Mancha é acusado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa
São Paulo, Sp (uol/folhapress) - 04/07/2026 19:21:46 | Foto: Superior Tribunal de Justiça
Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como Mancha, apontado como aliado do PCC (Primeiro Comando da Capital), quase foi solto por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas uma decisão da Justiça de Minas Gerais barrou sua saída.
Mancha é acusado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Investigações o apontam como fundador da Tropa do Douglas, uma facção aliada ao PCC. Mancha foi preso em março, na Bolívia, em ação conjunta das polícias dos dois países. Ele era procurado pela Justiça Federal do Pará por suposto envolvimento em um esquema de tráfico que tentou levar mais de 300 kg de cocaína para Portugal, escondidos em uma carga de açaí. Além disso, possuía mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça de MG, sendo investigado por tráfico internacional e interestadual de drogas.
O ministro Messod Azulay Neto, do STJ, autorizou a soltura do acusado. A Justiça de MG também chegou a expedir o alvará de soltura e a impor medidas cautelares para que ele fosse colocado em liberdade. Antes que a ordem fosse cumprida, porém, uma nova decisão judicial, assinada na última quinta-feira, impediu sua saída da prisão.
STJ justificou a decisão alegando excesso de duração da prisão preventiva. Mancha se encontra preso há quatro meses e, de acordo com a decisão, esse tipo de prisão só pode ser imposta quando for "incabível" outra medida cautelar, menos grave. A decisão também cita o fato de ele ser sócio majoritário de uma empresa de delivery, ter residência fixa e ser pai de três crianças.
Ter empresa, vínculos familiares e filhos mitigaria as chances de fuga, segundo a decisão do ministro do STJ. Para permanecer solto, o acusado não poderia sair do país, deveria entregar o passaporte, usar tornozeleira eletrônica e comparecer a juízo mensalmente.
Prisão temporária. No entanto, pouco depois da decisão do STJ, o juiz Roberto Oliveira Araújo Silva, do 2º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, decretou a prisão temporária de Mancha por 30 dias no âmbito da investigação sobre o assassinato de Paulo Roberto Ziviani Rodrigues, ocorrido em 2018. O Ministério Público reforçou que, solto, ele poderia "intimidar as testemunhas, interferir nas fontes de prova ou combinação de versões entre os envolvidos".
Mancha também já rompeu uma tornozeleira eletrônica durante prisão domiciliar antes de fugir para a Bolívia. Ele colocou o equipamento dentro de um urso de pelúcia antes de sair do Brasil usando uma identidade falsa.
Ele está preso na Penitenciária Francisco de Sá, a 488 km de Belo Horizonte. Mancha é considerado uma das principais lideranças do narcotráfico do estado. O UOL tenta contato com a defesa do acusado.
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