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Indústria de alimentos aposta nas "carnes fakes". Subway e Burger King lançam carnes alternativas

Indústria de alimentos aposta nas Foto: Pixabay

Subway e Burger King lançam carnes alternativas que, segundo as empresas, têm sabor idêntico às originais. Onda vegana está transformando o setor e oferece novas oportunidades de negócios

Por Jaqueline Mendes-correio Braziliense - 13/08/2019 - 10:35:57

Poucos setores estão passando por uma transformação tão veloz quanto a indústria de alimentos. O aumento da obesidade da população mundial, a crescente preocupação com a saúde e os debates a respeito do direito à vida dos animais têm levado uma legião de pessoas do mundo inteiro a deixar de comer carne.

Isso não é exatamente novo. O que chama a atenção agora — e é aí que está a grande mudança — está associado a uma inovação: gigantes da área de alimentos estão investindo na chamada “carne fake”, como são chamados os produtos que imitam, com alto grau de precisão, o sabor original da proteína, mas sem conter um único elemento animal em seu processo produtivo.

Depois de empresas como Burger King, McDonald’s e Marfrig anunciarem recentemente projetos nessa área, ontem foi a vez de a rede de lanchonetes Subway apresentar seu projeto. A partir de setembro, o Subway vai testar um sanduíche feito com “almôndegas vegetais” em suas 685 unidades nos Estados Unidos e no Canadá, os principais mercados da empresa.

Se a iniciativa for bem-sucedida — e tudo indica que será, diante dos resultados positivos obtidos pelos concorrentes —, a ideia é levá-la para outros mercados, inclusive para o Brasil, ainda em 2019, ou no máximo até o primeiro trimestre do ano que vem.

O hambúrguer vegano do Subway foi desenvolvido em parceria com a startup americana Beyond Meat, umas das referências mundiais na produção de “carnes fakes”. Atualmente, os produtos da Beyond Metat são usados nos tacos do restaurante Del Taco, nos hambúrgueres da rede Carl’s Jr’s e em cadeias como Dunkin e Tim Hortons.

Em todos esses casos, a performance de vendas dos alimentos veganos da Beyond Meat justificou os altos investimentos feitos pelas empresas para contar com a inovação. Por enquanto, estima-se que o desenvolvimento das “carnes fakes” custe 20% a mais do que seu equivalente animal, mas essa diferença vem sendo reduzida ao longo dos anos. Em 2017, para se ter uma ideia, o percentual era de 50%.

“Não vai demorar para que esses custos sejam idênticos”, diz Eduardo Tancinsky, consultor especializado em marcas. “Quando isso ocorrer, a carne fake tende a ser um sucesso estrondoso. A questão do respeito aos animais é muito importante para os jovens, e a nova geração é que vai ditar como será o futuro da indústria.”

A Beyond Meat tem alcançado ótimos resultados financeiros. No primeiro trimestre de 2019, suas receitas triplicaram em relação ao mesmo período do ano anterior. Ontem, suas ações estavam sendo negociadas a US$ 165, levando o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 10 bilhões. Desde a primeira oferta de ações, em maio, os papéis da Beyond Meat valorizaram 550%.

Tendência

O Burger King é outro gigante que está à frente desse processo. Hoje, a rede, uma das maiores vendedoras de hambúrgueres do mundo, estreia no cardápio de todas as lojas dos Estados Unidos o “Impossible Whopper”, hambúrguer vegetal feito pela empresa em parceria com a startup Impossible Foods. O McDonald’s também aposta na tendência e planeja oferecer no futuro próximo uma variedade de opções veganas. Em Israel, já é vendida uma versão do Big Mac que não traz nenhum ingrediente de origem animal.

As carnes veganas vieram para ficar. No ano passado, as vendas nos Estados Unidos cresceram 11%, segundo dados divulgados recentemente pela Plant Based Foods Association. Também nos Estados Unidos, 25% das pessoas entre 25 e 34 anos são veganas. Há uma década, o índice era de 8%. No Brasil, segundo pesquisa do Ibope, 14% da população se declara vegana.

Há muitos indicadores positivos. Uma projeção feita pelo banco Barclays concluiu que o setor tem potencial para movimentar US$ 140 bilhões na próxima década, ou 10 vezes mais do que agora.

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