Estudo da União Interparlamentar, UIP, mostra que apenas 22,4% dos gabinetes de governo são ocupados por mulheres; presença feminina em Parlamentos pelo mundo subiu timidamente para 27,5%; ONU diz que excluir as mulheres da liderança política enfraquece o mundo
Agência Onu News - 16/03/2026 06:39:28 | Foto: UN Women/Johis Alarcón
O mundo segue com forte baixa representação das mulheres na liderança política. Apenas um em cada sete países tem uma mulher como chefe de Estado ou governo. O poder político global segue na mão dos homens.
Esta é a conclusão de um estudo realizado pela União Interparlamentar, UIP, e pela agência ONU Mulheres, que analisou os dados da representação feminina em cargos políticos.
Mulheres fora de decisões poderosas
Nos Parlamentos, por exemplo, a número de mulheres subiu para 27,5%, o que significa que mais de dois terços das casas legislativas espalhadas pelo mundo estão sendo controlados pelos homens.
Nos gabinetes de governos nacionais, a porcentagem feminina é ainda mais baixa: 22,4%. Apenas 14 países alcançaram a paridade de gênero. Com isso, as decisões mais poderosas tomadas, no dia a dia, ficam majoritariamente em mãos de políticos num mundo, cada vez mais desafiador.
A ONU Mulheres ressalta que este ano, apenas 28 países tinham uma mulher no comando e 101 nações nunca tiveram uma dirigente feminina.
E quando a mulher fica fora da liderança política, decisões que formam a paz, a segurança, e as prioridades econômicas são tomadas sem a cooperação de metade da população mundial.
Estagnação e regressão
Os dados do relatório apontam uma estagnação, e em alguns casos regressão na liderança feminina especialmente no Executivo de governos.
A pesquisa também ressalta os níveis de violência enfrentados pelas mulheres na política com intimidações e hostilidades tanto online como fora da internet. Pelo menos 76% das parlamentares relataram terem sofrido algum episódio violento.
Para a diretora-executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, “num momento de crescente instabilidade global, escalada de conflitos e uma visível reação contra os direitos das mulheres, excluir as mulheres da liderança política enfraquece a capacidade das sociedades de responder aos desafios que enfrentam”.
Já a presidente da União Interparlamentar, Tulia Ackson, afirma que “a paridade é uma obrigação moral porque as mulheres têm o mesmo direito de influenciar as decisões que regem as suas vidas. Mas também é a coisa inteligente a fazer. As instituições tomam melhores decisões quando refletem as sociedades que servem.”
Apesar do ritmo lento da mudança, mulheres em todo o mundo continuam a ultrapassar limites e a afirmar o seu lugar na vida política. A remoção de barreiras estruturais, incluindo leis discriminatórias, violência contra as mulheres na política e acesso desigual a recursos, bem como o desafio a normas sociais negativas, serão cruciais para garantir a liderança política igualitária das mulheres nos próximos anos.
Confira os principais dados do relatório:
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