A opinião de Antonio Cabrera Mano Filho: O missionário que ajudou a modernizar o Japão

Verbeck também conquistou a confiança de alunos que depois governariam o país. Entre eles estava Ōkuma Shigenobu, que seria primeiro-ministro e fundaria a Universidade Waseda

A opinião de Antonio Cabrera Mano Filho: O missionário que ajudou a modernizar o Japão
A opinião de Antonio Cabrera Mano Filho: O missionário que ajudou a modernizar o Japão

Por Antonio Cabrera Mano Filho - 05/11/2026 16:54:34 | Foto: Divulgação Alesp

Em 4 de novembro de 1859, há 167 anos, um engenheiro holandês chamado Guido Verbeck partiu da China rumo a Nagasaki. Ia anunciar o Evangelho. Acabou contribuindo para uma das maiores transformações da história moderna.

Nascido nos Países Baixos em 1830, Verbeck dominava vários idiomas, estudou engenharia e trabalhou nos Estados Unidos. Doente de cólera, prometeu a Deus que, se sarasse, seria missionário. Sarou e cumpriu a palavra.

O Japão que encontrou tinha passado mais de dois séculos fechado ao Ocidente, e o cristianismo ainda era proibido. Verbeck começou ensinando inglês e conhecimentos ocidentais a jovens japoneses, usando a Bíblia e a Constituição americana como textos. Os anos iniciais foram duros, com poucas conversões e até uma fuga durante revoltas contra estrangeiros.

Um dos primeiros frutos veio de um jeito inesperado. Segundo a tradição, um samurai chamado Murata Wakasa encontrou uma Bíblia boiando no porto de Nagasaki. Leu, quis entender e, durante anos, mandou perguntas a Verbeck por um mensageiro, numa viagem de dois dias em cada sentido. Em 20 de maio de 1866, foi batizado pelo missionário, junto com o irmão.

“Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”

Eclesiastes 11:1

Verbeck também conquistou a confiança de alunos que depois governariam o país. Entre eles estava Ōkuma Shigenobu, que seria primeiro-ministro e fundaria a Universidade Waseda.

Esses alunos o levaram para Tóquio, onde ele lecionou na escola que daria origem à Universidade Imperial e passou a aconselhar o governo. Verbeck incentivou a Missão Iwakura, a viagem em que, entre 1871 e 1873, dirigentes japoneses percorreram os Estados Unidos e a Europa para estudar escolas, indústrias e sistemas de governo. O que aprenderam alimentou as reformas da Era Meiji. Ele também ajudou a traduzir a Bíblia para o japonês e recebeu do governo a Ordem do Sol Nascente. Quando ficou sem pátria, sem cidadania holandesa nem americana, foi o Japão que lhe deu um passaporte.

A modernização japonesa foi obra dos próprios japoneses, e Verbeck foi um dos muitos que colaboraram. O que mais me impressiona é a forma como ele viveu a sua vocação. Nunca separou a fé da profissão. A engenharia, os idiomas e a capacidade de ensinar abriram portas que a pregação, sozinha, dificilmente abriria. Em vez de abandonar suas competências para servir a Deus, colocou-as inteiras a serviço da missão.

“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens”

Colossenses 3:23

Verbeck chegou ao Japão para anunciar o Evangelho e acabou ajudando a formar os homens que transformariam o país. Muitas vezes, o fruto de uma vida de fé só aparece anos depois, no trabalho daqueles que ajudamos a formar.

Fé e trabalho formam uma única vocação.

Fontes: Christian History Institute; University of Wisconsin-Oshkosh.

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