Dois investigados faltam a depoimentos sobre Master e comunicam ausências pelas defesas
José Marques-brasília, Df (folhapress) - 26/01/2026 16:30:08 | Foto: © MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse nesta segunda-feira (26) que o inquérito sobre suspeitas relacionadas ao Banco Master tramita sob "absoluta regularidade" com Dias Toffoli, apesar dos questionamentos a respeito da atuação do ministro e de conflitos com a própria Polícia Federal.
Andrei foi questionado por jornalistas sobre o tema em evento de solenidade de abertura do curso de formação de agentes da PF, no Teatro de Arena, em Brasília.
O diretor-geral disse que não entraria em detalhes operacionais sobre operações em andamento, mas afirmou que o processo é regular. No mesmo evento, estava o ex-ministro da Justiça e ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski.
"O ministro Lewandowski comentou na sua aula magna sobre o papel do juiz em todos os casos e esse é mais um deles, em absoluta regularidade, que nós seguimos instruindo conforme as determinações dos magistrados", disse Andrei.
Em sua fala, o diretor também destacou o papel da Polícia Federal como instituição de Estado, e disse que sua autonomia "tem sido garantida desde o primeiro dia da nossa gestão pelo governo federal".
Desde o início, Toffoli tem tentado acelerar procedimentos da investigação do caso Master, enquanto mantém controle completo sobre os seus rumos, o que já causou atritos com a PF.
Uma acareação que ocorreu em 30 de dezembro entre Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa, por exemplo, foi marcada antes de serem tomados os depoimentos dos investigados.
Toffoli acabou definindo que os dois fossem ouvidos pela delegada do caso nas horas que antecederam a acareação. Ele também determinou que ela fizesse ao banqueiro mais de 80 perguntas elaboradas pelo seu próprio gabinete.
Nas últimas semanas, Toffoli também decidiu que a PF, que pretendia tomar outros depoimentos do inquérito nas semanas entre o final de janeiro e o início de fevereiro, resumisse esse procedimento a dois dias. O cronograma ficou definido para esta segunda (26) e terça (27).
Além disso, o ministro definiu, por conta própria, os peritos que vão analisar as provas obtidas na última fase da Compliance Zero, o que fez a própria PF pedir ajuda ao governo para questionar a decisão. A associação de delegados da corporação disse que as decisões do ministro são uma "afronta às prerrogativas" da categoria.
Dois investigados faltam a depoimentos sobre Master e comunicam ausências pelas defesas
JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Dois dos quatro investigados no caso do Banco Master que seriam ouvidos nesta segunda-feira (26) não prestarão depoimento à Polícia Federal, e suas ausências foram comunicadas às autoridades por videoconferência.
A defesa de um deles, o diretor da consultoria Tirreno e ex-funcionário do Master André Felipe de Oliveira Seixas Maia, pediu para que a audiência fosse marcada para outra data, depois que tivesse acesso aos autos.
Também não presta depoimento o outro dono da consultoria, Henrique Souza e Silva Peretto. Os depoimentos acontecem em sessões fechadas na sede do STF (Supremo Tribunal Federal), e as ausências foram confirmadas pela reportagem com pessoas que acompanham as apurações.
A Tirreno é uma empresa que as investigações apontam ser de fachada e que foi usada na tentativa de venda do Master ao BRB (Banco de Brasília).
O Master é suspeito de ter fraudado carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões vendidas ao BRB, que foram adquiridas da Tirreno e teriam origem em operações de empréstimo consignado firmadas por meio de associações de servidores públicos da Bahia.
Investigações do Banco Central, do MPF (Ministério Público Federal) e da PF apontaram indícios de que os créditos haviam sido forjados e foram utilizados para inflar o balanço do banco de Vorcaro, que repassou a carteira ao BRB num momento em que a instituição enfrentava dificuldades de liquidez.
O Master adquiriu créditos de dívidas da Tirreno "sem realizar qualquer pagamento", segundo as investigações, e os revendeu ao BRB.
Maia e Peretto são dois dos quatro investigados que seriam ouvidos nesta segunda pela PF na sede do Supremo, de forma presencial ou por vídeo.
Peretto foi responsável por aumentar o capital social da Tirreno, que saiu de R$ 100 para R$ 30 milhões. Para a PF, esse aumento é incompatível com a operação regular da Tirreno e foi feito para dar uma falsa aparência de capacidade econômica e ocultar sua finalidade como empresa de fachada.
Procurada, a defesa de André Felipe afirmou que está sem acesso aos autos e, dessa forma, não há como prestar esclarecimentos. Anteriormente, ele disse que ainda não tinha tido acesso aos autos. Os advogados de Peretto não foram localizados.
Pela manhã, foi ouvido presencialmente pela PF o ex-diretor financeiro do BRB Dario Oswaldo Garcia Júnior.
Ele é investigado junto com o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa por suspeita de gestão fraudulenta e associação criminosa, pela tentativa de salvamento do Banco Master.
Segundo as investigações, sua atuação teria viabilizado aportes do banco público para socorrer o Master em sua crise de liquidez. Ele era responsável por garantir que as informações enviadas ao Banco Central estivessem em conformidade com as normas legais.
Dario foi ouvido pela PF e respondeu todas as perguntas feitas pelos investigadores.
Ainda nesta tarde, a partir das 16h, será ouvido Alberto Felix de Oliveira Neto, que foi diretor do Master. Ele foi signatário do contrato de parceria entre o banco e a Tirreno, além de outros contratos sob investigação. Ele é investigado sob suspeita de diversos crimes contra o sistema financeiro nacional.
Estavam previstos oito depoimentos nesta segunda e terça-feira (27).
A expectativa era a de que mais pessoas fossem ouvidas pela PF, que havia intimado, inclusive, o dono do banco, Daniel Vorcaro, para novo depoimento. Porém, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli determinou a redução do prazo para oitivas, de seis dias para dois dias, e a PF apresentou um novo cronograma sem o ex-banqueiro.
Em 30 de dezembro, Vorcaro foi ouvido no mesmo no STF, além do ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
Em seguida, Vorcaro e Costa, do BRB, participaram de uma acareação, que tratou de divergências sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes, segundo os investigadores, do Master para o BRB.
Em declarações públicas, as defesas dos investigados têm negado que cometeram irregularidades.
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