Moraes nega pedido de domiciliar para Bolsonaro e mantém ex-presidente preso na PF
José Marques-brasília, Df (folhapress) - 02/01/2026 09:03:02 | Foto: Agência Brasil
GÉSSICA BRANDINO, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi atacado nas redes sociais pelos filhos Jair Bolsonaro (PL) após negar a prisão domiciliar ao ex-presidente nesta quinta-feira (1º). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou a decisão do ministro de tortura.
"Até quando Moraes terá procuração para praticar a tortura?", escreveu o filho mais velho de Bolsonaro nesta quinta no X.
O ex-presidente esteve internado no hospital DF Star, em Brasília, para fazer uma cirurgia de hérnia. Ele sofreu com picos de hipertensão e teve crises de soluço -motivo pelo qual foi submetido a três procedimentos cirúrgicos, respectivamente no sábado (27), na segunda (29) e terça (30).
Moraes negou o pedido da defesa para que ele não voltasse para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde cumpre pena por liderar uma trama golpista após a derrota nas eleições de 2022.
O senador diz que a decisão é cheia de sarcasmo por dizer que a saúde do ex-presidente melhorou, o que, segundo Flávio, não condiz com a avaliação dos médicos.
"O laudo médico é claro em apontar que ele precisa de cuidados permanentes que não podem ser garantidos numa prisão - existe até o risco de AVC em função das complicações em sua saúde", diz, ofendendo o magistrado na sequência: "Leia o laudo, ser abjeto!"
O vereador Caros Bolsonaro (PL) também se manifestou na mesma rede social sugerindo que a decisão de Moraes faz parte de um complô contra o pai.
"Qualquer pessoa de bom senso sabe qual é a missão dada, que precisa ser cumprida, e desde quando ela foi emitida pela primeira vez", escreveu.
Moraes nega prisão domiciliar para Bolsonaro, e mantém ex-presidente na PF
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou nesta quinta-feira (1º) um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de prisão domiciliar humanitária após a alta hospitalar.
O ex-presidente foi internado no hospital DF Star, em Brasília, no último dia 24, para fazer uma cirurgia de hérnia. Ele sofreu com picos de hipertensão e teve crises de soluço -motivo pelo qual foi submetido a três procedimentos cirúrgicos, respectivamente no sábado (27), na segunda (29) e terça (30).
A alta está prevista para esta quinta, e a defesa pediu que ele não volte para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde cumpre pena por ser condenado por liderar uma trama golpista depois de ser derrotado nas eleições de 2022.
Em sua decisão, Moraes disse que "diferentemente do alegado pela defesa, não houve agravamento da situação de saúde de Jair Messias Bolsonaro, mas, sim, quadro clínico de melhora dos desconfortos que estava sentido, após a realização das cirurgias eletivas, como apontado no laudo de seus próprios médicos".
"Destaco, ainda, que todas as prescrições médicas indicadas como necessárias na petição da defesa podem ser integralmente realizadas na Superintendência da Polícia Federal, sem qualquer prejuízo à saúde do custodiado, uma vez que, desde o início do cumprimento de pena, foi determinado plantão médico 24 horas por dia; bem como autorizado acesso integral de seus médicos, com os medicamentos necessários, fisioterapeuta e entrega de comida produzida por seus familiares", afirmou o ministro.
Após as três cirurgias para tratar dos soluços, os médicos concluíram que houve melhora de Bolsonaro, mas que ele precisará seguir fazendo tratamentos não invasivos para tentar controlar esse problema.
Segundo o boletim médico divulgado nesta quarta (31), a endoscopia revelou a "persistência de esofagite e gastrite".
"[Ele] segue em tratamento para doença do refluxo gastroesofágico, em fisioterapia respiratória, terapia de CPAP noturno [aparelho que ajuda na respiração] e medidas preventivas para trombose", completa o documento.
"A endoscopia mostrou o quadro que ele já tinha, que é uma gastrite e uma esofagite erosiva. Provavelmente nós suspeitamos que essa esofagite é muito causadora dos soluços", afirmou Brasil Caiado, cardiologista da equipe médica.
Bolsonaro recebeu uma série de orientações de autocuidado que terá que seguir, por exemplo comer de forma mais fracionada e não deitar depois de se alimentar para não ter refluxo. Segundo os médicos, ele seguirá com curativos depois da alta e precisará dispensar atenção especial ao risco de queda em razão do uso do CPAP.
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