Número 2 da Policia Federal diz ter confiança em Andrei, e cúpula vê decisão política

Quem é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado por ordem de Mendonça

Número 2 da Policia Federal diz ter confiança em Andrei, e cúpula vê decisão política
Número 2 da Policia Federal diz ter confiança em Andrei, e cúpula vê decisão política

José Marques-brasília, Df (folhapress) - 08/09/2026 13:50:25 | Foto: William Marcel Murad. Marcos Oliveira/Agência Senado

O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, número 2 da corporação, disse em discurso nesta terça-feira (8) que manifesta confiança no diretor-geral Andrei Rodrigues após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça determinar que o chefe da corporação se afaste do cargo.

Após o afastamento, integrantes da cúpula da PF manifestaram, sob reserva, sentimento de indignação e revolta e entenderam a decisão do Supremo como política.

Andrei cancelou a participação em um evento da PF durante a manhã, pouco antes do horário previsto para discursar na abertura de um curso de formação profissional de agentes. Ele tomou conhecimento da decisão a caminho do local da cerimônia.

"Não nos deixaremos abalar com ataques, venham de onde vier, e afirmamos a nossa total confiança na direção-geral e no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos", disse Murad no discurso. Ele saiu do evento sem falar com a imprensa.

À Folha, um superintendente da PF próximo a Andrei disse que "a avaliação é de espanto", ao falar da decisão. Para ele, o ministro tenta influenciar no andamento de investigações, comportamento que não vê no diretor-geral.

Na Academia Nacional, em Brasília, 735 alunos aguardaram sentados cerca de 50 minutos até serem informados de que Murad substituiria Andrei no evento.

O que motivou o pedido de afastamento, segundo a decisão de Mendonça, foi a produção de um relatório interno da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para pedir uma investigação contra o próprio Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O magistrado pediu preventivamente que o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, deixe o cargo.

Fux convocou uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do Supremo nesta terça para analisar a decisão de Mendonça contra Andrei Rodrigues. A turma é composta pelos ministros Luiz Fux (presidente), Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Nunes Marques, além do próprio André Mendonça.

A turma formou maioria para manter o afastamento de Rodrigues, mas Gilmar pediu vista (mais tempo para análise) e suspendeu a sessão.

Quem é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado por ordem de Mendonça

BÁRBARA BLUM-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, teve o afastamento do cargo determinado nesta terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O STF formou maioria para manter a determinação de Mendonça. Gilmar Mendes pediu vista, movimento que aumenta em 90 dias o prazo para analisar o processo, mas isso não muda os efeitos da decisão de Mendonça, e Rodrigues segue afastado.

Rodrigues foi responsabilizado por um relatório interno produzido pela PF e utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra Mendonça, por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Essa alegação de abuso de autoridade vem na esteira da publicação, por Mendonça, de apurações da PF que ligavam Moraes ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O relatório aponta que Mendonça teria agido para direcionar as investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos". Mendonça se mostrou disposto a levar ao plenário a discussão sobre a abertura de uma investigação formal contra o colega.

Andrei foi o nome escolhido pelo presidente Lula (PT) para substituir a cúpula bolsonarista que ocupava a PF até 2023. Ele havia atuado como coordenador de segurança do petista e, antes disso, fez parte da segurança da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2010. Era próximo do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

Além disso, Andrei atuou na segurança de eventos como a Copa do Mundo em 2014 e nosJogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Nas ocasiões, ele foi secretário extraordinário de Segurança de Grandes Eventos.

Sua passagem pela PF foi marcada por atritos com outras instituições. Sob sua direção, a PF levantou investigações sobre integrantes de órgãos como Exército, Polícia Rodoviária Federal, GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e Abin (Agência Brasileira de Inteligência), além do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

No início do terceiro governo Lula, em 2023, Andrei comprou uma briga para decidir quem seria responsável por fazer a segurança pessoal do presidente e da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja.

O petista assinou um decreto criando a Secretaria Extraordinária de Segurança Imediata do Presidente da República, que passou para a PF a incumbência de boa parte da proteção. Andrei pressionou pela extensão da medida, causando rusgas com os outros órgãos. A segurança de Lula acabou voltando à GSI.

Andrei teve ainda tensões com a Abin. Em janeiro de 2024, as disputas do órgão com a PF culminaram na demissão do número 2 da agência, o ex-diretor-adjunto Alessandro Moretti. Ele havia sido citado em um relatório da polícia sobre o suposto uso do órgão no governo Jair Bolsonaro (PL) para espionar adversários políticos.

Ao anunciar o nome de Andrei, Lula afirmou que será necessário consertar a PF e que não queria "policiais dando shows nas investigações".

À época de sua nomeação, a PF passava por uma crise severa. Bolsonaro teve o maior número de diretores-gerais desde a gestão FHC (PSDB). Foram quatro nomeados (Maurício Valeiro, Rolando de Souza, Paulo Maiurino e o atual Márcio Nunes) e um barrado pelo Supremo Tribunal Federal (Alexandre Ramagem).

Rodrigues era visto internamente como respeitado e comprometido com a corporação. Antes da direção-geral, ele não ocupou os cargos centrais da entidade, mas, sim, postos de gestão. Foi oficial de ligação na Espanha, coordenador-geral de Polícia Fazendária, chefe da delegacia do aeroporto de Brasília e assistente do diretor executivo na gestão de Luiz Fernando Corrêa no segundo governo Lula.

Comentários para "Número 2 da Policia Federal diz ter confiança em Andrei, e cúpula vê decisão política":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório