Andrei cancela participação em evento da PF após Mendonça determinar seu afastamento
Raquel Lopes E Luísa Martins-brasília, Df (folhapress) - 08/09/2026 11:15:37 | Foto: Andressa Anholete/STF
A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta terça-feira (8) para referendar a ordem do ministro André Mendonça e manter o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF (Polícia Federal). O julgamento, porém, foi suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Em menos de dez minutos após a abertura da sessão virtual, os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux votaram para acompanhar Mendonça, em um indicativo de que o relator dos casos Master e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tem apoio suficiente no colegiado.
O pedido de vista -mais tempo para analisar o processo- de Gilmar tem prazo de 90 dias, mas não muda o efeito prático da decisão de Mendonça. Com isso, segue válida a decisão cautelar que afastou tanto Rodrigues o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
A justificativa principal do afastamento de ambos foi um relatório interno produzido pela PF e utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra o próprio Mendonça, por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O relatório aponta que Mendonça teria agido para direcionar as investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".
A alegação de abuso de autoridade ocorreu depois que Mendonça tornou públicas apurações da PF que identificaram Moraes como interlocutor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O relator sinalizou disposição para levar ao plenário a possibilidade de abir uma investigação formal contra o colega.
Ao determinar o afastamento do diretor-geral, Mendonça afirmou que o relatório utilizado por Moraes não tem validade. "A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos 'relatórios de inteligência' impõe a adoção de providências imediatas", escreveu o relator.
De acordo com Mendonça, é "inimaginável" conceber que setores da PF estejam produzindo relatórios para "descredibilizar o trabalho técnico realizado" por outros delegados e agentes que estão atuando no caso Master.
"Verifica-se que o documento é apócrifo, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe empregar o mínimo grau de legitimidade e confiabilidade, inviabilizando qualquer conferência quanto à sua autoria e data de elaboração", diz o relator.
Andrei cancela participação em evento da PF após Mendonça determinar seu afastamento
JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, cancelou a participação em um evento na manhã desta terça-feira (8), após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça determinar seu afastamento do cargo.
Andrei recebeu a notícia da decisão de Mendonça, também dada nesta terça, pouco antes do horário previsto para discursar, no início de um curso de formação profissional de agentes.
Na Academia Nacional, em Brasília, 735 alunos aguardaram sentados cerca de 50 minutos até serem informados de que William Murad, diretor-executivo e número 2 no comando da PF, substituiria Andrei.
O que motivou o pedido de afastamento, segundo a decisão de Mendonça, foi a produção de um relatório interno da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para pedir uma investigação contra o próprio Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O magistrado pediu preventivamente que o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, deixe o cargo.
A decisão desta terça ainda precisa ser julgada pela segunda turma do Supremo, que é composta pelos ministros Luiz Fux (presidente), Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Nunes Marques, além do próprio André Mendonça.
Fux convocou uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do Supremo nesta terça para analisar a decisão de Mendonça contra Andrei Rodrigues. A turma é composta pelos ministros Luiz Fux (presidente), Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Nunes Marques, além do próprio André Mendonça.
A turma formou maioria para manter o afastamento de Rodrigues, mas Gilmar pediu vista (mais tempo para análise) e suspendeu a sessão.
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