Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña presta depoimento após ser colocado em prisão domiciliar

BC do Paraguai diz ter devolvido dinheiro a 1,2 milhão de clientes do Ueno Bank

Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña presta depoimento após ser colocado em prisão domiciliar
Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña presta depoimento após ser colocado em prisão domiciliar

Douglas Gavras-assunção, Paraguai (folhapress) - 07/11/2026 15:55:25 | Foto: Fernando Frazão - Agência Brasil

O presidente destituído do Paraguai Santiago Peña deixou o batalhão militar em Assunção onde passou a noite detido e foi prestar depoimento no Ministério Público, no centro da capital. Ele saiu da instalação militar por volta das 11h deste sábado (7).

Peña havia sido detido em sua residência, nas imediações da capital paraguaia, ainda na noite de sexta-feira (6), após o Senado aprovar seu impechment. Sua destituíção coroa uma semana turbulenta, marcada pelo escândalo de fraudes envolvendo o Ueno Bank, principal banco digital do país, com 2,9 milhões de clientes -o país tem cerca de 7 milhões de habitantes.

Já na madrugada, manifestantes que se reuniam nas proximidades do imóvel em protesto levaram as autoridades do país a transferir o político para o Regimento Escola Presidencial, que fica em meio a outras unidades militares no bairro Ciudad Nueva.

A partir do depoimento do agora ex-presidente, as autoridades do país devem definir se Peña voltará para a unidade militar. A advogada Macarena Chilavert, 38, protestava em frente ao prédio do Ministério Público enquanto Peña prestava depoimento. "Tenham medo do povo paraguaio, o povo precisa ter memória e castigar esses corruptos nas próximas eleições. Eu não votei nesse economista, que diziam que era um gênio e agora está detido", disse ela em um megafone.

O funcionário público Carlos Sosa, 69, saiu de casa, próximo do prédio do órgão público, segurando um cartaz improvisado com a frase "Um por um, todos têm que cair". "Estou indignado e vim para protestar, pois não é só Peña, são todos eles desse grupo", afirma. "Tive depósitos no Ueno, saí por ter percebido que havia algo estranho ali, era muito dinheiro que ninguém sabia de onde vinha."
Na esteira do escândalo do Ueno Bank, a Justiça investiga o político por supostos atos de lesão à confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. A investigação respingou em Peña, ex-investidor da holding do banco e responsável por, em 2023, nomear Carlos Carvallo Spalding, então presidente-executivo da companhia, para a presidência do Banco Central. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana.

O presidente é acusado de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do Ueno, e de omissão na fiscalização por parte do Banco Central. Peña supostamente teria intervindo de maneira indevida no órgão que administra as aposentadorias e a saúde dos trabalhadores. O Ueno Bank administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo da Previdência.

Além do depoimento previsto para este sábado, o Ministério Público vai investigar mais provas para determinar a extensão das responsabilidades de Peña.

BC do Paraguai diz ter devolvido dinheiro a 1,2 milhão de clientes do Ueno Bank

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Banco Central do Paraguai anunciou neste sábado (7) ter devolvido o dinheiro a 1,2 milhão de clientes do Ueno Bank, banco digital envolvido em uma crise de solvência na última semana.

Segundo informações apresentadas pelo presidente interino do Banco Central do país, Pedro Acosta, e pelo presidente do FGD (Fundo de Garantia de Depósitos), José Maciel, em entrevista coletiva, os pagamentos já totalizam R$ 880 milhões (ou US$ 160 milhões).

O número de clientes que receberam os valores corresponde a 41% do total de clientes que a instituição possuía (2,9 milhões). O Paraguai tem cerca de 7 milhões de habitantes.

Acosta explicou que, no primeiro dia das transferências, na quinta-feira (5), foram atendidos os clientes que tinham até R$ 8.800 depositados no Ueno. Na segunda etapa, foram efetivados os pagamentos para quem tinha nas contas valores entre R$ 8.800 e R$ 200,8 mil, limite máximo coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos.

Grande parte dos pagamentos é coberta pelo fundo. Segundo o Banco Central local, o mecanismo tem capacidade para cobrir os depósitos de 97% dos clientes do banco.

Quem tem depósitos acima desse limite terá de aguardar o balanço definitivo elaborado pela Superintendência de Bancos, que avaliará até que ponto será possível cobrir os valores excedentes.

A derrocada do Ueno Bank levou o Paraguai a uma crise institucional. O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso na sexta-feira (6), horas depois da aprovação de seu impeachment pelo Congresso, que o retirou do cargo, em razão de sua relação com a instituição.

Peña é ex-investidor da holding do banco e foi responsável por nomear, em 2023, Carlos Carvallo, então presidente-executivo da companhia, para a presidência do Banco Central do Paraguai. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana e também teve uma ordem de prisão expedida na sexta-feira.

A crise do Ueno Bank se agravou após o índice de solvência da instituição, indicador que mede sua capacidade de absorver perdas, cair para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório exigido no país, de 12%.

Uma série de investigações identificou problemas na avaliação de risco de crédito, inconsistências nas informações financeiras utilizadas para aprovar empréstimos e operações com empresas relacionadas aos acionistas do banco.

Segundo o então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, as investigações também identificaram empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador da instituição.

O banco também administra mais de US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em recursos públicos, incluindo valores do Instituto de Previdência Social, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias.

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