Frei Gilson, 39, é sacerdote católico nascido em São Paulo e integrante do Instituto dos Freis Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo. Ele atuou por nove anos na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na Diocese de Santo Amaro
Fernanda De Souza São Paulo, Sp (folhapress) - 26/04/2026 07:04:23 | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
A repercussão de declarações do Frei Gilson sobre o papel da mulher reacendeu o debate sobre os limites entre liberdade religiosa e possíveis manifestações de preconceito no Brasil. O caso ganhou força após críticas públicas da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que classificou a fala do religioso como misógina.
O episódio ocorre em um momento sensível no Congresso. Soraya foi relatora, no Senado, do projeto de lei aprovado em março que classifica a misoginia como crime de preconceito e discriminação. O texto define misoginia como qualquer conduta que expresse ódio, aversão ou desprezo contra mulheres, baseada na crença de supremacia masculina.
Defensora da proposta, a senadora tem afirmado que "não se pune opinião, mas conduta", em resposta a críticas sobre possível censura. Ainda assim, o caso envolvendo o frei levanta preocupações em setores religiosos, que temem que interpretações bíblicas possam vir a ser enquadradas como preconceito por contrariarem determinadas visões contemporâneas.
A controvérsia ganhou visibilidade após Soraya compartilhar, na rede social X, um vídeo em que Frei Gilson discursa para fiéis sobre empoderamento feminino e liderança masculina. Na fala, ele cita um trecho bíblico de Gênesis 2:18 ("Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea") para abordar a relação entre homens e mulheres.
Ao comentar a publicação, a senadora criticou o conteúdo, chamando o religioso de "falso profeta" e acusando-o de misoginia. Em sua manifestação, também recorreu a referências bíblicas, citando o terceiro mandamento (Êxodo 20:7) para argumentar que líderes religiosos estariam "usando o nome de Deus em vão".
"Mais um falso profeta. São freis, padres, pastores, pais de santo, políticos e etc. usando o nome de Deus em vão", escreveu a senadora.
Procurada, a assessoria de Frei Gilson informou, em nota, que o religioso "dedica-se integralmente ao seu ministério pastoral e às atividades inerentes à sua vocação religiosa". Segundo o comunicado, "como prática, preservamos essa rotina e não encaminhamos as repercussões públicas".
Frei Gilson, 39, é sacerdote católico nascido em São Paulo e integrante do Instituto dos Freis Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo. Ele atuou por nove anos na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na Diocese de Santo Amaro.
Além da atuação religiosa, o frei ganhou projeção nas redes sociais e também na música, acumulando milhões de seguidores. Ao longo dos anos, suas declarações públicas têm gerado tanto apoio quanto críticas.
Na mesma publicação, a senadora também afirmou: "Nasci em berço católico e posso dizer que esse frei não me representa. Ele já passou de todos os limites possíveis de intolerância religiosa, misoginia e etc. Espero que nossa Igreja Católica tome severas providências."
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