Sinto que Michelle não quer participar da campanha do Flávio, afirma Valdemar Costa Neto

Saiba o que significa a mão dourada na mesa de Michelle Bolsonaro

Sinto que Michelle não quer participar da campanha do Flávio, afirma Valdemar Costa Neto
Sinto que Michelle não quer participar da campanha do Flávio, afirma Valdemar Costa Neto

Thaísa Oliveira-brasília, Df (folhapress) - 02/07/2026 16:33:36 | Foto: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

EVELYN AIRES-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse em entrevista à Rádio Gaúcha na manhã desta quinta-feira (2) ter a percepção de que Michelle Bolsonaro não quer atuar na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

"Eu sinto que ela não quer participar", afirmou Valdemar, ao ser questionado sobre a presença da ex-primeira-dama na campanha do pré-candidato do PL à Presidência.

Valdemar contou que Michelle o procurou na terça-feira (30) para comunicar sua saída da presidência do PL Mulher. Segundo ele, a ex-primeira-dama também indicou que talvez não seja candidata ao Senado.

Apesar da saída, o presidente da sigla elogiou o trabalho da ex-primeira-dama. "Ela fez um trabalho no PL Mulher que eu não sei se outra mulher teria condições e habilidade para fazer. Ela tem muito carisma."
Na última terça, Michelle repostou mensagem sobre um vídeo que o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho diz ter visto de imagens de festas de Daniel Vorcaro com mulheres peladas e "homens que defendem a família".

Valdemar desaprovou a atitude de Michelle em rede social, que foi vista por aliados de Flávio como uma possível indireta ao pré-candidato do PL. "Ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade. Ele vive de atacar os outros", criticou. O presidente do PL afirmou ainda que a ex-primeira-dama sofreu uma forte rejeição digital pela postagem.

Na entrevista, Valdemar defendeu Flávio Bolsonaro da crise envolvendo Vorcaro, alvo de investigações da Polícia Federal.

Mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil mostraram que Flávio cobrou de Vorcaro parcelas financeiras que seriam destinadas ao financiamento do filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador chegou a ir à casa do banqueiro logo após sua primeira prisão.

Valdemar admitiu que o encontro após a prisão foi um erro, mas justificou a natureza da dívida. "Ele [Flávio] tinha umas parcelas em andamento que o Vorcaro não cumpriu. Ele tinha que pagar as dívidas do filme. Quando ele foi pedir o dinheiro, o Banco Master não estava sob acusação de nada, estava em dia."
Segundo Valdemar, Flávio reconhece que não deveria ter encontrado o ex-banqueiro do Master, mas "ele precisava encerrar o assunto com Vorcaro".

O dirigente disse ter convicção de que não vão surgir novas revelações ou provas que liguem Flávio a irregularidades do banco.

A crise no clã Bolsonaro aumentou no dia 24 de junho, quando Michelle publicou vídeos relatando ter sido desrespeitada por Flávio. A causa foi a disputa política no Ceará, em que a ex-primeira-dama defende o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE) para o governo do estado, enquanto Flávio e a cúpula do PL articulam um palanque em aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) para tentar desbancar o PT na região.

Mesmo com a repercussão negativa e o racha exposto, Valdemar minimizou o caso, afirmando que "a situação já está resolvida" e que a campanha de Flávio está seguindo normalmente.

Questionado se a ex-primeira-dama poderia substituir o enteado na corrida presidencial caso a crise se agrave, Valdemar respondeu que não passa pela cabeça da sigla substituir Flávio de jeito nenhum. "Flávio é candidatíssimo", afirmou.

O dirigente negou qualquer participação do ex-presidente Jair Bolsonaro -que atualmente cumpre prisão domiciliar- na produção do vídeo de Michelle contra Flávio.

"Tenho certeza que o Bolsonaro não participou. Ele jamais faria isso com o Flávio, que é o candidato escolhido por ele", concluiu Valdemar, ressaltando que está proibido pela Justiça de manter contato direto com o ex-presidente

Michelle Bolsonaro deixa presidência do PL Mulher e se queixa de ataques a aliados

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) acertou a saída dela da presidência do PL Mulher e indicou a pessoas próximas que está ainda mais desanimada com a possibilidade de ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

Michelle conversou pessoalmente com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sobre o assunto nesta terça-feira (30), na sede do partido.

Michelle tem demonstrado incômodo com a onda ataques sofrida por ela e por aliadas desde que criticou o enteado mais velho, o pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na semana passada.

Pessoas próximas à ex-primeira-dama dizem que os candidatos dela têm sido desconsiderados e que não faz sentido ficar à frente do cargo sem participar das decisões partidárias.

Além disso, Michelle avalia que o grupo ficará em boas mãos com a atual vice-presidente nacional, a vereadora de Fortaleza (CE) Priscila Costa -cuja candidatura ao Senado é um dos pivôs da briga entre a ex-primeira-dama e os filhos de Bolsonaro.

Segundo relatos, a ex-primeira-dama também está pensativa sobre a candidatura dela ao Senado Federal. Aliados dizem que, reservadamente, Michelle sempre disse que só seria candidata porque o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), havia pedido. A ex-primeira-dama, afirmam, também nunca se colocou como pré-candidata publicamente e repetiu, algumas vezes, que seu futuro político estava nas mãos de Deus.

Apesar disso, a avaliação é de que Michelle está ainda mais desmotivada. Não participar das eleições deste ano seria uma forma, de acordo com aliados, de deixar claro que ela nunca quis ser candidata à Presidência da República no lugar de Flávio.

Pessoas próximas à ex-primeira-dama têm conversado com ela sobre a mensagem que ela passaria a partir de sua desistência. Uma pessoa que não quis se identificar diz que o recuo de Michelle indicaria às mulheres que não há espaço para elas na política -tese que ela sempre tentou combater.

Michelle indicou que não vai participar da reunião organizada pela pré-campanha de Flávio nesta quarta-feira (1º).

Michelle Bolsonaro decidiu gravar críticas a Flávio como desabafo após série de ataques, dizem aliados

THAÍSA OLIVEIRA-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) decidiu gravar vídeos com duras críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ter se cansado do que descrevia como uma série de agressões coordenadas e informações falsas, de acordo com aliados com quem ela conversou ao longo dos últimos meses.

Segundo eles, Michelle fez uma espécie de desabafo e tentou dar um basta a ataques injustos, machistas e covardes que têm sofrido -e que afetam não só a ela, mas também à filha mais nova, que é adolescente.

Irmão de Michelle, o pré-candidato a deputado distrital Eduardo Torres (PL) publicou um texto nas redes sociais em que diz que ela contou "muito pouco diante de tudo o que tem acontecido" e que já presenciou e precisou inclusive intervir.

"São críticas, cobranças, acusações injúrias e injustiças. A resposta por muito tempo foi o silêncio. Atacada por muitos até por seu silêncio, não suportou mais tamanha injustiça e resolveu fazer alguns esclarecimentos", disse.

Pessoas próximas de Michelle afirmam que os vídeos não foram motivados por um episódio específico, mas sim por um acúmulo de situações que a chatearam, expuseram e desgastaram a relação dela com os enteados.

Aliados de Michelle dão, como exemplo, uma publicação feita pelo deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) no X (ex-Twitter) em que ele faz uma clara indireta à madrasta e afirma que "não se faz política com o fígado".

No post, Eduardo diz que o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente do PL no Ceará, age certo ao se aliar a Ciro Gomes (PSDB) e agradece a ele e ao pai, Jair Bolsonaro (PL), por "fazerem um trabalho sério e com inteligência".

A declaração de Eduardo se deu em resposta a um vídeo em que Fernandes reafirma a aliança com Ciro para governador do Ceará, diz que vai votar nele e não no senador Eduardo Girão (Novo-CE) e que Michelle "faz o que ela quiser".

Ao ser questionado sobre o que será feito se Michelle "estrebuchar", Fernandes responde: "Aqui a gente não vai falar de Michelle, a gente não vai falar de nacional. [...] Do Ceará, nós tomaremos de conta, nós definiremos o que faremos".

No fim do ano passado, o palanque no Ceará escancarou o mal-estar entre Michelle e os enteados. A ex-primeira-dama criticou a aliança do PL com Ciro Gomes e disse que o candidato dela era Girão. Em resposta, Flávio, Eduardo, Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan (PL) foram para as redes sociais atacá-la.

O episódio foi lembrado por Michelle nos vídeos divulgados nesta quarta-feira (24). Neles, a ex-primeira-dama diz que Flávio não falou com ela de forma reservada antes de criticá-la e, ao retornar às suas ligações, a desrespeitou e humilhou.

"Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", disse.

Outro ponto de atrito entre Michelle e os filhos de Bolsonaro na chapa cearense é a candidatura ao Senado.

Segundo relatos, Michelle fez um desabafo durante a semana dizendo estar triste pela decisão do partido de insistir no nome do pai de André, Alcides Fernandes (PL), em vez da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL).

Aliados de Michelle também consideram injustas notícias dizendo que ela sente raiva de Flávio porque gostaria de ser candidata a presidente. Amigos de Michelle afirmam que ela não tem vontade de disputar a Presidência e nunca nem sequer se colocou como pré-candidata ao Senado.

Além disso, na avaliação deles, Michelle é cobrada por sua participação na campanha de Flávio à Presidência, mas, quando se dedica a agendas políticas, normalmente do PL Mulher, é alvo de críticas de que não estaria ligando para o marido.

Pessoas próximas à ex-primeira relatam que Michelle soube que Flávio seria pré-candidato à Presidência pela imprensa. O senador, afirmam, poderia ter tentado melhorar a relação dos dois naquele momento e trazê-la para perto dele na campanha.

Quando houve o anúncio de Flávio, Bolsonaro não estava em prisão domiciliar, mas sim na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Parlamentares relatam que Michelle não conseguiu falar de política com o marido na visita imediatamente anterior porque ele passou a maior parte do tempo dando atenção à filha.

Michelle publicou um texto nesta quinta (25) em que diz que não tem raiva de ninguém, que não há briga nem competição, e que vão "trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno".

"Peço apenas que não retirem trechos da minha fala de contexto para gerar confusão. Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz", afirma a mensagem.

Saiba o que significa a mão dourada na mesa de Michelle Bolsonaro

ANA CORA LIMA-RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Nos vídeos publicados por Michelle Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (24) em seu perfil no Instagram, um detalhe chamou a atenção.

Enquanto detalhava a crise familiar, Michelle apareceu diante de uma mesa de apoio repleta de símbolos ligados à sua trajetória pessoal e política. Entre eles, um objeto dourado em formato de mão despertou curiosidade nas redes sociais.

A peça reproduz o gesto conhecido como "I love you" ("Eu te amo"), utilizado na Língua Americana de Sinais (ASL, na sigla em inglês).

O sinal é formado pela combinação de três letras do alfabeto manual: a letra I, representada pelo dedo mínimo levantado; a letra L, formada pelo indicador e pelo polegar erguidos; e a letra Y, identificada pelo dedo mínimo e pelo polegar levantados. Juntas, elas compõem a expressão, amplamente associada a mensagens de carinho, afeto e positividade.

O símbolo também dialoga com uma das principais bandeiras defendidas por Michelle Bolsonaro. Antes de se tornar primeira-dama, em 2019, ela atuou como intérprete de Libras e, durante a passagem pelo Palácio do Planalto, ficou conhecida por incentivar ações voltadas à inclusão de pessoas com deficiência e à acessibilidade.

Além da mão dourada, outros objetos presentes na gravação carregavam significados específicos. Um deles era a Estrela de Davi, símbolo frequentemente utilizado por Michelle e associado à sua aproximação com segmentos cristãos e evangélicos.

Também estava sobre a mesa uma caneta Bic, item que se tornou uma marca do ex-presidente Jair Bolsonaro e passou a representar seu estilo de governo.

No vídeo, a ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio Bolsonaro (PL- RJ) e deixou subentendido que o senador não queria o apoio dela para sua pré-candidatura a presidente da República.

Ela ainda apareceu usando uma camisa azul bordada com palavras como "mansidão", "alegria", "amor" e "domínio próprio".

Os termos fazem referência aos chamados Frutos do Espírito, descritos na Epístola aos Gálatas, no Novo Testamento, e representam virtudes associadas à vida cristã.

A ambientação contava ainda com um cordão de contas amarelas, um livro utilizado como base para os objetos decorativos, uma taça de vidro lapidado em tom roxo e um mapa do território brasileiro. O mapa trazia a representação das lideranças estaduais do PL Mulher, organização partidária comandada por Michelle.

Ela também se posicionou diante de uma parede preenchida por quadros contendo diplomas, certificados, medalhas e homenagens emolduradas.

O recurso visual é frequentemente utilizado por figuras públicas para transmitir autoridade, reconhecimento institucional e credibilidade perante o público.

Entre os itens exibidos aparecem títulos de cidadania honorária concedidos por municípios, medalhas acompanhadas por fitas coloridas, além de retratos de personagens históricos e textos explicativos.

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