Ex-deputado critica decisão de Cristiano Zanin, enquanto aliados levantam suspeitas sobre o processo eleitoral; campanha de Flávio Bolsonaro também pediu ampliação do horário em três estados
Por paulo Emílio - Portal Brasil 247 - 25/10/2026 18:42:29 | Foto: Reprodução PC do B
O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro questionou neste domingo (25) a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de ampliar em duas horas o período de votação no segundo turno das eleições presidenciais. Durante um evento em Miami, nos Estados Unidos, Eduardo criticou a medida e colocou em dúvida a credibilidade do processo eleitoral.
A manifestação do ex-parlamentar ocorreu pouco antes do início da apuração dos votos. A decisão de Zanin atendeu a uma solicitação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“O Lula pediu pro advogado dele, o advogado dele deu uma decisão —ele não está na corte eleitoral, mas que se dane—, não tem conexão nenhuma com a Constituição”, declarou Eduardo Bolsonaro, ao contestar a atuação do magistrado.
O ex-deputado também afirmou que a decisão comprometeria a confiança no processo eleitoral e criticou a reação às manifestações de integrantes da oposição.
“Não traz credibilidade. Se nós falamos isso, estamos fazendo um ataque à democracia”, disse.
“Você tem de 8h da manhã até as 5h da tarde. Amigão, acorda às 6h, cara. (…) Independentemente de quem ganhe, você concorda que a parte perdedora vai poder questionar e falar que a diferença foi tão pouca que ele ganhou ou perdeu por causa dessas duas horinhas? É lamentável mudar a regra do jogo no meio do jogo. Isso aí é República de bananas, onde não tem império das leis”, disparou.
Apesar das críticas de Eduardo Bolsonaro, a própria campanha de seu irmão, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de extensão do período de votação.
A solicitação, entretanto, foi limitada a municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, onde as condições meteorológicas provocaram dificuldades para o deslocamento de eleitores.
Segundo a equipe do candidato do PL, chuvas intensas, deslizamentos de terra, alagamentos e bloqueios de vias justificariam a adoção de uma medida excepcional para assegurar o comparecimento às urnas.
A diferença entre as solicitações está na abrangência: enquanto a campanha de Lula defendeu a ampliação do horário em todo o território nacional, a equipe de Flávio pediu a extensão em localidades específicas dos três estados.
As declarações do ex-deputado ocorreram durante um encontro em Miami com o comentarista político Paulo Figueiredo e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem. Os três acompanhavam a eleição brasileira e comentavam os acontecimentos relacionados à votação e à apuração.
Ramagem classificou a situação como “bem temerária”, enquanto Figueiredo foi além e levantou suspeitas sobre a legitimidade da decisão.
“Isso tem cheiro de golpe. Digo isso porque a chance de vitória do Flávio no Polymarket [plataforma de apostas] está caindo de mais de 80% para cerca de 70%, as pessoas estão percebendo”, afirmou o comentarista.
Durante o evento, Figueiredo acompanhou as oscilações das probabilidades atribuídas aos candidatos na plataforma de apostas Polymarket.
As variações registradas nesse tipo de mercado, contudo, não constituem resultados oficiais da eleição nem demonstram a ocorrência de irregularidades no processo de votação.
A Organização dos Estados Americanos (OEA), que acompanha o processo eleitoral brasileiro por meio de uma missão de observação, informou estar atenta aos relatos de dificuldades enfrentadas por eleitores em diferentes regiões do país.
Em nota, a organização declarou que a missão “está acompanhando as informações divulgadas pela imprensa e as denúncias sobre problemas no transporte público em diferentes localidades do país. A Missão seguirá atenta às decisões do TSE sobre o tema”.
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