Sequência de tempestades deixa Portugal em estado de calamidade pública

Autoridades declararam estado de calamidade devido a fortes tempestades que já causaram 13 mortos, centenas de desalojados e elevados prejuízos; especialistas descrevem o fenómeno como um “comboio de tempestades”

Sequência de tempestades deixa Portugal em estado de calamidade pública
Sequência de tempestades deixa Portugal em estado de calamidade pública

Agência Onu News - 08/02/2026 09:47:03 | Foto: Ministério de Defesa Nacional de Portugal

Portugal encontra-se em estado de calamidade devido a dias consecutivos de mau tempo severo, num fenómeno que os meteorologistas descrevem como um “comboio de tempestades”.

A sucessão de depressões atlânticas tem provocado chuva intensa, vento forte e inundações em várias regiões do país, com consequências graves.

Kristin e Leonardo provocam fortes estragos
Há registo de treze vítimas mortais, centenas de pessoas desalojadas, milhares de ocorrências registadas pela Proteção Civil, danos significativos em infraestruturas e perturbações na vida política e social.

A primeira grande tempestade, a Kristin, atravessou o território português no final de janeiro, deixando um rasto de destruição.

Ventos fortes acima dos 200 km/h e precipitação persistente provocaram quedas de árvores, estradas cortadas, casas danificadas e longos cortes no fornecimento de eletricidade. As regiões de Leiria e do oeste foram as mais afetadas.

Quando o país ainda tentava recuperar, chegou a depressão Leonardo, prolongando a instabilidade meteorológica. A nova tempestade causou fortes inundações, sobretudo em zonas urbanas e ribeirinhas e a Proteção Civil registou centenas de ocorrências em poucas horas.

Comboio de tempestades
Agora, segue-se a depressão Marta que deve atingir o país este sábado, 7 de fevereiro. A tempestade está inserida na vasta região depressionária que se formou no Atlântico norte, uma espécie de corredor por onde está a passar este comboio de tempestades em direção à Península Ibérica.

Em entrevista à ONU News, a meteorologista Maria João Fraga explica o conceito. “Um comboio de tempestades é uma sucessão contínua de depressões que vão passando sucessivamente, umas atrás das outras, e vão circulando sempre no mesmo trajeto de oeste para leste”.

“Nunca vi algo tão devastador”
O impacto tem sido severo em Portugal, mas também em Espanha e outros países europeus devido a um fluxo polar muito a sul e ao facto do anticiclone dos Açores estar fora da sua localização habitual e bastante enfraquecido.

Apesar do fenómeno ser esperado no Inverno, Maria João Fraga, meteorologista há 30 anos, destaca a severidade da depressão Kristin. “Desde que sou meteorologista, nunca vi [algo] tão devastador, talvez esta tenha sido a mais agressiva”, destaca a especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Ipma.

OMM aponta impacto a nível europeu
Segundo o Deutscher Wetterdienst, um dos centros regionais de monitorização climática da Organização Meteorológica Mundial, OMM, na Europa, as próximas semanas poderão continuar a ser marcadas por precipitação acima da média.

A situação será observada em partes da Groenlândia, da Europa Ocidental e do Mediterrâneo, com acumulados semanais entre 25 e 100 milímetros, podendo ultrapassar esse valor em locais mais expostos.

A instituição alerta ainda para a possibilidade de nova incursão de ar frio de origem ártica, sobretudo no norte e nordeste da Europa, afetando países como a Noruega, Suécia, Finlândia e regiões do Báltico.

Estado de calamidade até 15 de fevereiro
Portugal encontra-se em estado de calamidade até 15 de fevereiro e, ao longo destes dias, todos os distritos do continente português têm estado sob avisos meteorológicos.

As autoridades apelam repetidamente à população para evitar deslocações desnecessárias e comportamentos de risco.

Bombeiros, forças de segurança e serviços municipais continuam mobilizadas no terreno, respondendo a emergências, assistindo populações isoladas e tentando repor serviços essenciais.

Adiadas eleições presidenciais
O impacto do mau tempo estendeu-se também à esfera política. Em algumas zonas severamente afetadas, foi adiado o ato eleitoral para as eleições presidenciais, devido às dificuldades logísticas e de segurança.

Ainda assim, quase todo o país vai manter a segunda volta para escolher o novo presidente português para este domingo, 8 de fevereiro, com exceção de alguns municípios afetados.

*Sara de Melo Rocha é correspondente da ONU News em Lisboa.

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