Justiça manda bloquear até R$ 481 mi para resgate de aplicação do Rioprevidência ligada ao Master

O Rioprevidência é o órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais

Justiça manda bloquear até R$ 481 mi para resgate de aplicação do Rioprevidência ligada ao Master
Justiça manda bloquear até R$ 481 mi para resgate de aplicação do Rioprevidência ligada ao Master

Leonardo Vieceli-rio De Janeiro, Rj (folhapress) - 25/07/2026 18:33:11 | Foto: © ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL

LEONARDO VIECELI-RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta sexta-feira (24) o bloqueio de bens de até R$ 481,5 milhões da gestora de recursos Acura e de dois diretores, em uma tentativa de garantir o resgate de investimento do Rioprevidência no fundo Revolution, ligado ao Banco Master.

A decisão é assinada pela juíza Aline Maria Gomes Massoni da Costa, da 10ª Vara da Fazenda Pública da capital fluminense.

A medida atende a um pedido do governo do Rio de Janeiro e do Rioprevidência, que é o responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais.

Conforme as informações do processo, o órgão previdenciário investiu R$ 481,5 milhões no fundo Revolution, sob administração da Master Corretora e gestão da Acura, a partir de 23 de maio de 2025.

O resgate tem liquidação prevista para 17 de agosto de 2026, mas a análise do governo estadual identificou dúvidas sobre a capacidade da carteira de gerar resultados.

Em sua decisão, a juíza determinou o bloqueio de valores da Acura e dos diretores Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra.

A Folha procurou a gestora e os executivos por volta das 14h20 deste sábado por meio de um email de assessoria de imprensa que consta no site da instituição.

A reportagem foi informada de que o atendimento mudou, e o pedido de manifestação foi reencaminhado para a área de compliance da Acura. Não houve retorno até a publicação deste texto.

A decisão judicial desta sexta determinou que a Master Corretora, atualmente em liquidação extrajudicial, seja proibida de adotar providências para retardar o resgate do investimento solicitado pelo Rioprevidência.

A juíza também estabeleceu a apresentação, em até 15 dias, de parecer de auditoria externa independente em relação ao fundo Revolution.

A Folha procurou por email a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mas não teve retorno. A solicitação de posicionamento foi enviada pela reportagem pouco antes das 14h50 deste sábado.

Esta é a segunda decisão favorável obtida nesta semana pelo governo do Rio de Janeiro e pelo Rioprevidência no caso Master.

Na quinta-feira (23), a Justiça determinou o bloqueio de bens para garantir a recuperação de até R$ 135,2 milhões perdidos em investimentos em outro fundo, o Texas I FIA.

O Rioprevidência virou alvo de investigações da PF (Polícia Federal) por aportes bilionários em ativos ligados ao Master durante o governo de Cláudio Castro (PL).

Castro renunciou ao cargo de governador em março e foi substituído de modo interino pelo desembargador Ricardo Couto.

A gestão de Couto tem anunciado trocas de nomes e mudanças na estrutura do Rioprevidência após a explosão do escândalo do Master.

Justiça manda bloquear R$ 135 mi para recuperar prejuízo do Rioprevidência ligado ao Master

A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta quinta-feira (23) o bloqueio de até R$ 135,2 milhões da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, da Axor Asset e dos diretores da gestora Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues.

As instituições e os executivos são citados pela Justiça como réus em uma ação movida pelo Estado do Rio de Janeiro para tentar reaver o prejuízo de um investimento do Rioprevidência em um fundo ligado ao Banco Master, o Texas I Fia.

O Rioprevidência é o órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. A decisão que determinou o bloqueio é assinada pelo juiz Wladimir Hungria, da 5ª Vara da Fazenda Pública da capital fluminense.

Segundo a ação judicial, o Rioprevidência realizou, de 4 de junho a 8 de agosto de 2025, um aporte de R$ 150 milhões no fundo Texas I Fia, cuja carteira estava exposta, quase em sua totalidade, às ações da Ambipar.

Os papéis sofreram forte desvalorização, e o saldo teria sido reduzido a R$ 14,8 milhões. Com isso, o prejuízo é calculado em cerca de R$ 135,2 milhões.

Em sua decisão, o juiz responsável acatou os argumentos dos autores da ação, que apontaram a responsabilidade da Trustee na compra "massiva e coordenada" de papéis da Ambipar em nome de fundos geridos por ela, incluindo o Texas I Fia. A gestora nega envolvimento.

A oferta da carteira de títulos ao Rioprevidência teria sido feita pela Axor Asset, conforme as informações do processo.

A Trustee disse à reportagem que deixou a administração e a gestão do Texas I Fia em outubro de 2024. A empresa afirmou que vai recorrer da decisão.

Segundo a instituição, o Rioprevidência adquiriu cotas somente a partir de junho de 2025, cerca de oito meses depois, quando o fundo já estava sob responsabilidade de outros prestadores.

"As ações da Ambipar mencionadas na decisão haviam sido adquiridas em julho de 2024, quase um ano antes do ingresso do Rioprevidência", disse.

"Portanto, a Trustee não vendeu cotas ao Rioprevidência, não participou da decisão de investimento do instituto e não administrava nem geria o fundo quando os aportes foram realizados", acrescentou.

A reportagem não conseguiu localizar os contatos da Axor até a publicação deste texto. A reportagem procurou por email na manhã desta sexta-feira (24) a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mas não teve retorno.

A decisão judicial também determinou que o administrador da Master Corretora, atualmente em liquidação extrajudicial, apresente parecer de auditoria externa independente em relação ao fundo Texas I Fia em até 15 dias.

O Rioprevidência virou alvo de investigações da PF (Polícia Federal) por investimentos bilionários em ativos ligados ao Master durante o governo de Cláudio Castro (PL).

Castro renunciou ao cargo de governador em março e foi substituído de modo interino pelo desembargador Ricardo Couto.

A gestão de Couto tem anunciado trocas de nomes e mudanças na estrutura do Rioprevidência após a explosão do escândalo do Master.

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