O aumento dos casos de mpox e os transtornos provocados pelas chuvas lembram que prevenir continua sendo uma das tarefas mais importantes da administração pública
Por João Zisman - 05/11/2026 10:14:42 | Foto: Divulgação João Zisman
Nem todo problema que aparece no noticiário representa uma crise. Mas alguns trazem sinais que não podem ser ignorados. É o caso da mpox, doença que muita gente ainda conhece como varíola dos macacos e que voltou a chamar atenção no Distrito Federal.
São 23 casos confirmados neste ano, oito deles somente em outubro. O número está próximo dos 25 registrados durante todo o ano passado. Não é motivo para pânico, mas é suficiente para justificar atenção.
A primeira pergunta é por que os casos aumentaram. E a resposta, por enquanto, ainda depende de investigação. A Secretaria de Saúde acompanha os registros, procura identificar possíveis vínculos entre os pacientes e realiza análises laboratoriais para descobrir qual variante do vírus está circulando.
Isso é importante porque não basta contar os casos. É preciso entender como a doença está sendo transmitida, onde estão os riscos e quais medidas podem interromper essa circulação.
A mpox é transmitida principalmente pelo contato físico próximo com pessoas infectadas, especialmente com lesões na pele. O reconhecimento dos sintomas, a procura por atendimento médico e o isolamento dos casos suspeitos ou confirmados são medidas importantes para evitar novas infecções.
Existe, porém, uma preocupação adicional. O Distrito Federal está sem estoque da vacina, destinada a grupos específicos de maior risco. A Secretaria de Saúde solicitou novas doses ao Ministério da Saúde e aguarda o reabastecimento.
A falta do imunizante não significa que o sistema de prevenção esteja parado. A vigilância, os exames, a orientação à população e o acompanhamento dos pacientes continuam sendo fundamentais. Mas a reposição das vacinas precisa acompanhar essa resposta.
O cuidado também exige comunicação clara. A população precisa saber reconhecer os sintomas e procurar atendimento sem medo ou constrangimento. Doenças infecciosas não podem ser tratadas como motivo de preconceito, porque o estigma afasta justamente quem precisa de orientação médica.
Essa discussão sobre prevenção não se limita à saúde.
Com a chegada das chuvas, Brasília volta a conviver com quedas de árvores, problemas de drenagem e dificuldades de circulação. No Cruzeiro Velho, galhos atingiram veículos e a rede elétrica. Em Sobradinho II, moradores enfrentaram transtornos nos acessos próximos à DF-150.
São situações diferentes, mas que ajudam a compreender uma mesma questão: o poder público precisa estar preparado não apenas para atender às ocorrências, mas para reduzir os riscos antes que elas aconteçam.
Evidentemente, não existe administração capaz de impedir todas as doenças, acidentes ou consequências de um temporal. A prevenção não oferece garantias absolutas. Oferece algo igualmente importante: a possibilidade de diminuir danos, proteger pessoas e evitar que problemas conhecidos ganhem proporções maiores.
Isso exige recursos, planejamento, informação e continuidade. Exige também que os órgãos públicos conversem entre si e que as providências não dependam exclusivamente da repercussão de cada episódio.
Na saúde, a prioridade é identificar rapidamente os casos, compreender a transmissão e assegurar os meios de proteção. Na infraestrutura, é antecipar os efeitos das chuvas, cuidar da manutenção e organizar intervenções que reduzam os transtornos à população.
O Distrito Federal tem estrutura técnica e institucional para avançar nessas duas frentes. O desafio é fazer da prevenção uma prática permanente, e não apenas uma resposta às circunstâncias.
Os 23 casos de mpox não autorizam anunciar uma epidemia. As ocorrências provocadas pelas chuvas também não significam que toda a infraestrutura esteja comprometida. Mas ambos os assuntos merecem atenção exatamente porque ainda existe espaço para agir.
A melhor resposta de um governo nem sempre é aquela que aparece depois que o problema ganhou as manchetes. Muitas vezes, é a providência tomada a tempo de impedir que ele chegue até elas.
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