Mendonça diz que gabinete não conseguiu acessar conteúdo de celular de Vorcaro e pede ajuda à PF

Mendonça determina afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF

Mendonça diz que gabinete não conseguiu acessar conteúdo de celular de Vorcaro e pede ajuda à PF
Mendonça diz que gabinete não conseguiu acessar conteúdo de celular de Vorcaro e pede ajuda à PF

Giovana Kebian-são Paulo, Sp (folhapress) - 19/09/2026 18:14:55 | Foto: Divulgação Nelson Jr./SCO/STF

JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, afirmou ao diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, que não conseguiu ter acesso efetivo ao material de um dos celulares de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, apreendidos na ocasião da primeira prisão do ex-banqueiro, em 18 de novembro de 2025.

Mendonça pediu que a PF adote providências para acesso ao material do celular.

"Solicita-se ao setor competente da PF o auxílio técnico operacional necessário, bem como a conferência na higidez do material especificamente entregue a esse gabinete, a fim de viabilizar a superação de qualquer óbice ao efetivo acesso ao referido material", disse Mendonça em ofício a Andrei enviado neste sábado (19).

O vazamento de conteúdo de um celular apreendido de Vorcaro alimentou o embate entre ministros do STF, em razão do envolvimento do ex-banqueiro com integrantes do Supremo. Isso inclui os ministros Mendonça e Alexandre de Moraes. Mendonça, relator do caso Master, chegou a determinar o afastamento de Andrei da direção da PF, o que acabou suspenso.

Mendonça rejeita pedido de aliado de Flávio Bolsonaro para barrar reajuste no Bolsa Família

ANNA JÚLIA LOPES, LUÍSA MARTINS E ISADORA ALBERNAZ-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), rejeitou um pedido do deputado Zé Trovão (PL-SC) para barrar o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (17).

Na decisão, o ministro não analisou o mérito da questão.

De acordo com o magistrado, o deputado, que concorre à reeleição, não tem legitimidade para apresentar uma ação contra o presidente, já que ambos disputam eleições em circunscrições diferentes: enquanto Zé Trovão disputa cargo pelo estado de Santa Catarina, a eleição de Lula é nacional.

Mendonça afirma que o entendimento tem sido utilizado pelo TSE em decisões recentes envolvendo candidatos à Câmara que tentam questionar fatos relacionados à disputa presidencial.

Mais cedo nesta quinta, Lula anunciou um reajuste de 15,04% no valor do Bolsa Família. Na prática, medida aumenta o valor do repasse mínimo do programa de R$ 600 para R$ 691.

Horas depois do anúncio, Zé Trovão acionou o TSE acusando o chefe do Executivo de abuso de poder político durante o período eleitoral.

Aliado do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado destacou que a medida foi anunciada a 17 dias do primeiro turno das eleições. A petição destaca ainda que a abrangência nacional da medida e quantidade de pessoas que serão beneficiadas pelo reajuste.

Por esse motivo, diz a peça, o anúncio pode repercutir na escolha do eleitorado nas urnas eletrônicas.

Também nesta quinta-feira, durante sua live semanal, Flávio desautorizou a atitude de Zé Trovão. Principal adversário de Lula na eleição, o senador criticou o anúncio do presidente sobre o Bolsa Família, afirmando que se trata de desespero, mas prometeu manter o ajuste se eleito.

"Teve um deputado aí que acionou a Justiça para tirar esse reajuste. Não foi com a minha autorização, não concordo com isso, não era para ter entrado, mas entrou. [...] Entrou por conta própria dele, não fui eu que pedi para ele fazer isso", disse.

Reajuste do Bolsa Família vai custar R$ 22,7 bi em 2027, e governo precisará ajustar Orçamento

IDIANA TOMAZELLI-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O reajuste de 15,04% dos benefícios do Bolsa Família vai custar R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027, segundo estimativas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os valores adicionais não estão previstos nem no Orçamento de 2026, nem no PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027, encaminhado no fim de agosto ao Congresso Nacional.

Segundo o ministro Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), o Executivo vai precisar remanejar despesas de outras áreas para acomodar o custo extra no Orçamento deste ano. Para o ano que vem, a equipe econômica fará um ajuste nos números do PLOA.

O governo ainda não detalhou de quais áreas sairão os recursos para acomodar o impacto do reajuste. Para 2026, as novas previsões serão divulgadas na semana que vem, quando o Executivo apresenta o relatório de avaliação de receitas e despesas do quarto bimestre.

A proposta de Orçamento deste ano reservava inicialmente R$ 158,6 bilhões para o pagamento dos benefícios do Bolsa Família, valor que caiu a R$ 156,6 bilhões na versão aprovada pelo Congresso. No último relatório de avaliação, divulgado em julho, o governo ainda cortou mais R$ 790 milhões, revisando o montante final para R$ 155,8 bilhões –valor que foi mantido na proposta para 2027.

Agora, os valores precisarão ser ajustados. Neste ano, o governo precisará enviar um projeto de lei ao Congresso para abrir um crédito suplementar, instrumento usado para mudar valores previstos para ações que já existem.

Para 2027, o governo pode encaminhar uma mensagem modificativa ou solicitar as alterações diretamente ao relator do Orçamento, por meio de ofício.

O Bolsa Família atende a cerca de 19,3 milhões de famílias. Hoje, o programa paga um benefício mínimo de R$ 600 por família, valor que subirá a R$ 691 com o reajuste. Segundo o governo, a variação de 15,04% reflete a inflação observada desde a reformulação da política, em março de 2023.

O programa tem sob seu guarda-chuva diferentes benefícios, que também serão corrigidos.

O BRC (Benefício de Renda de Cidadania), pago a cada indivíduo que integra a família, vai subir de R$ 142 para R$ 164. Já o benefício para a primeira infância, valor extra pago por criança de até sete anos incompletos, aumentará de R$ 150 para R$ 173.

Já o benefício variável familiar, destinado a gestantes, nutrizes ou crianças e adolescentes com idade entre sete e 18 anos incompletos, vai subir de R$ 50 para R$ 58.

Em 2022, o governo de Jair Bolsonaro (PL) também ampliou os valores do programa, então batizado de Auxílio Brasil, a poucos meses da eleição. Em agosto daquele ano, o repasse mínimo subiu de R$ 400 para R$ 600, um aumento de 50%. O anúncio ainda veio acompanhado da promessa de campanha de torná-lo permanente.

Na época, Lula era candidato e acusou Bolsonaro de promover o aumento para garantir sua reeleição. Mesmo assim, o petista equiparou a promessa de manter o piso de R$ 600, o que foi feito sob sua gestão apesar das críticas de especialistas sobre as distorções causadas pelo modelo.

Nesta quinta, após o anúncio, os ministros do governo Lula tentaram se distanciar das comparações entre o reajuste recém-anunciado e o aumento feito por Bolsonaro em 2022.

"Estamos fazendo isso de maneira muito responsável e muito diferente do que já se viu no país. Em outros tempos se fez PEC Kamikaze, crédito extraordinário para além do que estava no Orçamento previsto", disse o ministro Dario Durigan (Fazenda), em referência à emenda constitucional aprovada pelo Congresso há quatro anos para abrir espaço fora do limite de gastos do país e permitir o aumento.

Tire suas dúvidas sobre o reajuste de 15% no Bolsa Família

GABRIELA CECCHIN-CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O Bolsa Família terá os valores reajustados a partir do dia 19 de outubro. O benefício mínimo garantido por família passará de R$ 600 para R$ 691. A mudança foi anunciada pelo governo nesta quinta-feira (17).

O reajuste é de 15,04% e corresponde à inflação acumulada medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) entre março de 2023, quando entrou em vigor a atual versão do programa, e agosto de 2026.

A atualização também altera os valores pagos por criança, gestante, nutriz e outros integrantes que tenham direito aos benefícios previstos no programa.

Veja abaixo o que muda e quando o dinheiro será depositado.

O QUE MUDA NO BOLSA FAMÍLIA?
O governo corrigiu os valores dos benefícios pela inflação acumulada medida pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. O reajuste é de 15,04% e ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições.

Com a atualização, o valor mínimo garantido por família passa de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777.

O piso não significa que todas as famílias receberão exatamente R$ 691. O valor é calculado de acordo com a composição de cada família e os benefícios a que seus integrantes têm direito.

QUANDO COMEÇA O PAGAMENTO COM O NOVO VALOR?
Os novos valores passam a valer na folha de outubro. O calendário começa em 19 de outubro e segue até o dia 30, de acordo com o final do NIS.

VEJA AS DATAS DOS PRÓXIMOS PAGAMENTOS
QUANTO PASSA A VALER CADA BENEFÍCIO?
O Benefício de Renda de Cidadania é pago por integrante da família. O Primeira Infância é destinado a famílias com crianças de zero a sete anos incompletos. Já o Benefício Variável Familiar é pago por integrante que se enquadre nas situações previstas no programa, como gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes.

É PRECISO FAZER ALGUMA COISA PARA RECEBER O NOVO VALOR?
Não. Os novos valores serão aplicados automaticamente na folha de outubro. O decreto produz efeitos financeiros a partir de 1º de outubro.

POR QUE O BOLSA FAMÍLIA FOI REAJUSTADO?
Segundo o governo, a atualização recompõe a inflação acumulada desde março de 2023, quando entrou em vigor a atual versão do programa.

O Decreto nº 13.120 determina que a correção seja feita pela variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.

O QUE É O BOLSA FAMÍLIA?
O Bolsa Família, iniciativa que nasceu no Programa Fome Zero em 2003, é um programa de transferência de renda destinado a famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. Ele é pago pela Caixa Econômica Federal, mas a gestão é feita pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

QUEM TEM DIREITO?
Famílias que estão inscritas no CadÚnico e que tenham renda familiar per capita (por pessoa) igual ou inferior a R$ 218 por mês são elegíveis ao programa.

Para calcular o valor, é necessário somar os rendimentos de todas as pessoas que moram na mesma casa, sejam elas pais, cônjuges, companheiros, filhos, enteados ou irmãos e dividir pelo número de pessoas.

Não devem ser incluídos no cálculo indenizações por danos materiais ou morais, benefícios pagos pelo poder público de forma temporária e quantias recebidas em programas de transferência de renda (como o próprio Bolsa Família).

QUAIS SÃO AS REGRAS PARA RECEBER O BENEFÍCIO?
Além do valor determinado para renda, é necessário que os beneficiários atendam algumas condições nas áreas de saúde e educação, como:
- Realizar acompanhamento pré-natal, no caso de gestantes;
- Acompanhar o calendário nacional de vacinação;
- Acompanhar o estado nutricional de crianças menores de sete anos;
- Manter frequência escolar mínima de 60% para crianças de quatro e cinco anos, e de 75% para a faixa etária de seis a 18 anos incompletos que não tenham concluído a educação básica;
Ao matricular a criança na escola e ao vaciná-la no posto de saúde, a família precisa informar que é beneficiária do Bolsa Família.

Mendonça diz que esperava represálias e tentativas de intimação após levar adiante informações da PF

ANA POMPEU-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou ter esperado por represálias depois de dar andamento a informações recebidas da Polícia Federal. Relator do caso do Banco Master, no qual foi incluído um relatório sobre conversas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, o magistrado também disse não ter nada a temer.

"Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim", disse.

Mendonça também afirmou que esses ataques não o farão parar. "No entanto, nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade", disse.

Segundo o ministro, esse tipo de recurso é usado por aqueles sem condições de vencer um debate. "Conforme ensina [o filósofo alemão Arthur] Schopenhauer, dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante."

Mendonça diz ser contra abrir íntegra do celular de Vorcaro e pede que Fachin apure suposta coação na PF

LUÍSA MARTINS-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) disse neste domingo (13) ser contra a abertura da íntegra das informações do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por entender que isso pode tumultuar o julgamento de terça-feira (15).

Mendonça pediu que o presidente do Supremo, Edson Fachin, apure se delegados da PF (Polícia Federal) estão sofrendo alguma espécie de constrangimento interno ou pressão para liberar a totalidade do material.

O despacho foi assinado depois que a PF informou a Fachin que dispõe "de plenas condições técnicas" para produzir e encaminhar cópia da extração do celular de Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros que o solicitaram, observadas as cautelas de sigilo aplicáveis.

Os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin defendem o acesso integral às mídias extraídas do celular. Eles argumentam que a divulgação dos documentos sobre as investigações do Master não pode ser seletiva.

De acordo com Mendonça, entretanto, seu gabinete dispõe do mesmo material que foi disponibilizado aos demais magistrados -ou seja, ele também só tem acesso a parte dos dados, e não à íntegra, que segue sob custódia da PF.

"Este ministro dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da sessão", disse Mendonça, afirmando que a divulgação do material inteiro "colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações".

Segundo ele, a inserção de elementos adicionais, que não constam nos autos, ensejaria "questionamentos de toda a ordem" para desviar o foco do julgamento. Ele afirmou que a gravidade dos fatos "não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça".

Mendonça tratou com Castro sobre prisão de Cabral; ministro diz que atuou apenas com base nos autos

CONSTANÇA REZENDE-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Mensagens coletadas pela Polícia Federal e obtidas pela reportagem mostram conversas no WhatsApp atribuídas ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), tratando de processos de seu interesse.

Nos diálogos, trocados na noite de 11 de novembro de 2022, Castro escreve a Mendonça, às 19h37: "Amigo, preciso falar com urgência" e completa "caso Cabral" -numa referência ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Em seguida, Castro encaminha dois arquivos com pedidos de habeas corpus e alvará de soltura, objeto de julgamento do STF.

Mendonça responde à mensagem às 20h25, com a descrição de um processo da 13ª Vara Federal de Curitiba que decretou a prisão preventiva de Cabral por corrupção, no âmbito da Operação Lava Jato.

Após escrever essa mensagem, Mendonça completa: "ligo em alguns minutos". Castro, então, responde com um "ok".

Sete minutos depois, Mendonça encaminha ao ex-governador um link da página do Supremo que remete ao habeas corpus movido por Cabral. O caso estava sendo julgado na Segunda Turma da corte, da qual Mendonça faz parte.

Procurado, o gabinete de André Mendonça informou, em nota, que ele não mantém relação de amizade com Cláudio Castro e que os dois se conheceram institucionalmente, quando o ministro ocupava o cargo de ministro da Justiça.

Também afirmou que ele não guarda registro de tratativa alguma sobre o mérito do processo mencionado e que, como é de conhecimento público, "magistrados são procurados por advogados, partes e terceiros pelas mais diversas vias".

"Tais manifestações não alteram o curso do exame dos processos, que se dá exclusivamente a partir do que consta dos autos. O voto proferido no caso está publicamente disponível, é fundamentado e reflete entendimento que o ministro aplicou de forma uniforme em casos análogos", afirmou.

Já Cláudio Castro, também em nota, disse que a sua relação com Mendonça "sempre se restringiu ao âmbito institucional, em contatos voltados a assuntos de interesse público do estado".

O mandado de prisão objeto da conversa entre Castro e Mendonça havia sido expedido pelo ex-juiz Sergio Moro em 2016, quando Cabral foi preso, e mantido pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

O caso tratava da investigação sobre suposto pagamento de propina por executivos da Andrade Gutierrez ao ex-governador. Cabral havia sido condenado a 14 anos e 2 meses de prisão no caso.

De acordo com a movimentação do processo no site do STF, no dia 24 de outubro, Mendonça havia pedido vista dos autos (quando um ministro pede mais tempo para análise).

A medida aconteceu após o voto de Edson Fachin, relator do caso, que negou o recurso de Cabral. No dia 28 de novembro de 2022, portanto 17 dias após a interação de Mendonça com Castro, o ministro devolveu o processo para julgamento. Em 9 de dezembro, ele votou pela soltura de Cabral.

Na ocasião, Mendonça afirmou haver excesso de prazo na detenção do ex-governador, configurando um ilegal "cumprimento antecipado de pena".

"O que há, a essa altura, é a presunção de que o agravante seguirá a cometer crimes, o que não é admitido pela jurisprudência desta corte", escreveu ele, em seu voto.

Em 16 de dezembro, com um placar de 3 votos a 2, o STF decidiu revogar a prisão de Cabral, que estava preso preventivamente havia seis anos.

Cabral foi para prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

Mendonça não é investigado. Os diálogos interceptados pela PF e vistos pela reportagem foram obtidos pela Operação Sem Refino, da qual Castro foi alvo no último dia 14, em pedido autorizado pelo ministro relator do caso, Alexandre de Moraes.

Moraes retirou o sigilo da operação, mas essas mensagens seguem sob reserva.

A ação aponta suspeitas sobre a atuação da Secretaria de Meio Ambiente do Rio para que fossem concedidas licenças à atividade da refinaria Refit.

As mensagens não deixam claro o interesse de Castro na soltura de Cabral. Os dois não tinham uma conexão política direta.

PRAZO DE OPERAÇÃO CRITICADO
A Polícia Federal criticou, no relatório interno usado por Moraes para contra-atacar o seu colega de tribunal, a diferença do tempo da autorização entre as operações que estão no gabinete de Mendonça relacionadas ao senador governista Jaques Wagner (PT-BA) e Cláudio Castro.

De acordo com a PF, enquanto a análise por pedidos de busca contra Wagner levou nove dias, contra o ex-governador Cláudio Castro, o prazo foi de 74 dias. Castro foi alvo de operação sobre aplicações de mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do estado, no Banco Master.

Policiais relataram que Castro e assessores, na véspera da operação, foram vistos saindo com caixas de um dos endereços vinculados ao ex-governador, tendo como suposto destino uma outra residência, em Petrópolis.

Por isso, em 30 de maio, a PF encaminhou uma nova representação a Mendonça pedindo buscas nesse novo endereço, o que foi negado pelo ministro no dia 15 de julho. Apenas em 14 de agosto, foram autorizadas por Mendonça as buscas no local.

MENDONÇA NEGA AMIZADE
O gabinete de Mendonça afirmou que a atuação do ministro nos casos envolvendo Castro é pública e verificável e que, em 26 de maio, autorizou, a pedido da Polícia Federal os mandados de busca e apreensão cumpridos na residência do ex-governador na oitava fase da Operação Compliance Zero, que trata do Master.

"No Tribunal Superior Eleitoral, reconheceu a ocorrência de abuso de poder com impacto na normalidade e na legitimidade das eleições de 2022 no estado do Rio de Janeiro e consignou que a cassação seria cabível, restando prejudicada a pena diante da renúncia ao mandato", afirmou.

Por fim, disse que "as decisões do ministro se baseiam exclusivamente nos elementos de prova constantes dos autos e no direito aplicável".

Cláudio Castro afirmou que discutia a possibilidade de soltura de Cabral "por sua relevância para o estado, assim como fazia com outras situações sensíveis de interesse público".

"[Castro] Afirma, de forma categórica, que jamais fez qualquer pedido relacionado a processos judiciais ao ministro André Mendonça ou a qualquer outro integrante do STF", declarou.

Além disso, afirmou que expressões como "amigo", "parceiro" e "irmão" "são formas de tratamento usuais no meio político e não indicam, por si só, vínculo de amizade, intimidade ou convivência pessoal". "O emprego desse tipo de expressão não altera a natureza estritamente institucional da relação com o ministro", completou.

Delação homologada por Mendonça envolve operador de Vorcaro que fez repasses ao 'Dark Horse'

ANA POMPEU E GABRIELA ECHENIQUE-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), homologou nesta quarta-feira (9) a proposta de delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, empresário que era um dos responsáveis por fazer remessas financeiras e por conseguir dinheiro vivo (muitas vezes entregue em malas, devido ao volume) para Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Entre as remessas financeiras feitas por Mineiro estão recursos destinados ao fundo dos Estados Unidos usado para financiar o "Dark Horse", filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Esse fundo, chamado Havengate Development Fund, é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. As autoridades suspeitam que parte pode ter sido destinada a Eduardo.

Pessoas com conhecimento da colaboração afirmaram à reportagem que Mineiro se apresenta no material como um operador financeiro de Vorcaro.

Dono de uma série de empresas, ele tinha uma relação antiga com Vorcaro e participava conjuntamente de negócios do ex-banqueiro. Em determinado momento, relatou o empresário às autoridades, Vorcaro passou a solicitar que ele fizesse operações "não ortodoxas", como remessas sem lastro e obtenção de dinheiro vivo.

A investigação da Polícia Federal sobre o caso já apontava que a empresa de Mineiro que fez a remessa ao Havengate, a Entre Investimentos e Participações, funcionava como um braço operacional de Vorcaro, ajudando no repasse de recursos definidos pelo banqueiro.

Essa colaboração é vista na PF como um caminho para saber em quais momentos Vorcaro precisou de dinheiro vivo para supostas atividades ilícitas ou quando foram feitos esses pagamentos.

Procurada desde a semana passada, a defesa de Antônio Carlos Freixo Júnior não se manifestou sobre a delação e a de Daniel Vorcaro disse que não havia tido acesso à proposta e que desconhecia o tema.

Com a decisão de Mendonça, as informações prestadas pelo delator podem ser usadas no processo que apura repasses ao filme. Nesta terça-feira (8), o empresário passou por uma audiência com um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça e disse que a delação foi voluntária.

O financiamento do "Dark Horse" por Vorcaro é um dos fatores de desgaste do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que chegou a negociar R$ 134 milhões com o banqueiro para o filme. Desse montante, foram repassadas parcelas correspondentes a pelo menos R$ 63,7 milhões.

Na atual campanha eleitoral, Flávio tem se negado a prestar contas sobre a produção, dizendo que o caso está esclarecido e que cabe à produtora dar eventuais outras explicações.

Essa é a segunda delação fechada no caso do Banco Master pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A primeira foi com o ex-dono da gestora de fundos Reag, o empresário João Carlos Mansur. O material também foi encaminhado a Mendonça.

Mineiro tinha uma relação antiga com Vorcaro e participava conjuntamente de negócios do ex-banqueiro. Em determinado momento, segundo relatou o empresário às autoridades, Vorcaro passou a pedir que ele fizesse operações "não ortodoxas", como remessas sem lastro e obtenção de dinheiro vivo.

Como é de difícil rastreamento pelas autoridades, muitas vezes o dinheiro em espécie pode ser usado para atividades irregulares.

Segundo a investigação, Vorcaro transferia para as empresas de Mineiro bens ou dinheiro e o empresário procurava outros operadores que conseguissem disponibilizar dinheiro vivo. Essas pessoas cobravam 4% e entregavam as notas. Mineiro, então, colocava as notas em mala e entregava ao ex-banqueiro.

O empresário relatou que não sabia a destinação final que Vorcaro dava a esse dinheiro. Pessoas com conhecimento do material afirmam que ele não sabe se os recursos enviados para os EUA financiaram Eduardo Bolsonaro ou outro aliado de Jair Bolsonaro.

Relembre cronologia da crise entre André Mendonça, ministro do STF e a Polícia Federal

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o afastamento do diretor-geral da PF (Polícia Federal) Andrei Rodrigues nesta terça-feira (8). A Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Rodrigues do comando da PF, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

A decisão de Mendonça é mais um capítulo da crise que opõe o ministro do STF à cúpula da PF e se intensificou após a abertura das investigações sobre as relações do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pelo escândalo do Banco Master.

Segundo relatórios de inteligência da PF, Mendonça teria afirmado que o diretor-geral do órgão mantinha proximidade "inadequada" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A desconfiança da atuação de Andrei Rodrigues para conduzir determinadas investigações.

VEJA ABAIXO UMA CRONOLOGIA DA CRISE
MENDONÇA FRAGMENTA APURAÇÕES DE GRANDE PORTE NA PF
Em abril, Mendonça determinou que os delegados da PF que não integrassem diretamente as equipes responsáveis pelos inquéritos não tivessem acesso às investigações. A restrição atingiu a cúpula da própria PF e superiores hierárquicos dos investigadores.

A justificativa era evitar interferências e vazamentos na investigação. O magistrado atribuiu a estratégia a sua experiência no comando de setores que lidavam com informações sensíveis, como quando esteve à frente do Ministério da Justiça e da AGU (Advocacia-Geral da União) do governo Jair Bolsonaro (PL).

PF PEDE MAIS PRAZO À INVESTIGAÇÃO QUE CITA LULINHA
O ministro já demonstrava insatisfação com a condução de inquéritos pela Polícia Federal, como a investigação da operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.

Em junho, o magistrado determinou que polícia concluísse, em até 60 dias, avaliação de itens apreendidos dos presos da operação e daqueles que foram alvos de medidas restritivas. A PF alegou falta de servidores e pediu mais prazo para a investigação. Segundo o órgão, são 11 agentes atuando no caso, enquanto seriam necessários mais de 40.

A etapa incluía a avaliação sobre a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), autorizada pelo ministro ainda em fevereiro.

MENDONÇA É ALVO DE CRÍTICAS NA RELATORIA DO CASO MASTER
A atuação de Mendonça à frente da relatoria do caso Master também passou a ser alvo de críticas de colegas do tribunal. Gilmar Mendes o acusou de ter interferido indevidamente em negociações de delação de Vorcaro, em acordos que haviam sido rejeitados pela PF e pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

"O direcionamento de uma delação premiada para atingir alvos políticos predeterminados não somente macula a voluntariedade do pretenso acordo como descredibiliza por completo qualquer produto que resulte da suposta colaboração", disse Gilmar.

O ministro comparou a atuação de Mendonça à Operação Lava Jato, marcada por questionamentos sobre a atuação das autoridades responsáveis.

MENDONÇA RETIRA SIGILO E GONET ANULA RELATÓRIO DA PF
Na última terça-feira (1º), a crise entre os ministros do STF envolvendo o caso Master escalou, após Mendonça retirar o sigilo do relatório da PF que revelou o contato entre Daniel Vorcaro e uma pessoa apontada como sendo o ministro Alexandre de Moraes.

A troca de mensagens mostrava que o banqueiro perguntou a Moraes se deveria deixar o país, dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025. Mostram ainda que o ministro fez edições num contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e que os dois se encontraram pelo menos seis vezes desde 2024.

Horas depois, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da PF. Segundo ele, Mendonça "se valeu da polícia" para "impor a investigação" de Moraes, exercendo "atividades que não lhe foram assinaladas".

MORAES USA DOCUMENTO INTERNO DA PF PARA PEDIR INVESTIGAÇÃO CONTRA MENDONÇA
Em resposta, o ministro Alexandre de Moraes pediu que André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS. O despacho foi assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, na última quinta-feira (3).

Para sustentar as acusações, Moraes utilizou um relatório interno da Polícia Federal que faz não tem valor probatório e não pode ser usado em nenhum procedimento. A PF analisa informações que muitas vezes são tratadas com grau de confiança "baixo" ou "moderado", mas que Moraes usa sem fazer essa discriminação em sua decisão.

Um desses casos é o de que Mendonça estaria direcionando as investigações contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado.

MINISTRO OUVIU VORCARO SEM A PRESENÇA DA PF
Após a escalada da crise do STF, o ministro André Mendonça confirmou que houve um recente depoimento de Daniel Vorcaro com presença do Ministério Público e sem a PF.

De acordo com nota publicada pela assessoria de imprensa, não foram abordados temas relacionados a seu colega de corte. "O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", afirmou Mendonça em nota.

Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da PF
Nesta terça, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.

O que motivou o afastamento, segundo a decisão, foi a produção de um relatório interno da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para pedir uma investigação contra o próprio Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Mendonça determina afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF

LUÍSA MARTINS, JOSÉ MARQUES E JOÃO GABRIEL-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.

Na mesma decisão, Mendonça também afastou preventivamente o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

O que motivou o afastamento, segundo a decisão desta terça, foi a produção de um relatório interno da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para pedir uma investigação contra o próprio Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A decisão foi enviada para a segunda turma do STF. O ministro Gilmar Mendes pediu vistas do julgamento, mas Luis Fux e Nunes Marques anteciparam seus votos e formaram maioria pelo afastamento de Andrei.

Na decisão desta terça, Mendonça usa termos como surreal e inimaginável para descrever o material produzido pela Polícia Federal que baseou o pedido de Moraes e até ironiza seu teor, ao usar aspas quando o classifica como documento.

O ministro do Supremo diz que o relatório revela que não só ele, como também o chefe da AGU (Advocacia Geral da União) foram alvo de monitoramento pela PF, por pelo menos 30 dias, ainda neste ano.

Na decisão, Mendonça vê "superlativa gravidade e ilicitude na produção dos 'relatórios de inteligência' publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes" e afirma que isso "impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas".

Andrei recebeu a notícia da decisão antes de discursar em um evento de início de curso de agentes da Polícia Federal. No auditório da Academia Nacional de Polícia, em Brasília, 735 alunos aguardavam sentados havia cerca de 40 minutos um representante da chefia da PF se posicionar sobre o ocorrido.

Alexandre de Moraes e André Mendonça são os dois pivôs do que se tornou a maior crise institucional da história recente do STF.

O estopim foram as mensagens, reveladas pelo Estadão e às quais a Folha também teve acesso, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para Moraes.

Às vésperas de ser preso pela Polícia Federal, o dono do Master pediu ao ministro informações sobre a investigação contra ele mesmo, marcou encontros entre os dois e inclusive perguntou se deveria fugir do país.

O relatório contra Moraes foi produzido pela PF, mas a pedido de Mendonça. O material também registra pedidos para que fossem acionados Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Moraes contra-atacou e, também com base em um documento da polícia, pediu que seu colega fosse investigado por abuso de autoridade.

Este relatório, porém, é classificado pela própria PF como "sem valor probatório" e ainda traz queixas contra Jorge Messias, advogado-geral da União.

Edson Fachin, presidente do STF, determinou na última semana que Mendonça, Moraes, Gonet e Andrei prestem informações sobre os diálogos com Vorcaro.

Na decisão desta terça, Mendonça afirma que houve "monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação".

De acordo com o ministro, o documento apócrifo menciona a aprovação de medidas de "monitoramento e coleta dirigida" contra ambos e alega que existe proximidade entre os dois, por exemplo, por eles frequentarem as mesmas igrejas.

A PF, segundo Mendonça, chega a ponto de afirmar que essa relação entre eles pode prejudicar os interesses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vez que seu filho é alvo das apurações acerca das fraudes do INSS.

"Quanto ao ponto, o 'documento' traz avaliação de que 'a escolha do Advogado-Geral da União por priorizar seu relacionamento com o relator [Mendonça], em detrimento da redução dos riscos de exploração política do caso envolvendo o filho do Presidente da República, eleva substancialmente a percepção de risco associada a eventual renovação de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal neste momento'", afirma o magistrado em sua decisão.

Mendonça também afirma que o documento da PF revelou informações sobre sigilo.

"É inimaginável conceber que, diante do teor do material revelado, podem estar sendo produzidos 'relatórios' no âmbito da Diretoria de Inteligência Policial da PF (DIP) com considerações das mais variadas ordens sobre o teor de decisões judiciais proferidas por magistrado(a)s devidamente investidos no cargo", continua o ministro.

Mendonça ainda compara o "quadro apresentado" com o livro "1984", famoso romance distópico de George Orwell no qual ele cria a figura do "Grande Irmão", líder totalitário que conduz um governo de vigilância ostensiva da população.

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