Por João Zisman: Brasília mostrou que pode

Primeiro lugar nacional em reciclagem é mais do que uma conquista ambiental. É a demonstração de que o DF pode buscar a excelência também em outras áreas

Por João Zisman: Brasília mostrou que pode
Por João Zisman: Brasília mostrou que pode

Por João Zisman - 04/11/2026 09:55:47 | Foto: Divulgação

Brasília acaba de conquistar o primeiro lugar no ranking nacional de reciclagem de resíduos. É uma notícia que merece ser comemorada, não apenas pelo resultado ambiental, mas pelo que ela demonstra sobre a capacidade do Distrito Federal de fazer uma política pública funcionar.

E vale uma reflexão: se conseguimos chegar ao primeiro lugar numa área tão complexa, por que não buscar posições semelhantes na saúde, na educação, na mobilidade e em tantos outros serviços?

O índice de recuperação de materiais recicláveis chegou a 13,75%, colocando o DF à frente de todas as demais unidades da Federação. É resultado de um trabalho que envolve o Serviço de Limpeza Urbana, as cooperativas de catadores, investimentos públicos e a participação da população.

Claro que ainda existe muito espaço para melhorar. Mas isso não diminui a conquista. Pelo contrário, mostra que estamos no caminho certo e que podemos avançar ainda mais.

O mais interessante é perceber que esse resultado não apareceu por acaso. Foi preciso organizar os serviços, estabelecer prioridades, investir, dar continuidade às ações e envolver quem participa diretamente do processo.

É exatamente esse conjunto de fatores que pode servir de referência para outras políticas públicas.

Cada área tem suas dificuldades, e ninguém pode imaginar que uma solução para a reciclagem seja automaticamente aplicável à saúde ou ao transporte. Mas o princípio é o mesmo: saber aonde se quer chegar, organizar os meios necessários e acompanhar os resultados.

Dinheiro é indispensável, evidentemente. Nenhum governo consegue oferecer bons serviços sem recursos. Mas também sabemos que dinheiro, sozinho, não resolve tudo. É preciso planejamento, capacidade de execução e, principalmente, continuidade.

O Distrito Federal tem uma vantagem importante. Diferentemente de outras grandes regiões metropolitanas, concentra numa mesma estrutura administrativa boa parte das decisões sobre transporte, educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento urbano. Isso facilita a integração das políticas, desde que exista disposição para trabalhar com objetivos comuns.

A própria reciclagem mostra como essa integração pode funcionar. O governo organiza, as cooperativas trabalham, a população participa e o resultado aparece. Não é uma fórmula mágica, mas é uma experiência concreta que merece ser observada.

O novo mandato da governadora Celina Leão começa com a vantagem da continuidade administrativa e a perspectiva de uma base parlamentar favorável. É uma oportunidade para consolidar o que está dando certo e levar essa mesma ambição para outras áreas.

E aqui está o ponto principal: Brasília não precisa estabelecer suas metas apenas olhando para os problemas que ainda enfrenta. Pode também olhar para aquilo que já conseguiu fazer bem.

Ser primeiro lugar num ranking nacional não significa ter chegado à perfeição. Significa que existe competência, organização e capacidade para alcançar resultados importantes.

A conquista na reciclagem merece reconhecimento. Mas talvez seu maior valor esteja na referência que oferece para o futuro.

Se Brasília mostrou que pode chegar ao primeiro lugar numa área tão importante, por que não trabalhar para chegar lá em outras?

Afinal, quando uma cidade descobre que pode ser referência, o próximo desafio é fazer dessa conquista uma prática de governo.

Comentários para "Por João Zisman: Brasília mostrou que pode":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório