EUA e Israel atacaram locais históricos ‘inestimáveis’ no Irã, segundo a Unesco; veja alguns

Teerã registrou o maior número de sítios afetados, com 63, seguida por Isfahan, com 23, e Golestan, com 12

EUA e Israel atacaram locais históricos ‘inestimáveis’ no Irã, segundo a Unesco; veja alguns
EUA e Israel atacaram locais históricos ‘inestimáveis’ no Irã, segundo a Unesco; veja alguns

Portal Brasil De Fato - 15/04/2026 10:05:10 | Foto: O Palácio de Golestan em Teerã é considerado patrimônio mundial pela Unesco | Crédito: Wikicommons / Portal BdF

Cerca de 140 sítios históricos em 20 províncias foram danificados em ataques conjuntos entre os EUA e Israel entre 28 de fevereiro e 7 de abril, com prejuízos estimados em US$ 49 milhões (R$ 243 milhões), informou a agência de notícias estatal iraniana Irna.

Reza Salehi Amiri, ministro do Patrimônio Cultural, Turismo e Artesanato do Irã, afirmou que os números são baseados em avaliações preliminares e podem ser revisados ​​conforme novas avaliações forem realizadas. Ele disse que Teerã registrou o maior número de sítios afetados, com 63, seguida por Isfahan, com 23, e Golestan, com 12.

O ministro acrescentou que os ataques causaram danos generalizados ao patrimônio cultural em diversas regiões durante o período analisado. Entre os locais danificados estão o Palácio Golestan em Teerã, o Palácio Chehel Sotoun em Isfahan, a Mesquita Masjed-e Jame na mesma cidade e os sítios pré-históricos do Vale de Khorramabad.

O chefe do comitê de patrimônio da prefeitura de Teerã, Ahmad Alavi, afirmou na semana passada que os ataques aéreos danificaram pelo menos 120 locais de importância cultural ou histórica em todo o país desde o início da guerra. Ele citou o Palácio de Mármore de Teerã, a Casa Teymourtash e o complexo do Palácio Saadabad, um dos pontos turísticos mais visitados da capital.

A Unesco (agência da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura) confirmou que “diversos sítios de importância cultural inestimável” na região foram afetados e danificados durante a guerra. Reiterou seu apelo à máxima contenção para poupar os “alicerces sociais das sociedades” e reafirmou a obrigação das partes de respeitar o direito internacional. O Irã abriga 29 sítios listados pela Unesco. Veja alguns:

Palácio Golestan

O suntuoso Palácio Golestan é uma obra-prima da era Qajar, que incorpora a bem-sucedida integração das artes e arquitetura persas tradicionais com influências ocidentais. O palácio murado, um dos conjuntos arquitetônicos mais antigos de Teerã, tornou-se a sede do governo da família Qajar, que ascendeu ao poder em 1779 e fez de Teerã a capital do país.

O Palácio foi construído no século 16 – Foto: Atta Kenare / AFP

Construído entre 1524–1576 em torno de um jardim com lagos e áreas ajardinadas, as características mais marcantes e a riqueza ornamental do palácio datam do século 19. Ele se tornou um centro das artes e da arquitetura Qajar, das quais é um exemplo notável, e permanece como fonte de inspiração para artistas e arquitetos iranianos até os dias de hoje. Representa um novo estilo que incorpora artes e ofícios tradicionais persas com elementos da arquitetura e tecnologia do século 18.

Interior danificado do histórico Palácio Golestan em Teerã, em 4 de abril de 2026 – Foto: Atta Kenare / AFP

Palácio de Chehel Sotoun

Construído em 1647 em Isfahan, Irã, o pavilhão foi encomendado por Abbas, o Grande, e concluído por Shah Abbas II, ambos da dinastia Safávida, principalmente para entretenimento e recepções da realeza. O Jardim Chehel Sotoun, juntamente com outros oito jardins localizados no Irã, foi inscrito como Patrimônio Mundial dos Jardins Persas em 2011.

O Palácio de Chehel Sotoun é um dos Patrimônios Culturais do Irã – Foto: Wikicommons

O Palácio danificado por ataques de Israel – Foto: Agência Hrana

Vale de Khorramabad

Os sítios pré-históricos do Vale de Khorramabad incluem cinco cavernas e um abrigo rochoso, situados em um estreito corredor ecológico rico em água, flora e fauna. A ocupação humana remonta a 63 mil anos, com evidências dos períodos Paleolítico Médio e Superior.

Esses sítios revelam as culturas Musteriense e Baradostiana, oferecendo informações sobre a evolução humana inicial e a migração da África para a Eurásia. Artefatos como objetos decorativos e ferramentas de pedra avançadas destacam o desenvolvimento cognitivo e tecnológico dos primeiros humanos nas Montanhas Zagros. A área permanece pouco explorada, apresentando um potencial significativo para futuras descobertas arqueológicas.

Caverna de Yafteh, no Vale de Khorramabad – Foto: Mohammadreza Mahmoodi/Unesco

Editado por: Thaís Ferraz

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