A opinião do cientista político João Zisman: Brasilia não vai parar só para olhar o Supremo

A semana começa com os olhos do país voltados para uma crise excepcional na Praça dos Três Poderes. Do lado de fora, porém, o DF tem uma eleição que começa a abrir distâncias, um BRB cada vez mais apertado e os problemas de uma cidade que não pode esperar o Supremo resolver os seus

A opinião do cientista político João Zisman: Brasilia não vai parar só para olhar o Supremo
A opinião do cientista político João Zisman: Brasilia não vai parar só para olhar o Supremo

Por João Zisman - 14/09/2026 09:24:15 | Foto: Divulgação

Brasília vai passar boa parte desta semana olhando para o Supremo, e seria impossível imaginar o contrário. A crise cresceu, Fachin chamou o plenário, Moraes e Mendonça continuam no centro de uma história que já escapou dos gabinetes e o caso Master espalhou personagens, suspeitas e perguntas por instituições que agora precisam encontrar alguma ordem no meio da confusão.

Na terça-feira, novamente, boa parte do país estará olhando para a Praça dos Três Poderes. Brasília também. Só não estará olhando apenas para lá.

A cidade começa a semana com seus próprios problemas, alguns deles suficientemente grandes para dispensar qualquer ajuda do Supremo. O BRB apertou. A tentativa de montar uma operação de até R$ 6,6 bilhões continua cercada de dificuldades, enquanto o GDF tenta recuperar judicialmente até R$ 12,2 bilhões relacionados às operações com o Master. Entre uma cifra e outra existe uma pergunta que ainda não recebeu resposta simples: qual é, afinal, o tamanho da conta que ficará para o banco?

Também existe uma eleição acontecendo. O Datafolha colocou Celina Leão em 40%, enquanto Arruda aparece com 17% e Grass com 16%. Pesquisa não é urna e setembro ainda comporta muita coisa, mas uma diferença desse tamanho já não pode ser tratada apenas como fotografia passageira. Celina abriu distância, Arruda e Grass passaram a disputar praticamente o mesmo espaço e, no caso do ex-governador, existe ainda um TSE capaz de mexer no tabuleiro antes que o eleitor faça a sua parte.

São histórias que se cruzam mais do que parece. O Master está no BRB e também aparece na crise que chegou ao Supremo. O Supremo julga questões que podem interferir diretamente na eleição local. E o Governo do Distrito Federal precisa administrar ao mesmo tempo o banco público, uma campanha eleitoral e até a segurança da Praça dos Três Poderes durante uma semana que promete tensão.

Só que Brasília não cabe nisso.

Hoje de manhã a Epig enfrenta o primeiro teste de uma nova configuração de trânsito. A Saúde tenta colocar 278 médicos na rede. Tem gente esperando consulta, gente procurando emprego, empresário abrindo a porta, servidor indo trabalhar e motorista descobrindo se a mudança feita no fim de semana melhorou ou piorou o caminho até o Plano Piloto.

Essa talvez seja uma das peculiaridades de viver na capital. Uma crise capaz de mobilizar ministros, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e o país inteiro pode estar acontecendo a poucos quilômetros de casa, mas ainda é preciso chegar ao trabalho, conseguir atendimento no hospital e saber se o banco do governo local vai conseguir sair do buraco em que se meteu.

O Supremo certamente será o endereço político mais observado do país nesta semana. Brasília estará olhando para ele.

Só não pode parar só para isso.

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