No último dia 10, foi sancionada a lei que autoriza a gestão de Ibaneis Rocha (MDB) a executar ações para socorrer o banco
Nathalia Garcia Brasília, Df (folhapress) - 27/03/2026 17:50:07 | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília
O governo do Distrito Federal pediu na última terça-feira (24) ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) R$ 4 bilhões em empréstimo para resolver o problema de capital do BRB (Banco de Brasília), após rombo deixado por operações com o Banco Master.
No último dia 10, foi sancionada a lei que autoriza a gestão de Ibaneis Rocha (MDB) a executar ações para socorrer o banco, como a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC ou instituições financeiras.
No documento, ao qual a reportagem teve acesso, o governador pede a liberação de recursos com a intenção de "assegurar a continuidade de serviços financeiros essenciais, o apoio a políticas públicas e a preservação de condições adequadas de liquidez e capital do BRB."
O BRB tem até a próxima terça (31) para mostrar como pretende cobrir o buraco no balanço deixado por transações com o Master e superar a crise. A solução passa por iniciativa do governo do Distrito Federal, que é o acionista controlador do BRB.
O banco enfrenta dificuldades para cumprir o prazo previsto para divulgação dos resultados de 2025, mas o Banco Central resiste a dar tempo extra para a instituição do Distrito Federal.
Na carta enviada ao FGC, o governo do DF diz que a operação tem quatro objetivos principais: "reforçar a posição de capital do BRB, elevando a resiliência a choques e assegurando continuidade de negócios; fortalecer a confiança de depositantes, investidores e contrapartes, mitigando riscos de contágio; preservar condições de liquidez em patamares compatíveis com a estratégia de gestão de ativos e passivos do banco; e contribuir para a manutenção da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional".
Como garantias para o empréstimo, a gestão de Ibaneis apresenta participações acionárias de empresas públicas do Distrito Federal, como Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), CEB (Companhia Energética de Brasília) e o próprio BRB, além de imóveis que pertencem ao Distrito Federal.
No plano que autoriza o governo do DF a executar ações para socorrer o banco, foram listados nove imóveis que podem ser vendidos, transferidos, usados como garantia em empréstimos ou na estruturação de fundos de investimento.
Existem ressalvas com relação aos imóveis selecionados pelo governo do Distrito Federal. O conjunto de propriedades foi avaliado preliminarmente em R$ 6,586 bilhões.
No último domingo (22), a Justiça do Distrito Federal proibiu o uso pela gestão de Ibaneis de uma área de 716 hectares, conhecida como Serrinha do Paranoá. Segundo ambientalistas, trata-se de um importante manancial hídrico da região. Esse terreno é avaliado em R$ 2,3 bilhões, equivalente a um terço do total de propriedades apresentadas pelo governo do Distrito Federal. Ainda cabe recurso da decisão.
Outro alvo de polêmica é o Centrad (Centro Administrativo do Distrito Federal), complexo construído para alocar a sede do governo local, que está há 12 anos sem uso e passa por um impasse jurídico.
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