Pressionado por BRB, governo do DF diz a governo Lula que vai aderir ao subsídio do diesel

Sem as demonstrações financeiras, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o Master continua desconhecido

Pressionado por BRB, governo do DF diz a governo Lula que vai aderir ao subsídio do diesel
Pressionado por BRB, governo do DF diz a governo Lula que vai aderir ao subsídio do diesel

Nathalia Garcia E Thaísa Oliveira Brasília, Df (folhapress) - 01/04/2026 19:44:18 | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

THAÍSA OLIVEIRA E NATHALIA GARCIA-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Pressionada pela crise no BRB (Banco de Brasília), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que vai aderir ao subsídio do diesel importado proposto pelo governo federal.

A adesão representa uma mudança de rota por parte do governo do Distrito Federal, que já admite precisar da ajuda do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para salvar o BRB da crise financeira provocada pelas operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Questionado pela reportagem na terça (31), o Distrito Federal havia informado que não participaria da subvenção ao diesel. Levantamento feito pela reportagem indicava a adesão de 15 estados. Já o Rio de Janeiro afirmou que aguardaria a publicação da medida provisória para analisar o caso.

Durigan telefonou para Celina na última segunda-feira (30). Em nota divulgada nesta quarta (1º), o governo do Distrito Federal disse que Celina "tratou da adesão do Distrito Federal a iniciativas do governo federal voltadas à redução do preço do diesel, atendendo a um pedido do Ministério da Fazenda".

"A medida busca mitigar os efeitos da alta dos combustíveis sobre a economia local, especialmente em razão da dependência do Distrito Federal do abastecimento externo e do transporte rodoviário, com impacto direto sobre custos logísticos, inflação regional e preços ao consumidor", afirmou.

O governo do Distrito Federal chegou a procurar o Ministério dos Transportes para expressar preocupação com o potencial impacto sobre o transporte público local. Segundo relato feito à reportagem por um interlocutor, essa reclamação foi usada como argumento pelo governo Lula para pressionar o DF a aderir à proposta.

O governo federal propôs aos estados um auxílio financeiro extra a importadores de diesel como forma de atenuar a alta nos preços do combustível devido à guerra no Irã e vem defendendo uma solução conjunta. A subvenção de R$ 1,20 por litro deve ser repartida entre a União e os estados pelo período de dois meses. Na prática, R$ 0,60 ficam a cargo do governo federal e R$ 0,60 são custeados pelos governos estaduais.

O custo total estimado pelo Ministério da Fazenda é de R$ 3,2 bilhões para os dois meses, divididos igualmente entre União e estados. O subsídio foi pensado para ficar próximo do valor do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel (R$ 1,17).

O governo do DF havia sido criticado pelo Sindcombustíveis-DF (Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes do DF) pela decisão inicial de não aderir à proposta do governo Lula.

O sindicato disse que os postos de Brasília já enfrentam aumento significativo de preços, pediu uma "justificativa técnica, matemática e orçamentária clara" do governo local e classificou a situação do DF como "sensível".

"Somos uma unidade altamente dependente de abastecimento externo, sem produção relevante de combustíveis ou biocombustíveis. Os postos já enfrentam aumento significativo no frete, pressionando margens e preços finais", dizia a nota divulgada pelo presidente da entidade, Paulo Tavares.

Na ligação, Celina também pediu o apoio do ministro da Fazenda para resolver a crise financeira que assola o BRB.

O banco não divulgou o balanço de 2025 nesta terça (31), prazo legal para companhias de capital aberto. Sem a apresentação dos dados, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o Banco Master continua desconhecido.

Celina assumiu o governo do Distrito Federal na segunda porque o então governador, Ibaneis Rocha (MDB), pretende se candidatar ao Senado. Assumidamente de direita, Celina é pré-candidata ao governo na chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado.

Governadora do Distrito Federal pede ajuda ao governo Lula para crise no BRB

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pediu ajuda ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para resolver a crise financeira do BRB (Banco de Brasília). O tema foi debatido com o ministro Dario Durigan (Fazenda) por telefone na última segunda-feira (30), segundo pessoas com conhecimento das conversas.

O banco adiou a divulgação do balanço de 2025, desrespeitando o prazo legal para companhias de capital aberto. É a partir das informações financeiras apresentadas que os investidores em ações e títulos de renda fixa do banco tomam suas decisões.

Sem as demonstrações financeiras, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o Master continua desconhecido. Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do banco de Daniel Vorcaro. Apenas uma parcela desse prejuízo foi recuperada pelo banco.

Acionista controlador do BRB, o governo do Distrito Federal não tem recursos suficientes em caixa para fazer um aporte no banco. Por isso, em março, foi sancionada a lei que autoriza a atual gestão a executar ações como a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou instituições financeiras.

Segundo relato de um interlocutor a par da conversa, a salvação do BRB por meio de uma intervenção do governo federal ou de uma ajuda específica de bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, não está no radar. Uma possibilidade seria a compra de carteiras do BRB por parte dessas instituições, desde que julguem o negócio pertinente.

A avaliação no governo Lula é que esse tema precisa ser solucionado pelo próprio Distrito Federal. Poucos dias antes de deixar o cargo, o então governador Ibaneis Rocha (MDB) deu um passo importante para a capitalização do banco ao formalizar um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões para o FGC.

Essa é uma das alternativas trabalhadas pelo BRB para contornar a crise. O fundo já informou aos envolvidos que está disposto a negociar a liberação do empréstimo, mas solicitou documentos para dar continuidade às tratativas.

O Distrito Federal não tem hoje capacidade de pagamento para receber garantia do Tesouro Nacional, o que daria condições mais benéficas para o empréstimo, como uma taxa de juros menor. Segundo relato feito à reportagem, o Ministério da Fazenda não tem sinalizado a intenção de abrir uma exceção e fornecer socorro da União.

Como garantias para o empréstimo, Ibaneis apresentou ao FGC participações acionárias de empresas públicas, como Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), CEB (Companhia Energética de Brasília) e o próprio BRB, além de imóveis que pertencem ao Distrito Federal.

Mas existem ressalvas com relação às propriedades selecionadas pelo governo do Distrito Federal. Em meio à tentativa de reestruturação, Celina anunciou que vai retirar a área da Serrinha do Paranoá de qualquer proposta vinculada ao plano de capitalização do BRB.

Essa área de 716 hectares, segundo ambientalistas, é um importante manancial hídrico da região. "A decisão assegura a preservação ambiental da região, considerada sensível e de grande relevância ecológica", disse o GDF em nota divulgada nesta quarta-feira (1º).

O terreno, contudo, é avaliado em R$ 2,3 bilhões, o equivalente a um terço do total de imóveis apresentados pelo governo do Distrito Federal, cujo conjunto de propriedades foi avaliado preliminarmente em R$ 6,586 bilhões.

A governadora também determinou ao Ibram (Instituto Brasília Ambiental) e à Secretaria de Meio Ambiente a adoção das providências para transformar a Serrinha do Paranoá em um parque ambiental, garantindo a conservação da área.

Outro alvo de polêmica, o Centrad (Centro Administrativo do Distrito Federal), será mantido no plano de socorro ao BRB. O complexo foi construído para alocar a sede do governo local, está há 12 anos sem uso e passa por um impasse jurídico.

O BRB convocou para o próximo dia 22 uma assembleia extraordinária dos acionistas para votação da proposta de aumento de capital social do banco.

Assumidamente de direita, Celina é pré-candidata ao governo na chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado. Ao ministro da Fazenda, segundo relatos, ela demonstrou interesse em avançar na interlocução com o governo Lula. Na ligação, sinalizou que vai aderir ao subsídio do diesel importado.

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