Com eleitorado mais velho, Brasil terá 158,7 milhões aptos a votar em 2026, diz TSE

Solicitação do voto em trânsito pode ser feita até 20 de agosto

Com eleitorado mais velho, Brasil terá 158,7 milhões aptos a votar em 2026, diz TSE
Com eleitorado mais velho, Brasil terá 158,7 milhões aptos a votar em 2026, diz TSE

Isadora Albernaz-brasília, Df (folhapress) - 20/07/2026 15:42:16 | Foto: Corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira. - Alejandro Zambrana/Secom/TSE

O Brasil irá às urnas com um eleitorado mais velho em 2026, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgados nesta segunda-feira (20). Ao todo, serão 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar. Desses, 37,5 milhões têm 60 anos ou mais.

Enquanto o eleitorado geral cresceu apenas 1,5%, a faixa etária que compreende os idosos avançou de 21% para 23,6% do total. Na contramão, a quantidade de pessoas de 21 a 34 anos que poderão participar do pleito caiu de 43,8 milhões para 41 milhões, o que representa 25,85% do total.

Em termos reais, serão 2,3 milhões de eleitores a mais desde o último pleito geral, quando cerca de 156 milhões estavam aptos a escolher o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais (ou distritais, no caso de Brasília).

O prazo para tirar o primeiro título de eleitor, transferir o domicílio eleitoral e regularizar pendências na Justiça Eleitoral terminou em 6 de maio. Desde então, a corte eleitoral, sob comando do ministro Kassio Nunes Marques, organizava os dados. A última atualização dos números foi em 18 de julho.

As eleições deste ano devem ser marcadas pelo embate direto entre o presidente Lula (PT), que tenta seu quarto mandato inédito, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que conta com o espólio político do pai em prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para se eleger ao cargo pela primeira vez.

O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Se houver necessidade, como já indicam levantamentos, o segundo turno para a Presidência e os governos dos estados está marcado para 25 de outubro. Já senadores, deputados federais e estaduais são eleitos em uma única votação.

Segundo o TSE, o Norte teve a maior alta proporcional no número de eleitores desde o último pleito geral, com avanço de 4,37%. Passou de 12.560.410 pessoas aptas a votar para 13.109.354 -mais de meio milhão.

Região mais populosa do país, o Sudeste tem 66,3 milhões de eleitores aptos a votar, registrando uma leve queda de 0,56%. São Paulo tem 21,48% do eleitorado nacional (34,1 milhões), enquanto Minas Gerais (16,4 milhões) segue como o segundo maior colégio eleitoral. Os dois são estados-chave na disputa presidencial, já que as candidaturas ao governo local têm a capacidade de puxar votos aos postulantes.

O palanque mineiro de Lula foi formalizado nesta segunda. O deputado federal Patrus Ananias (PT) foi anunciado o candidato do partido, após o "plano A", com o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), e o "plano B", com a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), não vingarem por recusa de ambos.

Já a situação de Flávio no estado ainda está indefinida. Como mostrou a Folha de S.Paulo, o PL avançou em tratativas e aguarda só a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre concorrer ao governo para anunciar uma aliança em Minas.

A campanha começará em menos de um mês, em 16 de agosto. Os partidos terão até a véspera da data, no dia 15, para registrar as candidaturas junto à Justiça Eleitoral. As convenções partidárias, evento onde é formalizado quem serão os nomes que representarão as legendas no pleito, têm início nesta segunda e vão até 5 de agosto.

Segundo a Constituição Federal, o voto é obrigatório no Brasil só para maiores de 18 anos. Para adolescentes de 16 e 17 anos, analfabetos e idosos acima de 70 anos, a ida às urnas é facultativa.

Pesquisa Datafolha publicada no fim de junho mostra que Lula e Flávio têm, respectivamente, 47% e 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto brancos e nulos somam 8%. Já em um cenário com outros candidatos, o petista mantém a vantagem e marca 41% ante 31% do bolsonarista.

Foram ouvidas presencialmente 2004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios de 17 a 18 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O número de registro no TSE é BR-09956/2026.

Do total de cerca de 158 milhões, a maioria (52,84%) é de mulheres, parcela que permaneceu praticamente estável. Em termos absolutos, elas são 83,9 milhões e devem ser um dos eleitorados decisivos nestas eleições. Os principais candidatos à Presidência já preparam estratégias mirando conseguir o apoio do grupo.

Solicitação do voto em trânsito pode ser feita até 20 de agosto

MARIANA GRASSO-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Começa nesta segunda-feira (20) o prazo de solicitação do voto em trânsito, que autoriza o eleitor a votar em uma cidade diferente daquela onde possui o título cadastrado. O pedido de transferência temporária fica aberto até 20 de agosto.

Já os trabalhadores envolvidos na organização das eleições têm até 28 de agosto para solicitar a mudança. A regra abrange mesários, equipes de apoio logístico, pessoal designado para testes de integridade das urnas e servidores de estabelecimentos penais ou de internação em serviço no dia do pleito.

O trâmite pode ser feito de forma online, por meio do portal de Autoatendimento Eleitoral no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Também é possível fazer o pedido presencialmente em qualquer cartório ou posto eleitoral, mediante a apresentação de um documento oficial com foto.

Além do prazo e do procedimento, existem regras específicas sobre onde o voto pode ser computado. A solicitação só é permitida para capitais ou municípios com mais de 100 mil eleitores. Nesses locais, o eleitor que estiver viajando precisa justificar a ausência no dia do pleito.

Se a transferência for para outra cidade no mesmo estado, o eleitor pode votar para todos os cargos em disputa. Por outro lado, se a mudança for para um município em outro estado, a habilitação permite votar exclusivamente para presidente da República.

VEJA O PASSO A PASSO DE COMO E ONDE SOLICITAR
- Quem pode pedir: qualquer eleitor em situação regular com a Justiça Eleitoral.

- Onde requerer: pelo Autoatendimento Eleitoral no site do TSE ou presencialmente em qualquer cartório ou posto eleitoral.

- Documentação: documento oficial de identificação com foto.

- Cidades distintas por turno: é possível indicar municípios diferentes para o 1º e o 2º turno.

- Alteração ou cancelamento: pode ser feito até 20 de agosto. Após essa data, a escolha torna-se definitiva para o pleito.

O próprio eleitor deve fazer a solicitação pessoalmente; não é permitida a requisição por terceiros. Após o término das eleições, o título de eleitor retorna automaticamente para a seção eleitoral de origem.

REGRAS E PRAZOS ESPECÍFICOS
Ao solicitar o voto em trânsito, a pessoa fica desabilitada de votar em sua seção eleitoral original. O eleitor que se habilitar para o voto em trânsito e não comparecer à seção temporária escolhida deve justificar a ausência, mesmo que esteja em seu município de origem no dia da votação.

Para quem estiver fora do país, a legislação estabelece que não existe a modalidade de voto em trânsito. No entanto, quem tem o domicílio eleitoral cadastrado na Zona Eleitoral do Exterior e estiver no Brasil durante os dias de votação pode solicitar a habilitação temporária para votar em território nacional, restrita ao cargo de presidente.

Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, assentados rurais e pessoas em situação de rua também podem solicitar a transferência para seções com acessibilidade ou mais próximas de onde vivem e circulam. Isso permite que votem para todos os cargos.

Há ainda casos específicos: presos provisórios, adolescentes em unidades de internação, militares, agentes de segurança e integrantes do Ministério Público e da Justiça Eleitoral em serviço. Para esses grupos, os formulários e listas são encaminhados pelos órgãos responsáveis.

ONDE CONSULTAR OS LOCAIS E TIRAR DÚVIDAS
O voto em trânsito é voltado apenas para eleitores com situação regular no cadastro eleitoral -quem está com o título cancelado ou suspenso não tem direito ao benefício.

A lista dos locais de votação adaptados para o voto em trânsito é atualizada nos sites dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais).

Informações detalhadas podem ser consultadas no portal do TSE ou diretamente no cartório eleitoral de cada região. As regras gerais da modalidade estão disciplinadas nos artigos 30 a 46 da Resolução-TSE nº 23.751/2026

Disputas internas pressionam partidos em até nove estados antes do registro das chapas

JOÃO PEDRO PITOMBO-SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - As convenções partidárias começam nesta segunda-feira (20) em meio a tensões partidárias em ao menos nove estados, com embates internos, rixas entre líderes locais e indefinições na escolha de candidatos ao governo e ao Senado.

O quadro eleitoral nos estados será definido até 5 de agosto, data final para que as candidaturas sejam formalizadas. Caso não haja consenso, a palavra final será dos partidos conforme previsto em seus estatutos, o que pode variar entre disputa na convenção ou decisão do diretório nacional.

Sob a mesma federação, o que obriga que as legendas estejam juntas por ao menos quatro anos, União Brasil e PP têm pendências em quatro estados. A indefinição persiste mesmo após esforços da cúpula nacional e uma reorganização interna que resultou na perda de quadros históricos.

Em dois estados do Nordeste, líderes das siglas se digladiam em torno da escolha dos candidatos ao Senado.

Em Pernambuco, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) disputam uma vaga na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD).

Eduardo da Fonte tem o comando da federação em Pernambuco, cuja executiva estadual definiu que ele é o candidato. Mas Miguel Coelho sinaliza que tem a preferência da governadora, com quem tem participado de agendas conjuntas.

"Sempre soube que quem monta chapa e escolhe candidato é a líder do processo, nesse caso a governadora", afirma Miguel Coelho. Ele lembra que, quando não há unanimidade nas decisões, a palavra final cabe ao comando nacional.

A divisão é ainda mais profunda no Maranhão, onde os deputados federais André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) se lançaram pré-candidatos ao Senado por chapas diferentes.

Fufuca aliou-se a Eduardo Braide (PSD), que vai liderar a principal chapa de oposição ao governador Carlos Brandão (MDB). Caso prevaleça, o ex-ministro dos Esportes deve dar um verniz lulista à chapa, que terá o conservador Lehesio Bonfim (Novo) na outra vaga ao Senado.

Pedro Lucas, por outro lado, confirmou sua pré-candidatura no arco de alianças de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador.

A tendência é que ambos mantenham suas candidaturas ao Senado, e a federação permaneça oficialmente neutra em relação à disputa pelo governo.

Em Roraima, que vive um cenário turbulento após a cassação do governador Edilson Damião (União Brasil), a sigla se dividiu entre as candidaturas ao Senado de Pastor Isamar Ramalho e Tânia Soares. Esta última é cunhada de Antonio Denarium, ex-governador que está inelegível.

A legenda deve ser uma espécie de fiel da balança na disputa pelo governo. Isamar deve apoiar o governador em exercício Soldado Sampaio (Republicanos), enquanto Tânia é mais próxima de Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista.

Em Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil) deixou o governo em abril após sete anos de mandato para concorrer ao Senado, mas não conseguiu prevalecer dentro do partido na sua decisão de apoiar o seu então vice e hoje governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

A tendência é que o União Brasil referende em convenção a candidatura do senador Jayme Campos ao governo, mas libere seus filiados para apoiar Pivetta, caso assim desejem.

O PSD, que lidera a oposição no estado, também vive uma disputa interna. A médica Natasha Slhessarenko foi lançada pré-candidata ao governo, mas o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro decidiu pleitear a vaga. A chapa terá o apoio do PT e dará palanque ao presidente Lula.

O PL, que vai disputar a presidência com o senador Flávio Bolsonaro, tem pendências em ao menos quatro estados às vésperas das convenções. O principal nó está em Minas Gerais, onde a legenda ainda aguarda uma definição do senador Cleitinho (Republicanos), que lidera as pesquisas para o governo.

No Ceará, o PL segue rachado na escolha do candidato ao Senado, vaga pleiteada pelo deputado estadual Alcides Fernandes e a deputada federal Priscila Costa. O estado é o epicentro da disputa que dividiu o campo conservador no Ceará e expôs fissuras entre líderes do PL e na família Bolsonaro.

O apoio a Ciro Gomes (PSDB) para o governo também é uma incógnita, mas a cúpula estadual do partido vê a aliança como sacramentada. "Não há chance de o PL lançar candidatura própria ao Governo do Ceará", afirmou o deputado André Fernandes (PL).

No Espírito Santo, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) anunciou que vai apoiar Flávio Bolsonaro, mas a aliança local com PL ainda depende da costura com o senador Magno Malta.

A legenda segue sem uma definição no Acre, onde pendula ora para o palanque da governadora Mailza Assis (PP), ora para a candidatura ao governo do senador Alan Rick (Republicanos).

O Republicanos segue rachado no Rio de Janeiro, onde tem dois pré-candidatos ao governo. De um lado está o ex-governador Anthony Garotinho, que enfrenta a concorrência interna de André Português, ex-prefeito de Miguel Pereira.

Na base aliada do presidente Lula, o PT desembaraçou seu último palanque nesta semana com a definição de Patrus Ananias como candidato ao governo de Minas Gerais. Já no Distrito Federal, o cenário é de palanque duplo para o governo com as candidaturas de Leandro Grass (PT) e Ricardo Capelli (PSB).

O campo conservador também está dividido na capital federal. O MDB ensaia lançar Rafael Prudente ao governo após a implosão da aliança com a governadora Celina Leão (PP), que ascendeu ao cargo após a renúncia de Ibaneis (MDB).

Na eleição presidencial, o presidente Lula realiza sua convenção em 2 de agosto. O senador Flávio Bolsonaro vai confirmar sua candidatura ao Planalto em 25 de julho, mas ainda não escolheu um nome para compor a vice. O prazo final para indicação é 5 de agosto.

Comentários para "Com eleitorado mais velho, Brasil terá 158,7 milhões aptos a votar em 2026, diz TSE":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório