Vice-presidente classifica como equivocada a acusação de fraude feita pelo presidente dos EUA e afirma que Brasil seguirá negociando acordos comerciais com Washington
Paulo Emílio - Portal De Notícias Brasil 247 - 26/10/2026 18:33:31 | Foto: REPRODUÇÃO Brasil 247
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) reagiu nesta segunda-feira (26) às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que colocou em dúvida a legitimidade da eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Alckmin classificou a manifestação do estadunidense como “totalmente equivocada”, rejeitou qualquer interferência estrangeira no processo democrático do país e defendeu a segurança do sistema eletrônico de votação.
Em entrevista à Rede Vanguarda, afiliada da TV Globo no interior de São Paulo, conforme o G1, Alckmin afirmou que Trump não apresentou elementos que sustentem suas suspeitas. O vice-presidente ressaltou que a soberania brasileira deve ser respeitada e que o resultado das urnas expressa a decisão dos eleitores.
“Olha, totalmente equivocada, né? Primeiro não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar. Segundo não tem nenhum referencial pra dizer isso. Aliás, o Brasil é um exemplo pro mundo. De urna eletrônica, de segurança jurídica. Democracia é assim. Você ganha eleição, você perde a eleição, é o povo que decide. Mas o caminho é o caminho da negociação”, declarou Alckmin.
A resposta ocorreu depois de Trump afirmar, também nesta segunda-feira, que a disputa presidencial brasileira apresentava sinais de irregularidade. O presidente estadunidense não apresentou provas ou indícios concretos de fraude.
“Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”, afirmou Trump. Em seguida, acrescentou: “Para mim, pareceu muito ruim”, disse.
O resultado do segundo turno, realizado no domingo (25), foi confirmado ainda naquela noite pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
Apesar de levantar suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro, Trump procurou minimizar a possibilidade de uma intervenção direta dos Estados Unidos.
Questionado por jornalistas sobre eventuais medidas relacionadas ao resultado, o presidente estadunidense reconheceu que não tem autoridade sobre as decisões políticas brasileiras e destacou sua relação com Lula.
“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, ressaltou
Mesmo diante das declarações de Trump, Alckmin sinalizou que o governo brasileiro pretende preservar os canais de diálogo com Washington e avançar nas negociações econômicas entre os dois países.
O vice-presidente afirmou que o encerramento da disputa eleitoral permitirá ao governo concentrar esforços na busca de acordos comerciais, sem abandonar a defesa da soberania nacional.
“Nós, encerrada a eleição, vamos continuar a negociação com os Estados Unidos pra ter um bom acordo, tamos abrindo mercado, fizemos acordo Mercosul-Singapura, Mercosul-Nafta, Mercosul-União Europeia, 27 países da Europa, cresceu mais de 30% em 5 meses as nossas exportações pra Europa. Tamos bem encaminhados Mercosul-Canadá, tanto é que mesmo com tarifação americano nós estamos batendo recorde de exportação”.
Na avaliação apresentada por Alckmin, a diversificação dos parceiros comerciais tem permitido ao Brasil ampliar suas exportações mesmo diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Ele destacou o crescimento superior a 30% das vendas brasileiras para a Europa em cinco meses e mencionou as negociações envolvendo o Mercosul e o Canadá como parte da estratégia de expansão comercial.
Durante a entrevista, Alckmin também comentou as especulações sobre uma possível mudança na equipe econômica do próximo governo Lula.
Questionado sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Fazenda, afirmou que não recebeu convite para ocupar o cargo e ressaltou que o presidente reeleito ainda dispõe de tempo para definir a composição ministerial.
“Olha… esse convite não me foi feito, Ademir, e cada coisa tem o seu tempo. Acabou a eleição agora, essa semana, o novo governo começa na primeira semana de janeiro do ano que vem, então tem tempo pro presidente Lula montar o seu ministério”, afirmou.
A declaração ocorre no início das discussões sobre a formação da equipe que acompanhará Lula em seu novo mandato, previsto para começar em janeiro de 2027.
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