Veja o que dizem mensagens no celular de Vorcaro sobre André Mendonça e filhos de Fux e Kassio

Governo do DF pede que STF obrigue União a ser fiadora em empréstimo para socorrer BRB

Veja o que dizem mensagens no celular de Vorcaro sobre André Mendonça e filhos de Fux e Kassio
Veja o que dizem mensagens no celular de Vorcaro sobre André Mendonça e filhos de Fux e Kassio

Idiana Tomazelli-brasília, Df (folhapress) - 15/09/2026 15:49:05 | Foto: BRB Card

MÔNICA BERGAMO, JOÃO GABRIEL, JOSÉ MARQUES, RAQUEL LOPES E CATIA SEABRA-SÃO PAULO, SP E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e reveladas nesta terça-feira (15) apontam contatos e relações com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e com os filhos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

Os três magistrados, dois dos quais -Mendonça e Kassio- foram indicados ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atuam em conjunto em oposição à ala da corte que reúne Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Dino e Zanin foram indicados ao Supremo pelo presidente Lula (PT) após terem sido ministro da Justiça e advogado pessoal do petista, respectivamente.

O conteúdo integral do celular de Vorcaro foi entregue nesta segunda (14) pela PF aos gabinetes de Zanin, Gilmar e Moraes. Eles pediram o conteúdo sob a justificativa de que era necessário para a análise que ocorre nesta terça (15) sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro.

Veja abaixo o que foi revelado sobre os ministros nesta terça-feira (15).

ANDRÉ MENDONÇA
Vorcaro foi convidado pelo menos duas vezes para eventos Instituto Iter, fundado por Mendonça. Em um caso, ele participaria de um debate no hotel Fasano de Belo Horizonte com o próprio ministro do STF para "poucos convidados, que foram selecionados pelo Iter", segundo um interlocutor. Não está claro se Vorcaro compareceu.

Em abril de 2024, Vorcaro conversou com um advogado identificado como Marcus Vinicius sobre uma reunião com Mendonça. "O André Mendonça me chamou lá no STF às 16 hs. Posso ir com vc agora ou às 17 hs?", escreveu o advogado. Vorcaro respondeu que poderia encontrá-lo às 18h. Na sequência, o interlocutor afirmou que aguardaria o ex-banqueiro em seu escritório.

No dia seguinte, Vorcaro voltou a procurar Marcus Vinicius e perguntou se ele queria se encontrar "17 ou quando liberar". A conversa indica que o advogado estava em compromisso no STF e combinava posteriormente o encontro com o então banqueiro.

Em julho de 2024, Vorcaro perguntou sobre a situação de um caso no Supremo. O interlocutor respondeu que "tudo tem como o amigo" [sic], mas que o processo seria julgado no dia 6 de agosto e que aguardava outros andamentos processuais.

Outro conjunto de mensagens registra contatos de Vorcaro com o advogado Ciro Soares. Como já se sabia, em 8 de fevereiro de 2025, Ciro mostrou uma foto para Daniel Vorcaro dizendo que estava com o ministro André Mendonça.

Já no dia 16 de fevereiro escreveu ao ex-banqueiro: "Opa Dani!!! Preciso muito falar com vc. O A.M quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes". No dia seguinte, Ciro informou que estava saindo de Brasília, disse que precisava falar com ele e acrescentou que poderia marcar "às 18hs".

As conversas não explicitam nesse trecho quem é "A.M.", mas outros registros do material mostram Ciro em contato com Vorcaro sobre André Mendonça.

Em março, as tratativas ficam mais explícitas. O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), alvo de operação da PF desta segunda, avisou Vorcaro em 13 de março de 2025: "Amanhã sexta feira 17:00 com ministro André em São Paulo". Vorcaro respondeu "Show" e "Marcado". No dia seguinte, pouco antes do horário combinado, escreveu: "Fala amigo" e "Estou a caminho". Cezinha respondeu: "Ministro já está te esperando".

KASSIO NUNES MARQUES
Vorcaro tratou de pagamentos que seriam destinados ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio, por meio da Consult Inteligência Tributária.

As mensagens que revelaram a relação foram trocadas entre Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, e Vorcaro. Nelas, Rennó fala em pagamentos mensais de R$ 500 mil.

Rennó repassou ao ex-controlador do Master, no dia 1 de outubro de 2024, a informação de que o STF tinha tomado uma decisão favorável a uma destilaria que receberia indenização bilionária da União. Vorcaro tinha negócios e interesse na área, já que o Master mantinha em seu balanço carteira de precatórios do setor sucroalcooleiro estimada em R$ 10 bilhões.

Votaram a favor da tese os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Ficaram vencidos Gilmar Mendes e André Mendonça.

Nunes Marques inicialmente se declarou impedido de votar, mas depois reviu a posição e desempatou o julgamento a favor da destilaria. Em seguida, Rennó envia o print com os contatos de Kevin Marques, e embaixo a legenda: "Dominado aqui".

No ano seguinte, em 4 de julho de 2025, Rennó volta a falar do assunto com Vorcaro. Ele envia o print com os mesmos contatos de Kevin Marques e escreve: "Esse aqui _ 500 mil mês - mantém? Kkkkkkkkk. Então esse aqui já era, né?". Vorcaro responde: "Kkkkkkk".

Em 8 de agosto de 2025, Rennó diz a Vorcaro: "Dos pagamentos essenciais está faltando a Consult". Em seguida, envia o mesmo print com os contados de Kevin Marques, e escreve: "Aqui. Esse aí. Único 'meu' que faltou".

LUIZ FUX
As mensagens mostram ainda que Vorcaro era próximo do advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do STF. Rodrigo pediu ao ex-banqueiro que informações sobre um compromisso em Londres fossem enviadas à secretária do pai no Supremo.

Houve ainda encontros presenciais e conversas entre Rodrigo Vorcaro. Em diferentes momentos da conversa, o filho do ministro trata Daniel Vorcaro como "irmão". Em 17 de maio de 2024, por exemplo, o advogado inicia uma conversa com "Fala irmão. Tudo bem?".

Em dezembro de 2024, quando combinavam um horário para uma reunião, Rodrigo, após confirmação, escreveu: "Tapete vermelho irmão". Vorcaro respondeu: "Valeu irmao!".

Um mês antes, em novembro de 2024, o ex-banqueiro procurou o advogado e afirmou: "Quero te chamar pra me ajudar num caso". Rodrigo respondeu que seria um prazer ajudar e os dois marcaram uma videoconferência. Depois da conversa, Vorcaro enviou um documento, e Rodrigo afirmou que iria analisá-lo.

Em fevereiro de 2025, Rodrigo fez referência a outro compromisso. "Já está a par do encontro de hoje né?", perguntou. Vorcaro respondeu: "Sim! Vc é fera". "Será um grande dia", afirmou o advogado. O trecho das mensagens, porém, não identifica os participantes desse encontro e, isoladamente, não permite afirmar que se tratava de uma reunião com Luiz Fux.

A conexão direta com o ministro aparece, entretanto, nas conversas de março. No dia 11, Rodrigo procurou Vorcaro para marcar uma reunião em Brasília. Disse que precisava "alinhar algumas questões" e afirmou que, antes, passaria pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. O encontro inicialmente seria realizado naquela noite, mas Vorcaro ainda estava em São Paulo à espera de um voo. Os dois decidiram então deixar a conversa para a manhã seguinte.

Rodrigo sugeriu 10h ou 10h30, e Vorcaro escolheu o segundo horário. "Fechado", respondeu o advogado. Às 10h12 do dia 12 de março, Rodrigo escreveu: "Bom dia. 10:30hs tô aí".

Poucas horas depois, às 13h29, Rodrigo voltou a procurar Vorcaro e perguntou: "Qual a data de Londres mesmo?". Em seguida, pediu que o material fosse enviado ao seu próprio email e acrescentou: "E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim". O endereço informado pelo advogado tinha domínio institucional do STF. Vorcaro respondeu: "Vou pedir!".

Vorcaro foi chamado a coquetel de instituto de Mendonça com 'poucos convidados', indicam mensagens

JOÃO GABRIEL, JOSÉ MARQUES, RAQUEL LOPES E CATIA SEABRA-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, indicam que ele foi convidado pelo menos duas vezes para eventos Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Um dos convites foi feito em maio de 2025, por um interlocutor, para o lançamento do instituto em Minas Gerais. O comunicado cita nominalmente o nome Daniel, um coquetel no hotel Fasano de Belo Horizonte e menciona um debate, com o próprio Mendonça e o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Antonio Anastasia, para "poucos convidados, que foram selecionados pelo Iter".

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O instituto confirmou o convite, mas ressaltou que ele foi feito "por terceiros". Depois "o convite [foi] negado pelo CEO do Iter [Victor Godoy] e [ele] precisou ser 'desconvidado'", completou o Iter, em nota.

Procurado por meio de mensagem à sua assessoria de imprensa, na manhã desta terça-feira (15), Mendonça não respondeu até a publicação deste texto. A reportagem também contatou o gabinete de Anastasia, mas não houve retorno até o momento.

As mensagens não deixam claro se Vorcaro foi ao evento. O ex-banqueiro também recebeu um segundo convite, para um debate agendado para julho, também em razão do lançamento do Iter em Minas Gerais.

O ministro decidiu deixar o instituto em 3 de setembro. Como mostrou a Folha de S.Paulo, a entidade fundada por Mendonça recebeu R$ 11,5 milhões em 68 contratos sem licitação com órgãos públicos de 15 estados desde 2024.

Atualmente, Mendonça é o relator da investigação contra o Banco Master, de Daniel Vorcaro, no Supremo. Ele assumiu o caso em fevereiro de 2026, depois dos convites e da data prevista para eventos.

O conteúdo integral do celular de Vorcaro foi entregue nesta segunda-feira (14) pela Polícia Federal aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Eles pediram o conteúdo sob a justificativa de que era necessário para a análise que ocorre nesta terça-feira (15) sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro.

A partir do conteúdo do celular, já vieram a público nesta terça pagamentos que seriam destinados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques, e contatos com Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux.

Após a revelação, Kassio se declarou suspeito e deixou a sessão.

Sobre Mendonça, as informações extraídas pela PF mostram que Vorcaro recorreu a diferentes interlocutores para tentar chegar ao ministro. As conversas vão de abril de 2024 a maio de 2025 e incluem acertos de horários para reuniões, referências a julgamentos e a organização de um encontro presencial com o ministro, em São Paulo.

Em abril de 2024, Vorcaro conversou com um advogado identificado como Marcus Vinicius sobre uma reunião com Mendonça. "O André Mendonça me chamou lá no STF às 16 hs. Posso ir com vc agora ou às 17 hs?", escreveu o advogado. Vorcaro respondeu que poderia encontrá-lo às 18h. Na sequência, o interlocutor afirmou que aguardaria o ex-banqueiro em seu escritório.

No dia seguinte, Vorcaro voltou a procurar Marcus Vinicius e perguntou se ele queria se encontrar "17 ou quando liberar". A conversa indica que o advogado estava em compromisso no STF e combinava posteriormente o encontro com o então banqueiro.

As mensagens também mostram discussões sobre processos em julgamento no Supremo. Em julho de 2024, Vorcaro perguntou sobre a situação de um caso na corte. O interlocutor respondeu que "tudo tem como o amigo", mas que o processo seria julgado no dia 6 de agosto e que aguardava outros andamentos processuais.

Outro conjunto de mensagens registra contatos de Vorcaro com o advogado Ciro Soares. Como já se sabia, em 8 de fevereiro de 2025, Ciro mostrou uma foto para Daniel Vorcaro dizendo que estava com o ministro André Mendonça.

Já no dia 16 de fevereiro escreveu ao ex-banqueiro: "Opa Dani!!! Preciso muito falar com vc. O A.M quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes". Vorcaro respondeu perguntando sobre uma quarta-feira. No dia seguinte, Ciro informou que estava saindo de Brasília, disse que precisava falar com ele e acrescentou que poderia marcar "às 18hs".

As conversas não explicitam nesse trecho quem é "A.M.", mas outros registros do material mostram Ciro em contato com Vorcaro sobre André Mendonça.

Em março, as tratativas ficam mais explícitas. Cezinha Madureira avisou Vorcaro em 13 de março de 2025: "Amanhã sexta feira 17:00 com ministro André em São Paulo". Vorcaro respondeu "Show" e "Marcado". No dia seguinte, pouco antes do horário combinado, escreveu: "Fala amigo" e "Estou a caminho". Cezinha respondeu: "Ministro já está te esperando".

O material indica, portanto, que Vorcaro não apenas buscava interlocução com pessoas próximas a Mendonça, mas chegou a ter ao menos um encontro organizado diretamente com o ministro em março de 2025. O documento, porém, não informa o conteúdo da conversa ocorrida nessa reunião.

As mensagens ainda registram contatos posteriores. Em maio de 2025, Ciro Soares encaminhou informações sobre o evento do Iter em Belo Horizonte.

Nesse diálogo, porém, Ciro reclama que "o homem pede para lhe chamar pro evento e Cezinha acha melhor vc não ir." Depois acrescentou que ele e Jarbas não viam problemas na participação e pediu que Vorcaro ligasse quando pudesse.

O convite dizia que Mendonça participaria do evento ao lado de autoridades e especialistas para discutir "o papel das instituições públicas nas reformas estruturais do Estado: eficiência e desenvolvimento econômico".

Vorcaro acionou ex-diretor do BC, seu 'anjo na vida', contra mudança em fundo de pensão, mostra PF

RAQUEL LOPES E NATHALIA GARCIA-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, pediu o apoio de Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, para tentar impedir mudanças nas regras envolvendo investimentos feitos por fundos de previdência.

A alteração afetaria a estratégia do Master de vender letras financeiras para regimes de previdência complementar de servidores públicos.

As informações constam de relatório da PF enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal). A publicação dos documentos foi determinada pelo ministro André Mendonça a pedido de Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), em meio à grave crise institucional na Corte.

A reportagem procurou por mensagem via WhatsApp, às 13h20, os advogados dos dois ex-gestores do BC, mas ainda não obteve retorno.

Em mensagem enviada em 24 de maio de 2024, Vorcaro afirmou que precisava de "ajuda do Bacen num tema" e disse que grandes bancos estariam atuando na Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) para retirar instituições classificadas como S3 de uma lista de investimentos institucionais.

O grupo Master era classificado pelo regulador como um conglomerado de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, com ativos que respondem de 0,1% a 1% do PIB (Produto Interno Bruto). Ele detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do sistema financeiro nacional.

Segundo Vorcaro, a alteração, combinada com uma nova regra do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), prejudicaria seus negócios.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, regimes de previdência de estados e municípios concentraram até 20% de seu patrimônio em títulos sem garantia do Banco Master. Ao todo, 18 entidades aplicaram na instituição R$ 1,87 bilhão em letras financeiras do Master, que deveriam trazer rendimentos para bancar aposentadorias e pensões no futuro.

O Rioprevidência, que cuida das aposentadorias e pensões de servidores do estado do Rio, colocou R$ 970 milhões -o maior valor absoluto entre os que adquiriram títulos do banco de Vorcaro. Destacam-se também Amprev (Amapá), com R$ 400 milhões, e o Iprev de Maceió, com R$ 97 milhões.

"Isso aliado à nova regra do FGC é uma grande sacanagem e atrapalha muito", escreveu Vorcaro, segundo a reprodução da conversa feita pela PF. O relatório classifica o episódio como um "pedido de intervenção a Paulo Sérgio junto ao BCB para atender aos interesses de Vorcaro".

O banco de Vorcaro tinha como principal estratégia vender CDBs (Certificados de Depósito Bancário), investimento de renda fixa com alta remuneração, usando a cobertura do FGC como atrativo. Com os recursos captados, o banco comprava ativos de risco não bancários, como precatórios, pré-precatórios e ações de empresas.

No diálogo reproduzido no documento, Paulo Sérgio responde ao banqueiro que seria necessário acompanhar a publicação de atos relacionados ao tema e verificar o enquadramento do banco. Vorcaro, então, reforça o pedido de ajuda.

O episódio integra um conjunto mais amplo de mensagens que, na avaliação da PF, indica que Paulo Sérgio atuava como uma espécie de consultor informal de Vorcaro dentro do Banco Central.

Em mensagem enviada em 25 de julho de 2024, Vorcaro orientou seu cunhado e operador Fabiano Zettel a tratar bem Paulo Sérgio por ele estar sendo "um anjo na vida" do ex-banqueiro.

Paulo Sérgio atuou como diretor de Fiscalização da autoridade monetária entre 2017 e 2023 e, depois disso, assumiu o posto de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária.

As conversas analisadas pela PF datam a partir de outubro de 2023. Em dezembro daquele ano, Paulo Sérgio discutiu com Vorcaro operações envolvendo braços do conglomerado Master, como Voiter, Will Bank e Letsbank.

Segundo a investigação, o ex-diretor do BC empenhou-se na negociação do Banco Voiter em tempo recorde e atuou como intermediário para tentar vender o Letsbank a compradores como Daniel Wainstein e o Nubank, repassando informações de mercado e solicitando valores ao próprio Vorcaro para transmitir aos interessados.

Em uma das trocas de mensagens, Paulo Sérgio classificou uma demanda apresentada pelo então banqueiro como "prioridade absoluta".

O ex-diretor do Banco Central também teria alertado Vorcaro, em 17 de fevereiro de 2025, de uma operação envolvendo a saída de R$ 488 milhões do fundo Reag Growth 95 e a entrada de R$ 545 milhões da Master Holding Financeira.

Segundo a PF, Paulo Sérgio diz que essa operação havia caído em uma espécie de malha fina na área de monitoramento, mas não especificou qual seria. "Pois essa movimentação caiu no filtro da área de monitoramento", diz em mensagem a Vorcaro.

Para a PF, a conversa indica que o então integrante do BC antecipava ao banqueiro informações sobre operações que haviam chamado a atenção da fiscalização.

A proximidade entre Paulo Sérgio e Vorcaro aparece desde o início das conversas analisadas pela PF. Em outubro de 2023, assim que assumiu a chefia-adjunta do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Paulo Sérgio enviou espontaneamente ao banqueiro sua própria portaria de nomeação. Para os investigadores, o gesto demonstrava o interesse do servidor em informar Vorcaro sobre sua nova posição.

O relatório também mostra a atuação do até então chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana a favor de Vorcaro. No caso desse servidor, a PF fala em possíveis vazamentos de informações, consultorias sobre documentos do Banco Master destinadas a instituições públicas e encontros na residência de Vorcaro.

Em 2 de outubro de 2025, segundo a PF, o próprio Belline criou um grupo com Vorcaro e Paulo Sérgio para "facilitar a interlocução entre os envolvidos". Os investigadores dizem que o conteúdo mostra uma espécie de consultoria prestada ao banqueiro, por mensagens, ligações e revisão de documentos.

Logo na primeira manifestação no grupo, Belline discute a redação de um documento e questiona a necessidade ou adequação de uma expressão relacionada à Diretoria de Fiscalização do BC.

Em março de 2025, Belline chegou a demonstrar preocupação com a situação do Master e escreveu a Vorcaro: "Precisamos chegar do outro lado. Força!!!". Para a PF, o uso da primeira pessoa do plural indicava que o então chefe de departamento se colocava ao lado do banqueiro e compartilhava de seus interesses na tentativa de superar as dificuldades enfrentadas pelo banco.

Como mostrou outra reportagem da Folha de S.Paulo, os ex-diretores se beneficiaram do esquema. Vorcaro bancou viagens e jantares internacionais para os dois servidores, além de pagamentos. De acordo com a investigação, Vorcaro teria custeado parte de uma viagem de Belline com a esposa para Paris e do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio para a Disney, nos Estados Unidos.

Documentos indicam que Vorcaro sabia da prisão e se preparou para fugir

RAQUEL LOPES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Documentos da Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria tido conhecimento antecipado de que seria alvo da operação que resultou em sua prisão. Ele foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

Para os investigadores, uma sequência de mensagens, anotações e movimentações encontradas no celular do ex-banqueiro revela que informações sigilosas sobre a investigação chegaram até ele nas semanas anteriores à ação policial.

As informações constam de relatório da PF enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal). A publicação dos documentos foi determinada pelo ministro André Mendonça a pedido de Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), em meio à grave crise institucional na Corte.

A reportagem procurou todos os envolvidos por WhatsApp às 8h40, mas ainda não obteve retorno.

Os registros mostram que o acesso de Vorcaro a informações reservadas se intensificou à medida que a operação se aproximava. Em 17 de outubro de 2025, houve uma reunião restrita entre integrantes da Polícia Federal e do Banco Central para tratar das apurações sigilosas envolvendo o Master.

Quatro dias depois, em 21 de outubro, Vorcaro registrou no aplicativo de notas de seu celular os nomes completos de delegados e agentes da PF e de procuradores da República envolvidos no caso.

Em 30 de outubro, o banqueiro fez uma nova anotação, intitulada "De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados". No texto, afirmava que as informações recebidas eram 100% confiáveis por terem partido de pessoas que participavam diretamente das discussões e ressaltava que não poderia 'queimá-los'.

Segundo a PF, os indícios de acesso a informações protegidas avançaram também sobre o que ocorria no Poder Judiciário. Em 16 de novembro, dois dias antes do cumprimento dos mandados, Vorcaro salvou uma anotação na qual perguntava se um interlocutor tinha proximidade com o juiz federal Ricardo Soares Leite, titular da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, responsável pelas medidas cautelares sigilosas da investigação.

Na manhã seguinte, véspera da operação, a movimentação de Vorcaro se intensificou. Às 7h28 de 17 de novembro, ele recebeu mensagens urgentes do advogado Walfrido Warde. A partir daquele momento, segundo os registros analisados pelos investigadores, o banqueiro alterou seu roteiro e passou a organizar uma viagem para fora do país.

Paralelamente, Vorcaro manteve contato com o jornalista Diego Escosteguy, apontado na investigação da PF como beneficiário de repasses financeiros do esquema. Pouco depois das 11h, o site O Bastidor publicou uma reportagem revelando a existência de um inquérito contra o Banco Master na 10ª Vara Federal do Distrito Federal.

Escosteguy disse, em nota, que, ao contrário do que indica representação da PF, a relação com o empresário citado nos autos sempre foi estritamente profissional, no âmbito da atividade jornalística. Disse ainda que os valores recebidos referem-se a contratos de patrocínio e publicidade, prática regular no mercado de comunicação.

"Uma simples leitura da referida matéria demonstra que não se antecipou ou insinuou qualquer operação ou medida cautelar contra quem quer que seja. Não houve direcionamento de conteúdo por parte de terceiros, tampouco qualquer comprometimento da autonomia jornalística", disse.

Vorcaro encaminhou a reportagem a Warde. O advogado, então, utilizou a publicação como fundamento para protocolar uma petição urgente em busca de acesso aos autos, que até aquele momento corriam sob sigilo. Em mensagens trocadas ao longo do dia, Warde afirmou a Vorcaro que estava infernizando o magistrado responsável pelo caso pelo WhatsApp.

Ao mesmo tempo, Vorcaro buscava construir uma justificativa formal para deixar o Brasil naquela noite. Segundo a investigação, ele acionou os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, apontados pela PF como cooptados pelo grupo, em uma conversa no WhatsApp. Os dois teriam atuado para viabilizar uma reunião virtual de emergência com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino.

A videoconferência foi realizada no início daquela tarde, sem gravação ou registro em ata. Nela, Vorcaro comunicou a suposta venda do Banco Master ao Grupo Fictor e afirmou que precisava viajar a Dubai naquela mesma noite para assinar contratos relacionados à operação.

Posteriormente, a defesa apresentou em habeas corpus uma declaração assinada por Paulo Sérgio sobre a reunião para sustentar que a viagem aos Emirados Árabes tinha finalidade empresarial e não representava uma tentativa de fuga.

A interpretação da Polícia Federal é diferente. Para os investigadores, a reunião foi articulada às pressas para produzir uma justificativa formal para a saída do banqueiro do país.

Documentos da Polícia Federal que também se tornaram públicos mostram que Vorcaro perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal.

A viagem, porém, não ocorreu. Na noite de 17 de novembro, agentes da Polícia Federal prenderam Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), quando ele se preparava para embarcar em um jato particular. No dia seguinte, 18 de novembro, a PF cumpriu os demais mandados da operação.

Ex-dono da Reag relata propinas de Vorcaro para autoridades públicas em delação

JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O empresário João Carlos Mansur, que era dono da Reag, diz em delação premiada fechada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) que fundos de investimentos geridos pela empresa serviram para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, do Banco Master, a autoridades públicas.

A colaboração foi enviada na última semana ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), e aguarda ser validada. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não prosseguiu com as tratativas.

Segundo pessoas com conhecimento da colaboração, Mansur descreve na proposta a participação da gestora e dos fundos de investimento usados no esquema do Master, assim como a de indivíduos que operavam como laranjas de Vorcaro.

A delação ajuda a corroborar o que as investigações já vêm apontando desde o ano passado sobre suspeitas de fraudes financeiras relacionadas a Vorcaro e à Reag.

Mas, além disso, fornece informações mais claras sobre como foram feitas essas operações financeiras, onde estão recursos que foram enviados para o exterior e como deve ser a recuperação desses recursos.

Procurada, a defesa de Vorcaro afirma que não teve acesso aos anexos da colaboração e, por isso, não tem como se manifestar. Também procurada, a defesa de Mansur não se manifestou.

Boa parte do dinheiro desviado no esquema ligado ao Master está fora do Brasil, em offshores (empresas registradas fora dos países de seus proprietários, normalmente em paraísos fiscais), segundo os investigadores.

A colaboração permite que esses valores sejam devolvidos ao país sem a necessidade, muitas vezes, de acordos com autoridades estrangeiras. Isso evita que alguns países cobrem um "pedágio" do Brasil e fiquem com um percentual da quantia recuperada.

Para fechar o acordo, além da recuperação dos recursos desviados, Mansur se comprometeu a pagar uma multa que, segundo revelou o UOL, é de R$ 40 milhões.

A Reag era uma das maiores gestoras independentes -ou seja, sem ligação com um único banco- do país.

Mansur deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração da empresa em setembro de 2025 para tentar conter a crise após a operação Carbono Oculto, que apurou a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em atividades da economia formal. A Reag era um dos principais alvos, acusada de ter hospedado recursos provenientes do crime em fundos sob sua gestão.

Como a Folha de S. Paulo mostrou em março, desde o fim do ano passado, ele já discutia a possibilidade de fazer um acordo de colaboração, inicialmente com o Ministério Público Federal em São Paulo, em conversas que não avançaram, e depois com o Ministério Público de São Paulo.

Em janeiro deste ano, o empresário foi alvo de buscas na segunda fase da operação Compliance Zero, que trata dos escândalos relacionados ao Banco Master. Ele não chegou a ser preso, nem está detido.

Logo depois, o Banco Central decretou a liquidação da Reag por "comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [sistema financeiro nacional]".

As investigações da Polícia Federal apontaram que Mansur é suspeito de ter usado fundos da gestora para ocultar o pagamento de propina em imóveis a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília).

Paulo Henrique também tentou firmar acordo de delação premiada com as autoridades, mas as negociações não foram adiante. Atualmente, ele está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada Papudinha. Vorcaro está preso no mesmo local.

A negociação de Mansur com a PGR começou ainda em fevereiro e só foi concluída em agosto. O empresário tentava fechar o acordo de forma simultânea com Vorcaro -que teve duas propostas rejeitadas pela PF e pela PGR. O advogado de ambos à época era José Luís Oliveira Lima, o Juca.

Mansur trocou de advogados e atualmente tem à frente da sua defesa Aloisio Lacerda Medeiros, especialista em crimes contra o sistema financeiro.

Em agosto, a PGR também fechou acordo de delação premiada com Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, dono da empresa que teria sido utilizada por Daniel Vorcaro para enviar recursos que financiariam "Dark Horse", filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Próximo de Vorcaro, Mineiro foi alvo de busca e apreensão na mesma fase que Mansur. Ele disse que era um dos responsáveis por fazer remessas financeiras e conseguir dinheiro vivo para Vorcaro. Esse dinheiro muitas vezes era entregue em malas, devido ao seu volume.

Investigadores avaliam que essas duas delações, em conjunto, diminuem a capacidade de negociação de Vorcaro para uma nova tentativa de colaboração.

Essa visão foi reforçada pelo depoimento dado por Vorcaro ao gabinete de Mendonça, no fim de agosto, no qual o ex-banqueiro se apresentou novamente como uma vítima do sistema e como uma pessoa perseguida pelo Banco Central.

O entendimento é de que nunca existiu disposição de Vorcaro para fechar uma delação e que, até o momento, ele não dá sinais de entender como crimes as suspeitas de fraudes cometidas pelo Master.

Liquidante amplia busca por bens de Vorcaro nos EUA e pede dados ao Bradesco e outros bancos

Diego Felix-São Paulo, Sp (Folhapress) - A EFB Regimes Especiais, que atua como liquidante do Banco Master, protocolou uma nova rodada de intimações nesta sexta-feira (4) a uma série de bancos e empresas no exterior, entre eles a unidade norte-americana do Bradesco na Flórida (EUA).

Os advogados do liquidante pedem registros de transferências bancárias e negócios intermediados pelas empresas em favor do ecossistema Master.

O objetivo é seguir mapeando os bens e ativos de Daniel Vorcaro, seus familiares e sócios fora do Brasil adquiridos com desvio de recursos do banco -atividade que os advogados da EFB vêm fazendo desde o final do ano passado, quando começou a disputa pelos negócios do ex-banqueiro nos Estados Unidos.

Entraram na lista de intimações os bancos Bradesco, Royal Business Bank e The Northern Trust International Banking Corporation. Além deles, estão a Vibe Overseas LLC, empresas do mercado imobiliário da Flórida, como a Global America Title Services e a Cosmic Realty Partners LLC e a concessionária de automóveis de luxo Vintage Point Corp.

Ao Bradesco, o liquidante pediu extratos de contas, transferências e comprovantes em valores que tenham superado US$ 500 (R$ 2.500), cheques, cartões de crédito, comunicações e emails trocados, empréstimos, hipotecas e a origem exata dos pagamentos e certificados de depósitos.

"Assim que receber a notificação, o banco analisará e atenderá às solicitações de informação", disse a instituição financeira.

A lista de 17 nomes e empresas inclui Vorcaro, ex-sócios e diretores do Master como Mauricio Quadrado, Luiz Antonio Bull e Reinaldo Hossepian, além de empresas como a 133 Investimentos e Participações, Master Holding Financeira e a offshore Titan Capital.

Pedidos semelhantes foram feitos ao Royal Business Bank e ao Northern Trust. Ainda foi incluída a Jaguar Multimarket Fund Ltd, empresa sediada nas Ilhas Cayman e que tem como beneficiário final Daniel Vorcaro, segundo as investigações.

No caso das empresas que operam no setor imobiliário, de vendas de veículos, arte e joias nos EUA, foram incluídos pedidos de documentos de compra e venda, contratos, escrituras e negociações, bem como a origem e destino do dinheiro nas transações.

Para a Global America Title Services, o liquidante indicou dois endereços específicos em Sabal Palm Road, em Bay Point, um dos condomínios fechados mais exclusivos de Miami.

Em um desses imóveis, que reúne 13 quartos em 1.930 m², foram movimentados mais de US$ 85 milhões na virada de 2024 para 2025, segundo dados do registro de imóveis de Miami, por uma empresa ligada a Michael Andreas Toth -um intermediador de negócios de Vorcaro fora do Brasil.

Toth também recebeu uma intimação direta para apresentar documentos de consignação de obras de arte, joias, relógios, instrumentos musicais e colecionáveis que tenham sido negociados por Vorcaro desde 2016. Ele já havia aparecido nas investigações do liquidante em casos envolvendo a compra de obras de arte feitas pelo ex-banqueiro.

A maior parte das empresas intimadas deverá enviar os documentos à Justiça Federal de Falências do Sul da Flórida até o dia 28 de setembro. Somente o Bradesco e o Royal Business Bank poderão reunir as provas até 1° de outubro.

O liquidante ainda marcou para o dia 5 de outubro o depoimento de Michael Andreas Toth ao tribunal. Entre os dias 9 e 19 de outubro, serão colhidos os depoimentos presenciais de representantes da Global America Title Services, Vintage Point, Vibe Overseas e da Cosmic Realty Partners.

Procurados, os advogados de Vorcaro não se manifestaram até o momento.

JATO GULFSTREAM
Nesta quinta-feira (3), o Sequor Law, escritório que representa a EFB nos Estados Unidos, também pediu ao juiz Scott Grossman que seja homologado um acordo de confidencialidade entre o liquidante e a Gulfstream Aerospace Corporation, fabricante de jatos executivos que vendeu uma aeronave a Vorcaro avaliada em R$ 538 milhões, em 2024.

A companhia já havia recebido uma intimação de produção de provas em 14 de julho, mas a fabricante de jatos disse que parte da documentação é sigilosa e pediu uma ordem protetiva antes de entregar os documentos.

O sigilo cobre informações sobre segredos comerciais e investigações regulatórias em andamento, ou cuja divulgação possa causar dano econômico.

A aeronave Gulfstream de Vorcaro é uma G-700 com matrícula N739G. No Brasil, a matrícula registrada era PS-MGG, em homenagem à ex-namorada Martha Gonçalves Graeff.

Governo do DF pede que STF obrigue União a ser fiadora em empréstimo para socorrer BRB

O governo do Distrito Federal ingressou com nova ação no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo à Corte que obrigue a União a ser fiadora de um empréstimo para socorrer o BRB (Banco de Brasília), que está em dificuldades financeiras após o rombo deixado pelas operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A gestão de Celina Leão (PP) vinha buscando um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para capitalizar o BRB e já havia recorrido ao STF pedindo flexibilização na regra que impedia a União de dar garantia à operação. O Distrito Federal deu entrada no processo de captação porque ele, como controlador, não tem recursos em caixa necessários para fazer o aporte no banco.

Dessa primeira ação, saiu um acordo que previa novo arranjo, no qual instituições financeiras seriam fiadoras da operação, e as contragarantias (para ressarcir os bancos em caso de inadimplência) viriam dos recursos vindos do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

Esse desenho, porém, não avançou diante de dificuldades e sob o argumento do FGC e dos bancos de que o BRB ainda não apresentou nenhum relatório operacional sobre a situação da instituição financeira desde que veio à tona o escândalo do Banco Master.

O Ministério da Fazenda já declarou diversas vezes que não pretende dar garantia soberana ao empréstimo para socorrer o BRB. O Distrito Federal não faz jus a essa concessão pelos critérios do Tesouro Nacional, uma vez que sua capacidade de pagamento é classificada como C, a segunda pior na escala do órgão. A União concede aval apenas para entes com notas A ou B, que indicam melhor situação financeira e menor risco de inadimplência.

Na nova ação, protocolada na noite desta quarta-feira (2), o governo do Distrito Federal, por meio de sua Procuradoria-Geral, pede que o STF determine à União "que conceda garantia à operação de crédito" descrita no acordo homologado anteriormente pela Corte, tendo as cotas de FPE e FPM como contragarantia.

O ente pede ainda que a União providencie "todos os atos de concessão e de formalização no prazo de 5 (cinco) dias corridos". Também solicita que o governo federal se abstenha de invocar o trecho do acordo que tratava da operação "sem que haja aval da União".

A petição pede ainda que o STF determine ao FGC que "celebre o contrato de mútuo no prazo de 05 (cinco) dias contados da constituição da estrutura de garantia", sob pena de multa diária.

O governo do DF solicitou ainda que a Corte determine ao Banco Central que, num prazo de cinco dias, "indique de forma exaustiva os atos de sua alçada necessários à operação e ao aporte, com o estágio de cada um". Também pede uma declaração de que a pendência de manifestação do BC "não constitui óbice à celebração do contrato de mútuo nem à constituição das garantias".

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