Fachin diz que ministros são perseguidos por seu ofício em tempos de 'erosão democrática'

A investigação sobre as fraudes financeiras do Banco Master tem colocado o ministro Dias Toffoli, relator do caso, sob pressão

Fachin diz que ministros são perseguidos por seu ofício em tempos de 'erosão democrática'
Fachin diz que ministros são perseguidos por seu ofício em tempos de 'erosão democrática'

Luísa Martins-brasília, Df (folhapress) - 26/01/2026 18:09:29 | Foto: © FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, disse nesta segunda-feira (26) que a perseguição a ministros pelo exercício do seu trabalho é um dos fatores da "modalidade silenciosa" do autoritarismo.

Em meio à crise de imagem do STF devido aos desdobramentos do caso Master, o ministro viajou à Costa Rica e discursou na solenidade de posse do juiz brasileiro Rodrigo Mudrovitsch como presidente da CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos).

Fachin afirmou que nem sempre o autoritarismo se apresenta "com a fase ruidosa da ruptura aberta", pois existe o conceito de "erosão democrática" -que, de forma insidiosa, "corrói as instituições por dentro".

"São tempos em que a estrutura de freios e contrapesos é tensionada até quase à exaustão; em que a liberdade de imprensa é hostilizada; em que magistrados e magistradas são perseguidos por seu ofício", disse o presidente da corte.

A investigação sobre as fraudes financeiras do Banco Master tem colocado o ministro Dias Toffoli, relator do caso, sob pressão. Negócios familiares associam os irmãos do magistrado a um fundo de investimentos ligado ao banco, como revelou a Folha de S. Paulo. Mesmo assim, ele descarta se declarar suspeito.

Outros aspectos da chamada erosão democrática incluem, segundo ele, discursos de ódio contra mulheres, imigrantes e minorias éticas e religiosas; devastação ambiental e ocasiões em que "a desigualdade se reverte em humilhação".

"Vivemos no mundo uma era de incertezas. Há uma crise da democracia liberal. (...) A democracia não cumpriu todas as suas promessas -sobretudo a de igualdade material- e é desse vácuo que se nutrem populismos autoritários que pretendem miná-la por dentro."
Fachin destacou que os tempos são "desafiadores para o Estado democrático de Direito" e lembrou os três anos dos atos do 8 de Janeiro para afirmar que "a democracia requer memória, não para despertar ressentimentos, mas para prevenir recaídas".

Com o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria prestes a voltar ao debate no Congresso Nacional, Fachin disse que a resposta dos Poderes foi "firme, conjunta e inegociável", com responsabilização dos envolvidos e ampla defesa.

"Até que sejamos capazes de demonstrar que a democracia pode oferecer dignidade e bem-estar ao menos favorecidos, impõe-se defendê-la contra os seus detratores. Tolerar a intolerância é sepultar a própria tolerância", afirmou.

"Não sejamos ingênuos. Democracia não é neutra diante de quem a pretende destruir", continuou o ministro. Segundo ele, a democracia não oferece certezas, mas dá possibilidades que "movem os espíritos livres" na evolução do processo social e político.

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