Toffoli se defende no caso Master pela 1ª vez e diz que decidirá se processo sai do STF após investigações

Toffoli manda PGR opinar se inquérito sobre influenciadores contra BC vai para 1ª instância

Toffoli se defende no caso Master pela 1ª vez e diz que decidirá se processo sai do STF após investigações
Toffoli se defende no caso Master pela 1ª vez e diz que decidirá se processo sai do STF após investigações

Luísa Martins E José Marques-brasília, Df (folhapress) - 29/01/2026 16:33:30 | Foto: Andressa Anholete/STF

O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), defendeu publicamente pela primeira vez nesta quinta-feira (29) sua atuação como relator do caso do Banco Master e disse que, ao final das investigações, decidirá se o caso irá ou não para a 1ª instância.

"Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal", afirmou Toffoli, em nota que rememora toda a sua atuação no caso Master.

No comunicado, o ministro afirmou que todos os pedidos para anular as investigações formuladas pelos investigados foram rejeitadas. Também disse que negou um pedido de acordo sugerido pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do banco.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, os advogados do ex-banqueiro queriam colocar frente a frente, numa mesa de conciliação, representantes do Banco Central, do Ministério Público Federal, do Tribunal de Contas da União e da Fictor Holding Financeira -que apresentou proposta para comprar o Master na véspera da liquidação do banco.

Também afirmou que, em paralelo com a Compliance Zero, que prendeu Vorcaro em novembro passado, outras operações cujos autos tinham sido encaminhados ao STF já foram devolvidas à primeira instância.

Um dos casos é o que tornou réu o empresário Nelson Tanure sob acusação de uso de informações privilegiadas na construtora Gafisa. Tanure tentava vincular o caso ao Banco Master, pois a procuradoria apontava o banco como um braço financeiro e operacional do empresário. Sua defesa nega irregularidades.

O outro caso é o do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro, cujo presidente foi alvo de uma operação para apurar suspeitas de operações financeiras irregulares relacionadas ao Master.

"Em todos os âmbitos, as investigações continuam a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos, mantidos os sigilos necessários em razão das diligências ainda em andamento", disse o ministro em sua nota.

Toffoli manda PGR opinar se inquérito sobre influenciadores contra BC vai para 1ª instância

JOSÉ MARQUES - LUÍSA MARTINS-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu encaminhar para manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) a investigação sobre a rede de influenciadores que teria sido usada pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para descredibilizar o Banco Central.

A PGR irá opinar se as apurações devem continuar sob supervisão do Supremo ou se elas devem ser enviadas para a primeira instância do Judiciário. Depois dessa manifestação, Toffoli decidirá sobre o prosseguimento da investigação.

A Polícia Federal identificou aproximadamente 40 perfis que teriam sido contratados por Vorcaro para integrar o "Projeto DV", referência às iniciais do empresário.

O recrutamento dos perfis em redes sociais que fizeram um bombardeio digital contra Banco Central e investigadores no caso Master envolveu um contrato de confidencialidade de R$ 800 mil.

A equipe responsável pela articulação das publicações enviou mensagens a influenciadores em meados de dezembro.

Internamente, agentes da PF que acompanham o caso já chamam o esquema de "gabinete do ódio" de Vorcaro, em alusão à rede de influenciadores digitais de direita que era utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro para espalhar fake news sobre o sistema eleitoral e sobre adversários políticos do ex-presidente.

Ao Supremo, a defesa de Vorcaro rejeitou qualquer envolvimento com os perfis. Os advogados disseram que o ex-banqueiro "nega veementemente qualquer envolvimento ou conhecimento sobre qualquer prática de difamação ou disseminação de fake news em face do Banco Central".

"[Vorcaro] cumpre rigorosamente as medidas cautelares que lhe foram impostas -embora entenda sua defesa que são desnecessárias e injustas- inclusive colaborando ativamente com as investigações em andamento, tendo respondido todas as indagações que lhe foram dirigidas em oitiva e acareação realizadas perante esta Suprema Corte no dia 30 de dezembro de 2025", disseram.

A informação sobre os contratos de influenciadores foi antecipada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. "Ofereceram valores expressivos", disse o influenciador Rony de Assis Gabriel (PL-RS), que também é vereador por Erechim, a 370 quilômetros da capital gaúcha. Ele foi procurado, em 20 de dezembro, pelo marketeiro André Salvador, que disse estar com um trabalho de "gerenciamento de reputação e gestão de crise de um executivo grande".

Salvador contatou, em 21 de dezembro, o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP). Na ocasião, o profissional de comunicação se apresentou como funcionário da agência Mithi, de Thiago Miranda, um dos sócios do Grupo Léo Dias. Ambos os parlamentares recusaram as propostas, de acordo com gravações de tela vistas pela reportagem.

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