Corrida para liderar a ONU a partir de 2027 tem três candidatas e dois candidatos

Na semana passada, Maldivas nomeou Virginia Gamba para lista que já contém outro cidadão da Argentina: Rafael Mariano Grossi; relação inclui chilena Michelle Bachelet, apresentada por Chile, Brasil e México; Rebeca Grynspan, escolhida pelo seu país, Costa Rica; e o senegalês Macky Sall, candidato do Burundi; primeiro debate ocorre na semana de 20 de abril

Corrida para liderar a ONU a partir de 2027 tem três candidatas e dois candidatos
Corrida para liderar a ONU a partir de 2027 tem três candidatas e dois candidatos

Monica Grayley / Agência Onu News - 16/03/2026 08:12:51 | Foto: Agência Onu News

As Nações Unidas estão atravessando um momento de transformações e reformas, e neste ano, soma-se a essa lista, mais uma mudança que deve impactar o futuro da organização: a eleição da nova liderança do Secretariado da ONU.

O atual secretário-geral António Guterres, de Portugal, deixa o posto em 31 de dezembro após dois mandatos consecutivos que duraram uma década.

América Latina
Até o momento, cinco pessoas foram apresentadas por Estados-membros da ONU para substituir Guterres. A lista inclui três candidatas e dois candidatos nomeados por um total de sete países. O processo de seleção e eleição de um novo secretário-geral ou secretária geral é realizado pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral.

Mas a pergunta agora é: quem assumirá o posto deixado por Guterres, em 1º de janeiro de 2027?

A Secretaria Geral tem sido ocupada de forma geográfico-rotativa. Estima-se que esta é a vez é da região da América Latina e Caribe, com base neste princípio. O primeiro e último secretário-geral latino-americano foi o peruano Javier Pérez de Cuellar, que liderou as Nações Unidas de 1982 a 1991.

Durante mais de 80 anos de história, desde a sua criação em 1945, a ONU teve nove secretários-gerais e todos homens. Quatro vieram da Europa, dois da Ásia, dois da África e um da América Latina e Caribe.

Com base no quadro até 13 de março, a lista de nomes apresentados pelos países-membros inclui pela ordem de apresentação o candidato da Argentina, Rafael Mariano Grossi, que atualmente ocupa o posto de diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea.

Grossi, embaixador de carreira, apresentou sua candidatura formal em novembro de 2025.

Em fevereiro deste ano, os governos do Brasil, Chile e México nomearam a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, candidata ao posto de secretária-geral. Bachelet foi a primeira líder da ONU Mulheres e alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

Nas primeiras semanas de março, foram entregues à Assembleia Geral e ao Conselho de Segurança outras três candidaturas a secretário-geral: Macky Sall, ex-presidente do Senegal, mas que foi nomeado pelo Burundi.

Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e líder da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, e ex-vice-administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud. Grysnpan anuciou que se licenciou da chefia da Unctad para concorrer à secretária-geral.

O último nome a integrar a lista de candidaturas é o da argentina Virginia Gamba, que foi apresentado pelas Maldivas. Gamba exerceu o cargo de representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflitos Armados, de 2017 a 2025.

A entrega da candidatura dela foi anunciada pela porta-voz da presidente da Assembleia Geral, na sexta-feira 13 de março, em nota a jornalistas.

Visão, currículo e financiamento
Na página da ONU na internet, os candidatos depositam seus currículos, visão para o posto de secretário-geral e como financiarão suas campanhas.

O processo de nomeação e seleção do próximo Secretário-Geral baseia-se em resoluções da Assembleia Geral com foco em transparência e inclusão.

Em setembro de 2025, a Assembleia Geral adotou a resolução 79/327 sobre a Revitalização dos trabalhos da Assembleia Geral, que estabelece o processo de seleção e nomeação em conformidade com o Artigo 97 da Carta das Nações Unidas. Uma carta conjunta do Presidente da Assembleia Geral e do Presidente do Conselho de Segurança inicia o processo. A partir daí, os candidatos são indicados por um Estado-Membro ou grupos de Estados-Membros e apresentam uma declaração de visão, currículo e divulgações de financiamento de campanha.

Primeiro debate na semana de 20 de abril
A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, informou que o primeiro debate das pessoas que se candidataram ao posto será realizado, na sede da ONU, na semana de 20 de abril.

Esses debates serão transmitidos pela internet nos serviços de webcast da ONU. O processo de seleção foi iniciado, formalmente, em 25 de novembro com uma carta conjunta do Presidente da Assembleia Geral e do Presidente do Conselho de Segurança, dirigida aos Estados-Membros da ONU.

À medida que as candidaturas são recebidas, os presidentes da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança informam os países-membros atualizando a lista de candidaturas. A relação é publicada na página das Nações Unidas em ordem alfabética.

*Monica Grayley é editora-chefe da ONU News Português.

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