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Agnelo, um outro “mané”

Agnelo, um outro “mané”Foto:

Edson Sombra - 06/06/2012 - 11:34:34

Nem todo Mané é mané. Garrincha é um bom exemplo disso. Foi um craque como poucos do futebol brasileiro. No Botafogo ou na seleção, fez o Brasil brilhar. Tão distante de seu berço, foi Brasília a cidade que reconheceu esse talento dos campos ao batizar seu maior estádio em homenagem ao “anjo das pernas tortas”.

O nome deu sorte para o campo. Abrigou inesquecíveis partidas, como Corinthians e Ceub, que inaugurou as redes da arena com um gol de Vaguinho; ou Gama e Londrina, que lotou suas arquibancadas com 51 mil pessoas; ou mesmo Brasil e Chile (2005), que levou o nosso maior estádio ser palco de um amistoso transmitido para todo os amantes da "paixão nacional". ...

Futebol à parte, o nosso Mané, o monumental, também destacou-se na cena musical. Abrigou momentos históricos de nossa cidade, como o polêmico show da banda Legião Urbana em 1988, que marcou a cena do rock brasileiro. Ou mesmo ao receber os Mamonas Assassinas momentos antes do fim trágico do tão bem-humorado grupo musical.

Em Brasília, além de ídolo, Mané é referência. Não apenas no esporte, mas também nas direções. O próprio Nilson Nelson, o ginásio, tenta seguir carreira solo, mas sempre carrega nas costas o fardo de ter sido construído justamente ao lado do nosso Mané e ter de conviver com esse aposto todos os dias, desde a sua inauguração.

História é isso. Integra a vida da população de forma tão discreta que faz com que naturalmente uma revolta grande surja quando, de forma arbitrária, um comando passageiro palaciano tenta deixar sua marca ao apagar a lembrança de um povo, de um ídolo.

Se de um lado Mané deixou de ser apenas um apelido para Manuel Francisco dos Santos há tempos, de outro manés tentam ignorar a nossa tão recente história. Mané Garrincha é muito mais que apenas o nome de um estádio: representa uma das poucas partes boas da trajetória de nossa tão sofrida capital brasileira.

O grande Mané já teve um fim triste, pouco digno de sua história. O outro mané tenta fazer o mesmo com o nosso Mané monumental. É justamente por isso que a cidade precisa se unir.

Não há de se permitir que um aventureiro inconsequente, perdido em suas seguidas trapalhadas e orientado por aloprados sem afinidade alguma com nosso Distrito Federal, consiga tirar de nós, brasilienses de fato e de direito, esse pedaço de nossas vidas, apaixonadas ou não pelo futebol: o Estádio Mané Garrincha.

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