EUA são criticados no Conselho de Segurança e em todo o mundo por operação contra a Venezuela

Conselho de Segurança faz uma reunião de emergência sobre a Venezuela na sede da ONU em Nova York, em 5 de janeiro de 2026

EUA são criticados no Conselho de Segurança e em todo o mundo por operação contra a Venezuela
EUA são criticados no Conselho de Segurança e em todo o mundo por operação contra a Venezuela

Por Shang Xuqian E Yang Dingdu - Nova York, 6 Jan Agência Xinhua Brasil - 08/01/2026 15:24:02 | Foto: (Loey Felipe/Foto da ONU/Divulgação via Xinhua

A operação dos EUA que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, provocou ampla condenação internacional, com muitos países e o Conselho de Segurança da ONU denunciando-a como uma violação do direito internacional e da soberania estatal.

Washington tem enfrentado duras críticas em todo o mundo por conta da operação realizada no sábado contra a Venezuela e pelo sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa em solo venezuelano.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que ordenou a operação, disse em uma coletiva de imprensa posterior que os Estados Unidos "governarão" a Venezuela até "um momento seguro" para a transição de poder, provocando ainda mais indignação em todo o mundo.

CRÍTICAS DO CONSELHO DE SEGURANÇA

O Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 membros, convocou na segunda-feira uma reunião de emergência devido à operação militar dos EUA contra a Venezuela, a pedido da Colômbia, membro do Conselho e vizinha da Venezuela, e do governo venezuelano em carta enviada no sábado.

Membros do Conselho, incluindo China, Colômbia, Rússia, além de Brasil, Chile, Cuba, Irã, o Movimento Não Alinhado e o Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas, condenaram a ação dos EUA como uma violação flagrante da Carta da ONU, enquanto outros países e organizações internacionais enfatizaram a importância do respeito ao direito internacional e à Carta da ONU, que proíbe o uso ou a ameaça de uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

Denunciando a ação dos EUA, a embaixadora da Colômbia nas Nações Unidas, Leonor Zalabata Torres, disse que essas ações são uma grave violação do direito internacional e da Carta da ONU, incluindo o princípio do respeito à soberania e à plena autoridade dos Estados sobre seus territórios, inclusive seus recursos naturais.

"Defender esses princípios não é uma opção. Na verdade, é um dever comum que temos para preservar a paz e a segurança internacionais", declarou ela.

O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, disse que a Rússia condena veementemente "o ato de agressão armada dos Estados Unidos contra a Venezuela, em violação de todas as normas do direito internacional".

Ele disse que a ação dos EUA foi vista por muitos como um prenúncio do retorno a uma era de anarquia e de dominação estadunidense pela força, pelo caos e pela injustiça, o que infligirá sofrimento a países em diversas regiões do globo.

"Washington está gerando um novo impulso para o neocolonialismo e o imperialismo", disse Nebenzia, apelando à unidade global em uma rejeição resoluta das políticas externas militares dos EUA, como demonstrado no caso da Venezuela, que, segundo ele, é como um alerta para todos os países.

"Não ouvir isso hoje equivale a covardia e falta de princípios, essencialmente abençoando novas violações do direito internacional e simplesmente rejeitando a conduta civilizada nas relações interestatais", advertiu ele.

A China está muito chocada e condena veementemente os "atos unilaterais, ilegais e de intimidação" dos Estados Unidos, disse Sun Lei, encarregado de negócios da Missão Permanente da China junto às Nações Unidas.

"Os Estados Unidos colocaram seu próprio poder acima do multilateralismo e as ações militares acima dos esforços diplomáticos, representando uma grave ameaça à paz e à segurança na América Latina e no Caribe, e até mesmo à paz e à segurança internacionais em geral. A China se opõe firmemente a isso", disse Sun.

A China pede que os Estados Unidos respeitem o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU, disse ele.

Tanto a Rússia quanto a China pediram a libertação imediata de Maduro e de sua esposa.

Na reunião do Conselho de Segurança, Christina Markus Lassen, embaixadora da Dinamarca nas Nações Unidas, enfatizou: "A inviolabilidade das fronteiras não está em discussão".

"Nenhum Estado deve buscar influenciar os resultados políticos na Venezuela por meio do uso ou da ameaça de força, ou por outros meios incompatíveis com o direito internacional", declarou ela.

"A operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro contraria os princípios da solução pacífica de controvérsias e do não uso da força", observou Jay Dharmadhikari, vice-embaixador da França nas Nações Unidas.

Essa violação da Carta da ONU e do direito internacional pelos Estados Unidos, enquanto membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, "mina os próprios fundamentos da ordem internacional", disse ele.

Manifestantes seguram cartazes durante protesto contra o ataque militar dos EUA à Venezuela em frente ao número 10 da Downing Street, em Londres, Reino Unido, em 5 de janeiro de 2026. (Foto de Ray Tang/Xinhua)

"Quando os países ignoram a Carta da ONU e agem contrariamente à sua premissa central, isso reduz a credibilidade de todo o sistema no qual conduzimos nossas relações internacionais", disse Jonathan Passmoor, representante permanente adjunto interino da África do Sul junto às Nações Unidas, durante a reunião.

"A omissão em agir decisivamente contra essas violações é o mesmo que aceitar a anarquia e normalizar o uso da força e do poderio militar como principal forma de discurso na política internacional", acrescentou ele.

CRESCENTE PREOCUPAÇÃO PELO MUNDO

A preocupação com a operação dos EUA contra a Venezuela tem crescido em todo o mundo nos últimos dias.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a operação no sábado como um "ato de agressão" em clara violação do direito internacional e da Carta da ONU, além de uma "flagrante violação" da soberania e da integridade territorial da Venezuela.

A Indonésia expressa sua forte preocupação com quaisquer ações que envolvam o uso ou a ameaça de força, que correm o risco de criar um precedente perigoso nas relações internacionais e podem reduzir a estabilidade regional, a paz e os princípios da soberania e da diplomacia, disse o Ministério das Relações Exteriores indonésio em comunicado divulgado em sua conta oficial no final do domingo.

Na declaração, Jacarta também se uniu aos apelos de muitos países por moderação, desescalada e respeito ao direito internacional.

A arriscada ação dos EUA gerou muito alerta em países da América Latina. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que ela "cruzou uma linha inaceitável" e criou um precedente perigoso. O presidente chileno, Gabriel Boric, disse: "Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer um".

Uma reportagem publicada no domingo pelo portal de notícias Klix, da Bósnia e Herzegovina, após uma análise dos ataques militares dos EUA contra países que vão do Irã ao Iêmen no último ano, disse que o governo americano "redefiniu o significado de ‘pacificação’".

Para Washington, "paz não significa a ausência de conflito, mas a ausência de resistência à vontade americana". No próximo ano, o mundo enfrentará uma nova realidade: se Washington sentir a menor provocação, atacará primeiro e não poupará esforços para eliminar seus oponentes na Terra", diz o relatório.

As implicações da operação militar dos EUA contra a Venezuela são preocupantes, disse Josef Gregory Mahoney, professor de ciência política da Universidade Normal do Leste da China. "Esta é uma virada sombria nas relações globais que precisa ser combatida de forma eficaz".

"A agressão dos EUA contra a Venezuela é um ataque descarado ao direito internacional, um exemplo claro do perigo iminente que ameaça todas as nações que prezam sua soberania e segurança", disse ele.

As justificativas dos EUA "se baseiam, em última análise, na reafirmação da Doutrina Monroe", ou seja, os Estados Unidos já nem sequer fingem seguir o direito internacional, nem buscam apoio internacional ou endosso da ONU, e "simplesmente agem unilateralmente de maneiras que remetem ao intervencionismo declarado do século 19", disse ele.

"Isso é puro imperialismo", concluiu ele. "Deve ficar claro que nenhum país está seguro".

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