Empresários discutem novo manifesto para pressionar STF após mensagens de Vorcaro e Moraes
Catia Seabra-brasília, Df (folhapress) - 04/09/2026 10:53:03 | Foto: O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Marcelo Camargo/Agência Brasil
CATIA SEABRA-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) avalia a possibilidade de indicar o nome do governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, para o STF (Supremo Tribunal Federal), no lugar do ministro Jorge Messias, na tentativa de debelar a crise que hoje assola a corte.
Apoiadores da ideia argumentam que a indicação de Couto seria uma demonstração de respeito institucional por parte de Lula, uma vez que, temporariamente, ele abriria a mão da indicação do ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União) em prol da pacificação do Judiciário.
Para dimensionar a magnitude do gesto, esses petistas lembram que o governador do RJ não compõe o círculo de amizades do presidente, enquanto Messias é um aliado leal.
Mas a escolha de Couto poderia se converter em capital político no terceiro maior colégio eleitoral do país. Após quatro meses de gestão, o governador interino tem o seu trabalho aprovado por 47% dos eleitores fluminenses e reprovado por 31% de acordo com a mais recente pesquisa Datafolha.
Ainda segundo auxiliares do presidente, o nome de Couto vinha sendo cogitado há cerca de dois meses e voltou à mesa após a eclosão de novo confronto entre ministros. A informação sobre eventual indicação do governador em exercício ao STF foi publicada inicialmente pela CNN e confirmada pela Folha de S.Paulo.
Lula tem elogiado, publicamente, a atuação do desembargador como interventor no estado. No mês passado, durante ato em Bangu, o presidente chegou a falar que o magistrado está fazendo uma limpa do Rio.
O petista disse que, caso chegue ao Palácio Guanabara, Eduardo Paes (PSD) terá de continuar a "limpeza" realizada por Couto. O desembargador assumiu o Executivo em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL), e determinou revisão em contratos e exonerações.
Apesar dos elogios, a retirada de Messias significaria amarga derrota para o presidente, que declarou a intenção de reapresentar seu nome para a vaga após rejeição no Senado. Por isso, entre aliados de Lula, há quem defenda que essa desistência seja acompanhada da demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na avaliação de uma ala do governo, embora conte com a confiança do presidente, Andrei está perdendo as condições de liderar a corporação, que segundo esses aliados do presidente está contaminada pelo bolsonarismo. O alinhamento do diretor-geral com uma ala do STF -integrada pelos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes- também tem sido alvo de críticas no Palácio do Planalto.
Na terça-feira (1º), essa afinidade foi evidenciada quando Gilmar procurou Lula para cobrar apoio do governo à cúpula da PF. A cobrança se deu em meio a uma queda de braço entre Andrei e o ministro André Mendonça, do STF, sobre a condução das investigações do Banco Master. O caso ganhou novos contornos após Mendonça determinar a elaboração pela PF de um relatório que expôs trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo relatos, na conversa com Lula, o decano do STF afirmou que existe uma disfuncionalidade nas relações entre PF e a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça, este chefiado por Wellington César Lima e Silva.
Integrantes da cúpula da Polícia Federal dizem ver omissão da AGU (Advocacia-Geral da União) nos atritos entre a corporação e Mendonça. O órgão comandado por Jorge Messias, por sua vez, tem apontado que a PF propõe medidas que poderiam resultar na anulação de investigações sobre o Banco Master.
A troca de acusações é o último capítulo da disputa que escalou entre a AGU e a PF nos últimos meses. O embate começou quando a Polícia Federal passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para tentar reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre os inquéritos dos quais ele era relator.
Com aval de Lula, a AGU, responsável por representar juridicamente a União, tem se manifestado de forma contrária a esse tipo de demanda.
Como essa é apontada como uma atribuição do Ministério Público, o presidente poderia ser acusado de tentativa de interferência em outro poder se a AGU atuasse no caso. Prevalece o argumento de que o governo não pode ser arrastado para uma crise que não é sua.
Messias já tentou articular uma solução consensual para o conflito e marcou em agosto uma reunião entre Mendonça e o ministro Wellington Lima e Silva. Andrei Rodrigues não esteve no encontro.
Segundo aliados do presidente, a estratégia dessa ala do STF tem sido articulada em reuniões e cafés que contam com a participação do diretor-geral da PF. Sua presença numa articulação que inclui críticas a ministros de Lula tem sido encarada como um incentivo à crise no tribunal.
Na opinião de colaboradores de Lula, para dar um freio de arrumação, Lula seria obrigado a sacrificar dois aliados, hoje em lados opostos da contenda: Messias e Andrei.
Lula tentou se distanciar da crise, mais uma vez sob argumento de que não deve interferir em outro poder. Mas acabou se manifestando após conversas com o presidente do STF, Edson Fachin, e Gilmar Mendes.
A rixa entre ministros do STF se agravou após a rejeição do nome de Messias para o tribunal, em uma articulação atribuída, dentre outros, ao triunvirato composto por Gilmar, Moraes e Flávio Dino.
Incomodado com o que descrevia como uma usurpação da caneta presidencial, Lula reivindicou seu direito de indicar o ocupante da cadeira deixada por Luís Roberto Barroso.
Nas conversas, ele ressaltava ainda o preparo técnico do advogado-geral da União, que contava com o apoio explícito de Mendonça e do ministro Kassio Nunes Marques. Sua derrota acirrou o clima de desconfiança na corte.
A crise explodiu a um mês do primeiro turno. E Lula foi aconselhado a agir na tentativa de impedir que o conflito dite a agenda eleitoral.
Empresários discutem novo manifesto para pressionar STF após mensagens de Vorcaro e Moraes
JOANA CUNHA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após a nova leva de informações que veio à tona nesta semana no escândalo do Master, revelando mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), empresários discutem a elaboração de mais um manifesto para pedir decoro ao Judiciário e voltar a pressionar Edson Fachin, presidente da Corte, a adotar um código de conduta para seus membros.
Nomes conhecidos do empresariado, além de economistas e representantes de outros segmentos da sociedade civil, já haviam assinado um documento em dezembro passado pedindo transparência sobre os limites éticos que devem orientar os magistrados.
Naquele abaixo-assinado -que ficou aberto na internet e alcançou quase 80 mil assinaturas- havia nomes como Arminio Fraga (Gávea Investimentos), Eugênio e Salim Mattar (Localiza), Antonio Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Luiz Passos (Natura), Jayme Garfinkel (Porto Seguro) e Pedro Wongtschowski (Ultra), entre outros.
O noticiário do Master, na época, já mostrava que a mulher de Moraes manteve contrato de R$ 130 milhões com o banco de Vorcaro e que o ministro Dias Toffoli embarcou em um jatinho para ver um jogo do Palmeiras no Peru na companhia do advogado de um diretor do Master.
Nos últimos dias, grupos de WhatsApp de empresários voltaram a discutir uma nova maneira de pressionar Fachin.
A forma e o tom da indignação variam, mas existe também um receio de retaliação.
Nesta quarta-feira (2), o fundador da rede de varejo Petz, Sergio Zimerman, no palco de um seminário de negócios, defendeu que a população se manifeste em protestos de rua pelo fim da "sem-vergonhice". Ele criticava o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a nulidade do relatório da PF sobre Moraes.
Empresários ouvidos pela reportagem citam um alerta para a crise institucional.
Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho do Grupo Multi, afirma que o caso Master "abriu a tampa do esgoto que contaminou" boa parte das altas instituições brasileiras.
"Falo por mim, não por nenhum movimento: sem confiança nas instituições, não há economia que fique de pé. É muito preocupante ver um banqueiro supostamente jorrando dinheiro em deputados, senadores, governadores e todo tipo de agente político em busca de favores futuros", afirma.
"Mas quando as suspeitas chegam ao STF, que deveria ser o ápice das instituições, o buraco é mais embaixo. Em qualquer democracia séria, por mais que exista corrupção, resta ao menos uma esperança de punição. E ela está numa trinca que tem de ser profissional: Polícia Federal investigando, Ministério Público denunciando e STF julgando. Se isso apodrece, a esperança vai embora, e a confiança nas instituições desaba."
Para Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e sócio da Jubarte Capital, o cenário atual não tem precedentes.
"Indivíduos usando órgãos vitais de nosso país em benefício próprio. Uma sensação de impunidade em que tudo pode. O Brasil precisa voltar a ter suas instituições suplantando os interesses individuais, atuando dentro de seus mandatos. Há muito, passamos de como uma democracia plena deve andar", diz.
Horacio Lafer Piva, presidente do conselho deliberativo da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), afirma que as novas revelações do escândalo do Master "deixam ainda mais incômodos e perguntas".
O banqueiro Ricardo Lacerda, fundador do BR Partners, cita preocupação com a insegurança jurídica contribuindo para o aumento dos juros e do custo Brasil.
"O episódio apenas escancara de maneira nua e crua o balcão de negócios que se tornou o Judiciário brasileiro. Estamos perto da falência moral de nossas instituições", afirma Lacerda.
O empresário Eduardo Mufarej chama de "gravíssimos" os fatos que estão vindo à tona.
"Práticas não republicanas, inaceitáveis, que degradam as instituições públicas brasileiras. Estamos provavelmente na maior crise institucional desde a redemocratização. Não há como varrer isso para debaixo do tapete. Precisamos proteger essas instituições. Elas são o alicerce que sustenta a sociedade", diz Mufarej, que em 2017 fundou uma organização chamada RenovaBR para oferecer cursos a jovens líderes políticos.
"A sociedade civil está sendo ignorada e desrespeitada por aqueles que se sentem no Olimpo", afirma Fabio Barbosa, que presidiu instituições como Santander e Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e hoje segue como membro de conselhos de companhias como Ambev e Natura.
"Acho que não cabe mais tanta sujeira sendo escondida. A panela de pressão está perto do limite, e isso pode ser bom", diz Barbosa.
Moraes usa documento da PF apócrifo e sem valor probatório contra André Mendonça
JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Alexandre de Moraes usou um documento interno que a própria Polícia Federal classifica como "sem valor probatório" para pedir que o colega de STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O relatório não é assinado por nenhum delegado e faz "análise de cenário" sobre suspeitas de "possível avanço sobre competência do plenário e sobre prerrogativa de membro do Ministério Público".
Em um determinado trecho, o próprio texto diz que as informações presentes nele não se prestam "a instruir procedimento de qualquer natureza, a fundamentar representação, a subsidiar peça de defesa ou a ser citado como fonte em documento externo".
A PF analisa informações que muitas vezes são tratadas como com grau de confiança "baixo" ou "moderado", mas que Moraes usa sem fazer essa discriminação em sua decisão. Um desses casos é o de que Mendonça estaria direcionando as investigações contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado.
"Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal", diz o relatório.
O relatório apócrifo faz a hipótese de que "esses movimentos integrem estratégia mais ampla do relator, com a intenção de ampliar seu poder no Supremo Tribunal Federal, a fim de aumentar as chances de fazer prosperar as visões de mundo do grupo político do qual faz parte".
"Grau de confiança: BAIXA. Juízo integralmente inferencial, sobre estado mental e intenção estratégica, construído a partir de indicadores em sua maioria reportados. Confiança baixa não significa descarte: significa que a hipótese permanece aberta e sob observação, e que qualquer uso externo seria prematuro."
O documento ainda faz citação anônima para afirmar que Mendonça disse que não confiava na atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Moraes usou o documento para fundamentar o despacho assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para providências.
Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".
Fachin tira pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news
ANA POMPEU-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, retirou nesta sexta-feira (4) o pedido de abertura de investigação feito pelo ministro Alexandre de Moraes contra André Mendonça do inquérito das fake news.
De acordo com ele, a medida é tomada diante da necessidade de verificação da regularidade do ato de Moraes. E, em seguida, para avaliação das acusações feitas pelo relator ao colega que conduz os casos do Master e do INSS.
Fachin incluiu a decisão do colega da noite de quista (3) no mesmo processo aberto por ele sobre o relatório da Polícia Federal a respeito das mensagens que teriam sido enviadas pelo ex-dono do Master Daniel Vorcaro a Moraes.
No mesmo despacho, o presidente determinou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre o pedido de Moraes em cinco dias.
"Considerando a necessidade de adequada instrução do feito para a apreciação da admissibilidade e da regularidade do procedimento adotado pelo Ministro Alexandre de Moraes, bem como, se for o caso, das imputações nele deduzidas, determino a complementação da instrução, nos termos a seguir", disse.
Em seguida, definiu o prazo de cinco dias úteis para a PGR apresentar um parecer sobre a admissibilidade e a regularidade do procedimento do ministro e, se o órgão entender pertinente, se manifestar também sobre as imputações feitas por Moraes contra Mendonça.
O presidente do Supremo também abriu prazo de cinco dias para que Mendonça se manifeste formalmente sobre o caso, se assim desejar, depois da resposta da PGR.
"As providências ora determinadas destinam-se exclusivamente à instrução do feito, sem antecipação de juízo quanto à admissibilidade, à regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações", diz Fachin, no despacho.
Na quinta (3), Moraes pediu que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).
A ação de Moraes ocorre após Mendonça levantar o sigilo de conversas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em que o empresário envia mensagens a Moraes. O embate entre os ministros abriu uma crise de proporções inéditas no Supremo.
Instituto do qual Mendonça se afastou recebeu R$ 11,5 milhões de órgãos públicos sem licitação
BRUNO RIBEIRO-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O instituto privado fundado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça firmou 68 contratos sem licitação com órgãos públicos de 15 estados desde 2024 e recebeu deles R$ 11,5 milhões, segundo informações do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Mendonça divulgou nota nesta quinta-feira (3) dizendo que deixará o quadro societário do Instituto Iter e doará suas quotas e de sua esposa após questionamentos sobre atividades da instituição.
No ano passado, o instituto firmou 38 contratos, que somaram R$ 4,4 milhões, com órgãos públicos, a maioria decorrente de contratações diretas para a oferta de cursos. Em 2026, apenas entre janeiro e o fim de agosto, há registro de 19 contratos, que somaram quase R$ 7 milhões, entre o instituto e prefeituras, governos estaduais, tribunais de contas e conselhos profissionais.
Em 2025, os recursos públicos foram equivalentes a cerca de 40% dos R$ 10,4 milhões que a empresa declarou como receita bruta em seu balanço anual. Contudo, o lucro do ano passado foi de R$ 285 mil –o instituto declarou R$ 8,1 milhões em despesas, dos quais R$ 4,1 milhões foram transferidos a outras empresas.
Questionado, o instituto fundado por Mendonça afirma que "o ministro já havia anunciado no início deste ano que qualquer lucro ou dividendo referente às suas quotas, quando ocorressem, seriam destinados a obras sociais e educacionais".
Ele disse ainda que ao longo de dois anos de atividade, "não houve qualquer distribuição de lucros ou dividendos" e que os recursos recebidos em contratos sem licitação são legais.
A Folha questionou o Iter sobre quem seriam as empresas para as quais foram transferidos recursos, mas não teve resposta.
A maioria dos contratos que resultaram nos pagamentos ao instituto está disponível no Portal Nacional de Contratações Públicas, do Ministério da Gestão. Os documentos mostram contratações genéricas. O maior deles, de R$ 518 mil, firmado com o Governo do Rio de Janeiro, reserva 120 vagas para "curso oferecido por pessoa jurídica" -sem nome, tema, carga horária, data, local nem definição de quem são os 120 beneficiários, que custaram R$ 4.316,66 cada.
O governo fluminense disse, em nota, que contratou o instituto "para a oferta de capacitações voltadas à gestão e ao aprimoramento profissional de servidores da Secretaria de Segurança Pública, ISP (Instituto de Segurança Pública), Polícia Civil, Polícia Militar, Defesa Civil, Secretaria de Polícia Penal, Corpo de Bombeiros e Procuradoria Geral do Estado (PGE-RJ)".
Ainda segundo o Governo do Rio, "serão oferecidos cursos em Gestão e Governança, Gestão Orientada por Dados e Gestão de Projetos, Orçamento, Licitação e Logística. Para servidores da PGE-RJ, será ministrada capacitação em Ciência da Oratória". Já o treinamento do Corpo de Bombeiros "é voltado para Comunicação e Gestão de Obras Públicas", ainda de acordo com a nota, que ressalta que a contratação ocorreu dentro da lei.
Mendonça declarou na terça-feira (1º) ser favorável à criação de um código de conduta para ministros do STF, proposta do presidente da corte, Edson Fachin.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que Mendonça tirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal dizendo que o ministro Alexandre de Moraes havia editado o contrato do escritório de sua mulher com o Banco Master e diálogos do dono do banco, Daniel Vorcaro, pedindo orientação sobre fugir ou não do país – Vorcaro foi preso no aeroporto, tentando ir para os Emirados Árabes Unidos.
Foi na sede do instituto que Mendonça recebeu Vorcaro em março de 2025, segundo o ministro admitiu. A reunião, disse Mendonça, foi para tratar de precatórios.
Em sua nota, o Iter diz que "nesses dois anos de atuação, os cursos, eventos, contratos públicos e privados, bem como todas as ações institucionais, observaram a legislação aplicável e regras de boa governança e conformidade".
O texto afirma ainda que "cursos e programas de formação são serviços técnicos especializados de natureza predominantemente intelectual, hipótese em que a lei nº 14.133/2021 admite a contratação direta por inexigibilidade de licitação".
Procuradores veem PGR exposta com menções a Gonet em diálogos de Vorcaro
ANA POMPEU-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Integrantes da cúpula da PGR (Procuradoria-Geral da República) avaliam que as citações de Paulo Gonet nas novas mensagens do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, expõem a instituição em uma situação grave e inédita, mas avaliam que não existe até o momento nada capaz de torná-lo alvo de investigação.
Há um desconforto generalizado com o episódio, tanto entre aqueles que preferiam vê-lo afastado do comando do caso como entre procuradores que o apoiam e não veem problema no que foi divulgado até aqui. Os dois grupos entendem que, de qualquer forma, pode haver prejuízo coletivo à reputação da categoria.
Na investigação, há diálogos em que o advogado Ciro Soares encaminha ao ex-dono do Banco Master mensagens atribuídas a Gonet. Em outros trechos, Vorcaro pede ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que acione o procurador-geral e o chefe da Polícia Federal para barrar uma operação contra a instituição financeira.
Além disso, o filho do procurador-geral teria pedido ao banqueiro para ir a um evento custeado por ele em Londres, com despesas pagas.
Procurado pela Folha na quarta-feira (2) e quinta (3), o PGR não se manifestou.
Em conversas com sua equipe nos últimos dias, Gonet negou ter relação próxima com Vorcaro e disse que Moraes jamais pediu interferência em investigações sobre o Master. Integrantes do órgão que trabalham diretamente com o procurador-geral afirmam ainda que Gonet conhecia o advogado Ciro Soares e o tratava de forma amigável por ser seu estilo.
Nos bastidores, integrantes do órgão passaram a conversar sobre a possibilidade ou a necessidade de o CSMPF (Conselho Superior do Ministério Público Federal) debater o tema. Cabe a essa instância avaliar as condutas dos ocupantes dos postos mais altos da Procuradoria.
O CSMPF é responsável por promoções na carreira, processos administrativos e aprova normas, critérios de atuação e a proposta orçamentária da instituição.
Pessoas próximas defendem que o chefe do Ministério Público Federal foi envolvido em uma crise que não é dele, sem indícios de má conduta.
Uma ala da Procuradoria, no entanto, avalia que há menções suficientes no relatório da PF para gerar dúvidas e, portanto, o melhor seria Gonet se afastar do processo. A medida seria um sinal de prudência à classe, além de prevenir alegações de conflitos de interesses que contaminassem o andamento da apuração.
Segundo a visão mais preocupada, presente também em outros níveis da carreira, ocupar um cargo estratégico, como o de PGR, exige ainda mais cuidado, especialmente em casos rumorosos.
Assim, mesmo que os elementos colhidos até o momento não representem, por fim, mácula real, a recomendação seria encurtar o espaço para questionamentos, sobretudo diante de uma situação complexa e nova, com o envolvimento de um ministro do STF, Alexandre de Moraes.
De acordo com esses interlocutores, ainda, o próprio Supremo, no entanto, flexibilizou a aplicação das regras de suspeição e impedimento ao longo dos últimos anos.
Eventual avaliação de responsabilização funcional ou disciplinar de altos cargos se dá por meio de análise do Senado de crime de responsabilidade. O PGR não se sujeita ao Conselho Superior, assim como ministros do STF não se sujeitam ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Hoje, o vice-presidente do CSMPF é Nicolau Dino, irmão do ministro do STF Flávio Dino. Caberia a ele chamar uma sessão colegiada caso entendesse necessário tratar do tema com os pares.
Pela avaliação em sentido oposto, Gonet participaria do evento em Londres custeado pelo então banqueiro com centenas de outras pessoas -da mesma forma que da degustação de uísque. Nada disso denotaria intimidade e, assim, não haveria qualquer comprometimento da atuação do PGR à frente do caso.
Na mesma lógica, eventos custeados por empresários ou entidades privadas contam com a presença de autoridades públicas com frequência e isso não geraria implicação da atuação profissional.
Um interlocutor do chefe do Ministério Público afirma que ele não tinha o número de celular de Vorcaro registrado no próprio aparelho e hipóteses de suspeição só existem em casos de relações próximas com envolvidos em processos.
Além do pedido do filho de Gonet a Vorcaro, o relatório da PF tem mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor que a PF suspeita ser Moraes a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e a Gonet.
A interlocução de Gonet com Vorcaro aconteceu por meio do advogado Ciro Soares, inicialmente em abril de 2024. Na ocasião, aponta a PF, o advogado escreveu a Vorcaro "Amizade é tudo viu irmão", e complementou: "Gonet é firme".
Mendonça apresenta notas de R$ 26,4 mil após suspeita de que teve terno bancado por lobista do Master
CONSTANÇA REZENDE-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça apresentou duas notas de compra em uma alfaiataria de luxo. A Folha de S.Paulo teve acesso aos documentos, que juntos somam R$ 26.430.
A divulgação das notas foi feita pelo magistrado para rebater a suspeita de que ele teria recebido ternos como presente de pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A hipótese foi levantada após a divulgação de conversas, pelo site ICL Notícias, que revelaram uma tentativa de aproximação de Vorcaro com Mendonça. A ação foi articulada pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira, do PL de São Paulo.
Mensagens capturadas do celular do ex-banqueiro mostram que Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado de Mendonça, na loja do alfaiate de luxo Vasco Vasconcellos, conhecido por vestir empresários, executivos e figuras públicas.
"Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno", disse o advogado em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.
No mesmo dia, porém, Mendonça pagou, em nota registrada em nome de sua mulher, Janey Nagliatti Mendonça, R$ 16,5 mil, à loja de Vasco. O valor foi gasto em camisas, ternos e conjuntos feitos sob medida, diz o documento.
Já em 28 de fevereiro, ele pagou mais R$ 9.900 ao alfaiate em blazers sob medida e acessórios.
As notas foram juntadas pelo gabinete do ministro. A reportagem sobre o encontro com Vorcaro foi revelada após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que revela os detalhes da relação do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro.
Mendonça também recebeu o ex-banqueiro para uma conversa em março de 2025. A reunião foi feita fora da agenda e do tribunal, no escritório do Instituto Iter, fundado pelo magistrado para ministrar cursos de formação, aperfeiçoamento e oratória.
Em nota depois da divulgação da notícia, Mendonça disse que recebeu Vorcaro uma única vez, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo.
No mesmo mês, ele afirmou que atendeu também o advogado do empresário e que mantém nos registros do gabinete os memoriais escritos sobre o encontro.
Ainda segundo o ICL, Ciro e Cezinha conversaram previamente com Mendonça sobre uma situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.
Em outro áudio, o advogado disse ter deixado o ministro "balançado" com o assunto levado a ele e afirmou que Mendonça queria receber Vorcaro.
"O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo", relatou Ciro. "Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele".
Em delação rejeitada, Vorcaro diz que doação a Bolsonaro e Tarcísio era propina articulada por Kassab
JOSÉ MARQUES E JOÃO GABRIEL-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, que os R$ 5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 foram um pagamento de propina articulado junto a Gilberto Kassab, presidente do PSD.
Bolsonaro concorreu à Presidência e perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT); ele recebeu, como doação oficial, R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Tarcísio recebeu outros R$ 3 milhões, foi eleito governador de São Paulo e Kassab se tornou seu secretário de Governo.
O relato, revelado pelo UOL e confirmado pela Folha, consta em três propostas de delação feitas por Vorcaro -todas recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, que não viram nos relatos fatos inéditos.
Tarcísio disse que "nunca teve qualquer contato ou relação com Daniel Vorcaro e não tem conhecimento do fato mencionado pela reportagem".
Kassab disse que a versão de Vorcaro é "um relato absolutamente fantasioso", que refuta "com veemência". A defesa de Bolsonaro foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até a publicação deste texto.
Nos relatos, os pagamentos foram classificados com "contrapartidas financeiras" pagas após um "ajuste indevido com Gilberto Kassab".
O objetivo seria manter em funcionamento o Credcesta, cartão de crédito consignado usado pela rede de empresas ligadas ao Master para manobras financeiras.
A operação começou ainda no governo João Doria (então no PSDB), por meio de uma empresa ligada a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Segundo o ex-banqueiro, a propina seria para manter o esquema diante da chegada de Tarcísio ao governo, em janeiro de 2023.
"Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo", diz Vorcaro na delação.
O acordo com Kassab, segundo Vorcaro, previa o pagamento de 5% do resultado líquido das operações com o Credcesta e contribuições para campanhas aliadas.
"O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Todavia, Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais", continua o ex-banqueiro.
Vorcaro afirma ainda que os pagamentos foram feitos por meio de dois métodos: R$ 5 milhões em doações de campanha (caso de Tarcísio e Bolsonaro) e R$ 10 milhões em caixa dois, em espécie, para o PSD de Kassab.
As transferências informais foram intermediadas por Thiago Botelho, segundo o relato do ex-banqueiro.
"Não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone. Conheço Augusto Lima e Thiago Botelho, mas nunca tratei sobre o Credcesta. Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual", disse Kassab, em nota.
Tarcísio afirmou que sua campanha foi conduzida dentro da lei e ressaltou que o credenciamento da empresa ligada ao Master para atuar com o Credcesta aconteceu na gestão anterior.
Em entrevista nesta quinta (3), Tarcísio disse que são 217 instituições credenciadas para fazer consignação no estado e que não se tratou de um contrato com o estado. "É uma ilação que beira o ridículo, imaginar que eu vou pedir algum favorecimento ou que o presidente Bolsonaro iria pedir algum favorecimento."
Durante transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), filho de Bolsonaro, disse que Kassab "deve ter ficado com esse dinheiro", se isso for verdade. Flávio afirmou que Kassab não é aliado de Bolsonaro e ironizou a informação de que ele teria captado recursos para a campanha presidencial de 2022.
"Quer acreditar que o Kassab fez alguma coisa para beneficiar a campanha de Bolsonaro? Kassab, que tem três ministérios no governo Lula? Não cola, gente. Quem está noticiando isso tem que fazer um certo filtro", disse.
Vorcaro está preso desde março e posteriormente tentou negociar na cadeia um acordo de colaboração com as autoridades.
Em junho, ele foi para a unidade conhecida como Papudinha, no Distrito Federal, depois de a PF e o Ministério Público rejeitarem sua segunda proposta de delação.
A possibilidade de Vorcaro tentar um novo acordo de delação voltou a ser considerada passados dois meses da segunda rejeição e após mais uma troca na equipe de defesa do ex-banqueiro.
O advogado Daniel Bialski ingressou na equipe de Vorcaro em agosto. Em entrevista à GloboNews, afirmou que o dono do Master "quer falar e quer colaborar" mais uma vez, "se precisar e se tiver a oportunidade".
Em junho, o ministro André Mendonça falou publicamente em sessão no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a negociação de delação. "Perderam o pudor. Queriam fazer delação seletiva. Na minha cara."
Na ocasião, o magistrado também falou que não manteria a prisão com o objetivo de obter delação. "Seria um absurdo, e não me presto a trabalhos dessa natureza."
A delação premiada, conforme a lei, é um meio de obtenção de prova e que não pode, isoladamente, fundamentar condenações sem que outras informações corroborem as afirmações feitas. Neste caso, os relatos ainda devem ser investigados, assim como os materiais apresentados no acordo.
Bolsonaristas saem em defesa de Mendonça contra Moraes; Flávio fala em derrota de 'ministro de Lula'
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Bolsonaristas reagiram ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que pediu, nesta quinta (3), que o colega André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O despacho foi assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para providências.
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) tentou vincular o magistrado a seu principal adversário na campanha, o presidente Lula (PT). "O Brasil é muito maior do que o ministro do Lula. Sim, Lula e Moraes vão perder porque o Brasil vai vencer", escreveu em rede social.
Posteriormente, escreveu, sem apresentar provas, que haveria articulação para uma "ação ilegal" contra ele, por parte do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de Moraes e do ministro Flávio Dino. "Caso se confirme, é a comprovação de que o Brasil virou uma várzea, terra sem lei, onde os que se acham donos do país armam farsas contra seus adversários."
Irmão do presidenciável, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que foi condenado no Supremo neste ano por coação, disse que Moraes comprova que a "única utilidade do inquérito das fake news" é perseguir. "Ditadores antes de cair sempre dobram a aposta. Não é novidade. É chegado o momento de extirpar este câncer do Brasil e mandá-lo para a cadeia pelos seus abusos de poder", disse, em rede social.
O candidato à Presidência do Novo, Romeu Zema, que tem feito campanha em cima de críticas ao Supremo, falou em "ditadura de Alexandre de Moraes" e que qualquer um que ameace o poder dele é rapidamente aniquilado. Também defendeu a prisão do magistrado.
"O mimadinho de Moraes tá nervoso. Patético", afirmou em rede social o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), ao reagir à notícia do pedido de investigação. "Mendonça tem que dar voz de prisão ao Moraes em plenário", escreveu, em seguida.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, disse em rede social que Moraes transforma um inquérito aberto há sete anos "em instrumento de poder pessoal".
Para Marinho, o ministro "recorre ao mesmo inquérito para avançar contra André Mendonça justamente quando o ministro conduz apurações que alcançam fatos graves envolvendo o próprio Moraes".
"É uma inversão intolerável de valores: quem deveria prestar esclarecimentos às instituições e ao povo brasileiro utiliza poderes investigativos excepcionais sob seu comando para constranger quem supervisiona uma investigação séria."
Outro aliado do bolsonarismo que criticou Moraes foi o ex-procurador Deltan Dallagnol, que é candidato ao Senado no Paraná pelo partido Novo. Ele postou que "o Brasil está colapsando diante dos nossos olhos".
"Estamos em um momento crítico da nossa República. Isso jamais aconteceu no Brasil. Moraes está usando um inquérito ilegal relatado por ele mesmo e em benefício próprio para acusar de crimes o ministro André Mendonça, o que é absolutamente ilegal", escreveu.
O pastor evangélico Silas Malafaia, também alvo de Moraes no Supremo, disse que "ou o Supremo Tribunal Federal dá um basta nesse cara ou então acabou a República".
"Quer dizer que o criminoso é André Mendonça e não Alexandre de Moraes?", disse o pastor Silas Malafaia. "Quem é o criminoso na história? Alexandre de Moraes. Comprado por R$ 130 milhões."
Nesta quinta, o presidente Lula falou pela primeira vez sobre as acusações envolvendo Moraes desde que mais conversas de Daniel Vorcaro foram reveladas, na terça (1º). Disse que chegou a hora de pessoas que atuam na vida colocarem o compromisso público à frente de seus interesses pessoais, mas não citou nomes.
"Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem com um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações", disse.
O PT tenta se distanciar do caso para evitar consequências na campanha eleitoral. O presidente do partido, Edinho Silva, afirmou na quarta (2) que a população "não suporta mais para viver nesse sistema de corrupção e privilégios". "Ninguém está acima da lei, seja um cidadão comum, um governante, um parlamentar ou até um integrante do Poder Judiciário."
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