Toffoli espera investigações para definir se mantém caso Master no STF

Toffoli espera avanço das investigações para definir se mantém caso Master no STF

Toffoli espera investigações para definir se mantém caso Master no STF
Toffoli espera investigações para definir se mantém caso Master no STF

Adriana Fernandes-brasília, Df (folhapress) - 02/01/2026 21:35:39 | Foto: Andressa Anholete/STF

CATIA SEABRA E JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Responsável por supervisionar no STF (Supremo Tribunal Federal) as investigações sobre a tentativa de venda do Banco Master, o ministro Dias Toffoli espera o avanço das apurações para definir se o caso ficará sob sua relatoria ou voltará, ainda que parcialmente, à primeira instância.

O próprio ministro sinalizou a interlocutores que a manutenção do caso no STF dependerá de desdobramentos das investigações conduzidas pela Polícia Federal e do encaminhamento a ser dado pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Um integrante do Supremo lembra que o caso chegou ao STF a pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, após um envelope com documentos de um negócio imobiliário relacionado ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) ter sido encontrado em uma busca e apreensão.

A permanência do caso no STF vai depender de evidências de participação de autoridades com foro na corte no esquema investigado, incluindo o próprio Bacelar. O caso também pode ser desmembrado, com parte dele voltando para a Justiça Federal do Distrito Federal.

Em nota do início de dezembro, Bacelar afirmou que participou da criação de um fundo destinado à construção de um empreendimento imobiliário em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA), mas a transação não avançou. Na ocasião, Vorcaro teria demonstrado interesse na aquisição de parte do projeto.

Na última terça (30), Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, prestaram depoimentos à PF e a um juiz auxiliar de Toffoli. Vorcaro e Costa também fizeram uma acareação para elucidar contradições em suas falas.

Interlocutores de Toffoli no Supremo afirmam que ele se mostrou satisfeito com essa etapa e que caberá à PF promover novas diligências. Ao propor a acareação, dizem, o ministro pretendia dar celeridade às investigações.

Nem sempre, porém, o ministro tem esperado manifestação da PGR para tomar as suas decisões. Isso aconteceu tanto na determinação da acareação quanto na decisão que fez com que o inquérito ficasse sob sua responsabilidade do Supremo.

No início de dezembro, Toffoli decidiu que as diligências e medidas relacionadas à investigação sobre o Master e Vorcaro deveriam passar pelo seu crivo.

Logo após a decisão do ministro, o juiz da 10ª Vara Federal de Brasília que cuidava do caso decidiu enviar todo o material da investigação ao Supremo.

"Diante de investigação supostamente dirigida contra pessoas com foro por prerrogativa de função, conforme inclusive já noticiado pela mídia formal, fixada está a competência da corte constitucional", disse Toffoli à época, em sua decisão.

O dono do Master foi preso em novembro no aeroporto de Guarulhos (SP) quando embarcava para Dubai. Foi solto no mesmo mês por uma juíza do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que afirmou que o banqueiro comprovou ter comunicado previamente ao Banco Central a viagem aos Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de se reunir com empresários interessados na compra do Master.

A magistrada determinou que ele continuasse monitorado com uso de tornozeleira eletrônica.

Na terça, Vorcaro foi ouvido por duas horas e meia. A oitiva com ele terminou por volta das 17h. Na sequência falou o ex-presidente do BRB, por cerca de duas horas. Ambos são investigados.

A acareação tratou de divergências sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes, segundo os investigadores, do Master para o BRB, o banco estatal de Brasília. O diretor do BC foi dispensado de participar desse confronto de versões.

Costa afirmou, por meio de sua defesa, que não houve contradições nos depoimentos.

"Não houve contradições entre seu depoimento e o de Daniel Vorcaro, mas apenas percepções distintas sobre os mesmos fatos", informou a defesa, em nota. A defesa do dono do Master não se manifestou.

No depoimento, o ex-presidente do BRB relatou que o banco do Distrito Federal ainda tem que recuperar R$ 2,5 bilhões dos R$ 12,5 bilhões investidos no Master para a compra de carteiras de crédito consignado fraudulentas.

Costa disse que o BRB tem R$ 1,7 bilhão em títulos do governo dos Estados Unidos repassados pelo Master. Ele informou que esses papeis já estão em fase de liquidação, porque o Master já havia assinado os documentos de transferência.

TCU vai analisar documentos do Master que estão no BC

O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Vital do Rêgo, informou à reportagem que a unidade técnica fará uma inspeção e análise da documentação que está em mãos do Banco Central para depois se manifestar sobre o processo que apura falhas e omissões no caso Master após .

Somente depois da inspeção dos auditores, é que o material será enviado ao relator do caso, o ministro Jhonatan de Jesus. O caso está sob sigilo a pedido do relator.

Ele disse que o processo segue em ritmo normal, mesmo no período de recesso por conta da análise da documentação.

Segundo Vital do Rêgo, a documentação está no Banco Central. "O que o Banco Central nos mandou foi uma nota técnica. A documentação está no banco, que abriu para que nós pudéssemos fazer a inspeção, porque essa é a nossa competência", disse. "Certamente a unidade técnica vai se posicionar depois que fizer essa análise."
O presidente informou que o processo de inspeção começou nesta sexta-feira (02), mesmo em recesso. Vital do Rêgo relatou que todas as secretarias do tribunal têm plantonistas a postos para tratar de qualquer situação de emergência. "É um processo absolutamente comum, em que o tribunal fiscaliza o órgão regulador", esclareceu.

O próprio relator, por meio da assessoria de imprensa do TCU, já havia informado que o relatório entregue pelo BC, na última segunda-feira (30), seria analisado pela unidade técnica do TCU antes do seu parecer. "Após essa fase, os autos sobem ao gabinete para exame do relator, ministro Jhonatan de Jesus", informou o comunicado do TCU repassado à imprensa.

Na prática, essa sinalização do relator aponta que ele deve esperar um levantamento da área técnica antes de tomar uma decisão. Há uma preocupação no sistema bancário com o risco de o relator dar uma cautelar suspendendo a liquidação do Master decretada pelo BC em novembro. Entre os riscos de tal medida estaria atrapalhar o processo de pagamento pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de títulos de renda fixa não honrados com a liquidação do banco de Daniel Vorcaro.

Ministros do TCU ouvidos nesta sexta-feira, na condição de anonimato, afirmam que a análise da documentação do BC pela área técnica, antes do parecer do relator, diminui o risco de uma medida cautelar durante o recesso do tribunal.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, ministros e técnicos do tribunal, ouvidos avaliam que a corte tem poder legal para investigar a atuação do BC, mas há uma divisão entre eles sobre a força do TCU para anular a liquidação do Master, decretada pelo órgão regulador do sistema bancário brasileiro em novembro.

O TCU faz o que é tecnicamente chamado de análise de "segunda ordem" para verificar se o órgão regulador agiu dentro das competências dele e, no máximo, se aquela decisão atende ao critério de razoabilidade. Não caberia ao TCU avaliar qual é a melhor decisão regulatória a ser tomada.

Apesar da polêmica em torno do alcance do poder de interferência do TCU no caso, a avaliação de ministros mais influentes do tribunal é que não há votos suficientes hoje para aprovação de uma reversão da liquidação do Master. Um ministro influente da corte disse que é improvável que Jhonatan dê uma cautelar suspendendo a liquidação.

A reportagem ouviu relatos de integrantes do TCU e pessoas envolvidas no caso de que o principal foco da defesa de Vorcaro nesse primeiro momento é conseguir no TCU a nulidade do processo do Master no BC, não necessariamente da liquidação do Master, para enfraquecer as decisões da autarquia e mostrar que o processo criminal não deveria ter continuidade. Nesse cenário, ficaria afastado o risco de uma delação mais à frente de Vorcaro, o que é temido por políticos e autoridades influentes que têm ligação com o ex-banqueiro.

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