Um golpe foi tentado nas eleições de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) consultou a cúpula das Forças Armadas sobre a possibilidade de impedir que Lula fosse empossado
Ana Luiza Albuquerque E Thaísa Oliveira-são Paulo, Sp E Brasília, Df (folhapress) - 25/10/2026 19:19:34 | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou ser "impressionante o nível de intervenção de alguns ministros do STF", após a decisão do ministro Cristiano Zanin que determinou a prorrogação do horário de votação em todo o Brasil.
"Espero sinceramente que o bom senso prevaleça e qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prospere pelo bem da democracia", disse pelas redes sociais.
Marinho se juntou a outros aliados do candidato do PL que aproveitam a determinação do ministro para alavancar nas redes a narrativa de que haveria um golpe no país favorável ao presidente Lula (PT).
Um golpe foi tentado nas eleições de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) consultou a cúpula das Forças Armadas sobre a possibilidade de impedir que Lula fosse empossado. O Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente a mais 27 anos de prisão por ter liderado essa tentativa.
Flávio Bolsonaro vem prometendo que concederá um indulto ao pai caso eleito, e que Jair entregará a ele a faixa presidencial.
O pedido da campanha do petista para prorrogação da votação foi motivado por evidências de que eleitores enfrentaram dificuldades para chegar ao local de votação, devido à oferta insuficiente de transporte público -especialmente em Salvador e na capital paulista.
Na eleição de 2022, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) organizou blitze que dificultou o acesso de eleitores aos locais de votação, especialmente no Nordeste, região que é um reduto do eleitorado petista.
A própria campanha de Flávio também pediu a extensão da votação deste domingo, para cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, devido a condições climáticas adversas.
Nas redes, o influenciador Pablo Marçal (PRTB), que tem ajudado o candidato do PL a estruturar um eventual Ministério da Prosperidade, afirmou que estava indignado com a decisão, que, para ele, "tem cheiro de golpe". "Pode preparar que está vindo surpresa aí, isso não é normal, não", disse.
O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo), eleito senador no Rio Grande do Sul, afirmou que Zanin deu um "golpe" nas eleições com a prorrogação da votação e disse que Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), deveria "enquadrá-lo imediatamente".
A acusação de golpe também foi repetida em uma transmissão ao vivo dos Estados Unidos, com os ex-deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o influenciador Paulo Figueiredo. Os dois primeiros foram condenados pelo Supremo e há mandados de prisão em aberto contra eles.
Eduardo afirmou que, independentemente de quem sair vitorioso do pleito, a parte perdedora poderá argumentar que o adversário ganhou por conta da extensão do prazo. "Lamentável mudar a regra no meio do jogo, é país de república de banana, onde não tem império das leis", disse, antes de ter sido informado de que o irmão também havia pedido a prorrogação.
O ex-deputado afirmou, também, que, se Lula saísse vitorioso, "não haveria reconhecimento imediato da comunidade internacional".
Figueiredo disse que passa "a ter medo de um golpe em curso", e Ramagem afirmou que "volta a temer que haja uma fraude".
Desde a derrota de Jair Bolsonaro em 2022, Eduardo e aliados próximos colocam em xeque a credibilidade do processo eleitoral brasileiro, narrativa que se intensifica neste pleito após a decisão de Zanin.
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