribuintes sorteados têm até o dia 21 para indicar a conta habilitada a receber a premiação

De olho nos custos, grandes bancos fecham 1,8 mil agências em 12 meses

De olho nos custos, grandes bancos fecham 1,8 mil agências em 12 meses

Antes da pandemia, os caixas do Bradesco nas agências faziam 1 milhão de autenticações por dia, seja de um boleto, seja de uma conta. Hoje, esse número caiu para 112 mil.