Sofía Monsalve Suárez condenou o rápido aumento da insegurança alimentar e o uso da fome como tática de guerra; ela afirmou que em muitos países sistemas alimentares já se encontram “fragilizados por décadas de políticas neoliberais”
Agência Onu News - 22/10/2026 08:49:03 | Foto: ONU News
A prevenção da fome em conflitos armados exige uma estrutura internacional mais forte, que possibilite a responsabilização. Essa é a conclusão da análise que a relatora especial da ONU sobre o Direito à Alimentação, Sofía Monsalve Suárez, apresentou à Assembleia Geral da ONU esta semana.
Este foi o primeiro informe de seu mandato, iniciado em março deste ano. Ela reconheceu que assumiu o cargo em “um momento difícil da história”.
Desafio moral sem precedentes
Sofía Monsalve Suárez afirmou que o fator que mais a preocupa é “o rápido aumento da fome e o uso da fome como arma de guerra”. Para ela, ambos representam “crimes que seguem impunes”.
Ela lembrou que 266 milhões de pessoas enfrentam fome aguda todos os dias, em países como Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Iêmen e Gaza.
Sobre os conflitos, a relatora especial disse que o uso deliberado da fome como tática representa “um desafio moral sem precedentes para esta geração”.
Ela adicionou que a convergência de fatores climáticos, geopolíticos e econômicos ameaça muitos países, uma vez que seus sistemas alimentares já se encontram “fragilizados por décadas de políticas neoliberais, dependência excessiva de importações, monoculturas industriais e superexploração de ecossistemas e pessoas”.
Papel central aos sobreviventes da fome
Em seu mandato, com duração de três anos, Sofía Suárez disse que vai priorizar “a reafirmação da dignidade humana nestes tempos de economia de guerra global”.
Para a relatora, a dignidade deve ser o fundamento da transformação dos sistemas alimentares, não apenas como um direito legal, mas como uma realidade vivida.
A especialista quer conferir um papel central aos sobreviventes da fome, contribuir para a sua recuperação e mobilizar a vontade política necessária para prevenir novas crises alimentares.
Grupo de Amigos da Ação sobre Conflito e Fome
Ao longo desta semana, em Nova Iorque, ela manteve um diálogo com Estados integrantes do Grupo de Amigos da Ação sobre Conflito e Fome, que promove a implementação da resolução 2417 do Conselho de Segurança.
Essa resolução reforça a proteção de civis, bem como de bens e infraestruturas necessários para a alimentação da população em contextos de conflito, além de proteger a assistência humanitária.
Sofía Suárez elogiou o fato de o grupo debater os desafios estruturais que afetam a segurança alimentar, uma vez que as emergências atuais não podem ser dissociadas desses desafios.
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