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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 20 de setembro de 2021

Torcida portuguesa invade Sevilha, mas dá Hazard, e Bélgica se classifica na EurocopaFoto: Lauro Neto

Torcida portuguesa invade Sevilha, mas dá Hazard, e Bélgica se classifica na Eurocopa

Milhares de portugueses invadiram Sevilha neste fim de semana para assistir à seleção liderada por Cristiano Ronaldo nas oitavas de final da Eurocopa contra a Bélgica. Mas Thorgen Hazard fez o único gol do jogo, eliminando os atuais campeões e classificando os belgas para as quartas contra a Itália

Por Lauro Neto - Sputnik - 28/06/2021 - 10:22:11

Se, em campo, os Diabos Vermelhos dominaram o primeiro tempo, imprimindo uma forte marcação na saída de bola portuguesa, nas arquibancadas foi a torcida lusitana que ditou o ritmo. Com pouco mais de 12 mil ingressos colocados à venda devido às restrições impostas pela pandemia de COVID-19, os portugueses marcaram presença em igual ou maior número, cantando até depois de Hazar fazer 1 a 0 aos 42 minutos de jogo.

Portugal já havia levado perigo em uma falta cobrada por Cristiano Ronaldo, mas os belgas foram mais eficientes e, no primeiro chute em gol, a bola entrou. Um pequeno grupo de torcedores da Bélgica que estava atrás da baliza do goleiro Rui Patrício, silencioso até então, explodiu na comemoração. Os surdos da bateria lusitana ficaram mudos por alguns instantes.

Houve um princípio de briga, mas a polícia espanhola agiu rápido e conteve a confusão. Se, por um lado, os policiais foram eficazes, a fiscalização das regras de prevenção à COVID-19 falhou. Apesar de ser exigido que se usasse máscara na entrada do Estádio Olímpico de La Cartuja, no interior, muitos torcedores abdicaram do utensílio e ignoraram o distanciamento social. De nada adiantaram as mensagens no telão lembrando as medidas de segurança.

Na Espanha, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório ao ar livre no sábado (27). No entanto, o item deveria ser usado em todos os jogos da Eurocopa. A falha mais grave, contudo, foi a não cobrança de teste negativo de COVID-19 para os torcedores entrarem no estádio, como recomendava a UEFA.

Até havia um centro de testagem em frente ao La Cartuja. De acordo com as regras, os torcedores deveriam apresentar o ingresso virtual e um teste negativo de COVID-19 para adquirir uma pulseira que permitiria a entrada. Na prática, foi bem diferente. Este correspondente da Sputnik em Lisboa, presente no estádio, sequer precisou mostrar o ingresso para receber a pulseira, muito menos o teste.

Apesar de o aplicativo da Eurocopa recomendar que os torcedores levassem power banks para não correrem o risco de o celular descarregar com o ingresso virtual, este jornalista não pôde entrar nem com um carregador, tampouco com um tablet, equipamentos de trabalho. Os objetos ficaram guardados em um contêiner do lado de fora e foram devolvidos ao fim da partida.

Portugueses e brasileiros viajam para ver CR7

O cientista de dados português João Oliveira, que mora em Bruxelas, onde tem um escritório da sua empresa Bild Analytics, voou até Sevilha somente para ver a partida. Encontrou-se com cinco amigos que partiram de Lisboa de carro com o mesmo propósito. Apesar da derrota e da eliminação, Oliveira não se arrepende e diz que valeu a pena para ver Cristiano Ronaldo, que se tornou o maior artilheiro das seleções ao marcar dois gols contra a França, no último jogo da fase de grupos, e igualar a marca de 109 gols de Ali Daei pela seleção do Irã.

Torcedores assistem à derrota de Portugal para a Bélgica, no Estádio Olímpio de La Cartuja, em Sevilha

© Sputnik / Lauro Neto

Torcedores assistem à derrota de Portugal para a Bélgica, no Estádio Olímpio de La Cartuja, em Sevilha

"Vale sempre a pena! Portugal é Portugal, na vitória ou na derrota. Além disso, nem que fosse só para ver o melhor marcador de seleções, da história do futebol, já valia a pena", disse Oliveira à Sputnik Brasil após o jogo.

Inspirado pelos versos "Valeu a pena? Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena", imortalizados por Fernando Pessoa em "Mar português", ele leva no espírito esportivo quando questionado como será seu retorno a Bruxelas e se seus amigos belgas já o provocaram com brincadeiras.

"Ainda não falei com eles. Vou evitar o assunto durante uns dias. Mas, por mim tranquilo, prefiro que ganhe a Bélgica do que França ou Alemanha", compara.

Oliveira, que morou no Rio de Janeiro quando fez intercâmbio na UFRJ em 2011 e 2012, reconheceu a camisa do Fluminense, usada pelo carioca Eduardo Greppe na entrada do estádio. Apesar de torcer para o Vasco no Brasil, o português abordou o torcedor tricolor, que também levava uma bandeira de Portugal. Sputnik registrou o momento.

Grupo de portugueses festeja com o tricolor carioca Eduardo Greppe, que mora em Lisboa e foi até Sevilha para ver o jogo

© Sputnik / Lauro Neto

Grupo de portugueses festeja com o tricolor carioca Eduardo Greppe, que mora em Lisboa e foi até Sevilha para ver o jogo

Greppe mora em Portugal desde 2015 e saiu de Lisboa na sexta-feira (25) de manhã, em uma viagem de carro, com um amigo. Os dois foram parando em praias portuguesas até chegar a Sevilha no fim da noite. Acostumado ao calor carioca, o economista se sentiu em casa com a temperatura chegando aos 35 graus, mas com sensação térmica beirando os 40.

"Foi uma experiência maravilhosa! Não estava muito empolgado para ir ao jogo, mas meu amigo me convenceu e sou muito grato a ele por esses momentos mágicos e inesquecíveis! Comprei os ingressos antes de saber que seria jogo de Portugal, então dei muita sorte de ver o CR7 ao vivo pela primeira vez", diverte-se Greppe.

O tricolor carioca fez sucesso com a camisa e também posou para foto com o flamenguista baiano Tiago Barros, que mora no Porto e dirigiu mais de seis horas para chegar até Sevilha, exclusivamente para assistir ao jogo no La Cartuja. Sputnik Brasil também registrou o encontro dos brasileiros de times rivais.

"Optei por fazer um bate e volta. Saí às 5h da manhã e decidi voltar logo após o final da partida, pois tenho que trabalhar cedo na segunda", explicou Barros.

O tricolor Eduardo Greppe e o flamenguista Tiago Barros: unidos por Portugal

© Sputnik / Lauro Neto

O tricolor Eduardo Greppe e o flamenguista Tiago Barros: unidos por Portugal

Músico português critica formato do torneio em vários países

O músico John Gonçalves, da banda portuguesa The Gift, também retornou de carro a Portugal após a partida. Antes, ele estava de férias em Ibiza, onde fez o teste COVID-19, que não lhe foi cobrado para entrar no estádio. Casado com uma brasileira, o português, que já morou em Ipanema, também se espelha nos versos de Pessoa e é otimista diante da derrota.

"Vale sempre a pena. Hoje foi uma pena o resultado. Desde 2004 que vou atrás da seleção em todas as Copas do Mundo e Euros. Estarei no Qatar para ser campeão do mundo", vibra Gonçalves.

Para o baixista e tecladista, a única coisa que desafinou na organização da Eurocopa foi o modelo de ser disputada em diversos países.

"Sou 100% contra este formato ridículo de toda a Europa em vez de um país. Só da cabeça do [Michel] Platini poderia vir ideia tão ridícula, e não pensar minimamente no público, que tem de andar para trás e para a frente", critica.

O músico John Gonçalves, da banda portuguesa The Gift

© Sputnik / Lauro Neto

O músico John Gonçalves, da banda portuguesa The Gift

Os custos com viagens, testes de COVID-19 e ingressos desestimularam muitos torcedores a comprar bilhetes para o jogo entre Portugal e Bélgica. Vários portugueses optaram por viajar para Sevilha passar o fim de semana, mas assistir à partida em bares. João Guerra, que viajou de Bragança até a cidade espanhola, foi um deles.

"Não vou pagar mais de € 100 (R$ 588) em um ingresso. Prefiro assistir em um bar com meus amigos", disse Guerra, por trás de uma máscara de Cristiano Ronaldo.

João Guerra, com máscara de CR7 e cachecol de Portugal, preferiu assistir ao jogo em um bar de Sevilha

© Sputnik / Lauro Neto

João Guerra, com máscara de CR7 e cachecol de Portugal, preferiu assistir ao jogo em um bar de Sevilha

A concentração de portugueses era visível ao longo do domingo em Sevilha. Garçom de um bar no Centro Histórico, o paulista Jean Franco contou à Sputnik Brasil que os turistas de Portugal costumam visitar a cidade, mas não na proporção deste fim de semana.

"Nunca havia visto tantos portugueses juntos por aqui", comentou Franco.

Viagem de 14 horas de moto para torcer do lado de fora do estádio

Em frente ao bar, um grupo de cinco motociclistas, liderados por Ricardo Claro, bebia e cantava músicas alusivas à seleção portuguesa, enquanto belgas tentavam rivalizar em uma mesa próxima. Com motos fabricadas em Portugal, eles saíram de Alcochete às 5h da manhã de sábado (26) e chegaram às 19h. Sem conseguir ingressos, também optaram por um bar.

"A moto chega a uma velocidade máxima de 90 km/h, mas fizemos uma média de 50km/h e paramos diversas vezes. Seria um grupo de 30 pessoas, mas as mulheres de muitos não deixaram que eles viessem. Então, viemos só nós cinco", brincou Claro.

Ricardo Claro, último da esquerda para direita, e seus amigos: 14 horas de viagem em motos portuguesas

© Sputnik / Lauro Neto

Ricardo Claro, último da esquerda para direita, e seus amigos: 14 horas de viagem em motos portuguesas

Já o belga Christopher Delvaux foi ao jogo com seu amigo e conterrâneo Jeff Allaert. Vestindo uma camisa da Copa de 2014, no Brasil, Delvaux pediu para tirar foto com o garçom do bar em que fez o aquecimento para a partida.

"Estou morando em Marbella desde abril, onde faço home office. Comprei o ingresso na sexta-feira (18), antes de saber que Portugal seria nosso adversário", contou Delvaux à Sputnik Brasil.

Os belgas Christopher Delvaux e Jeff Allaert brincam com um garçom espanhol antes da vitória dos Diabos Vermelhos

© Sputnik / Lauro Neto

Os belgas Christopher Delvaux e Jeff Allaert brincam com um garçom espanhol antes da vitória dos Diabos Vermelhos

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação

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