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Dor e indignação no adeus a Shirley Rúbia

Dor e indignação no adeus a Shirley RúbiaFoto: CorreioWeb

Familiares e amigos homenagearam Shirley com fotos e mensagenes na entrada da capela

Darcianne Diogo - Correioweb - 17/09/2020 - 06:54:23

Segurança assassinada pelo ex-marido foi enterrada ontem, no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. Filha que viu o crime não foi levada à cerimônia

Em meio à comoção e à revolta, parentes e amigos prestaram as últimas homenagens, ontem, a Shirley Rúbia Gertrudes, 39 anos. A segurança foi assassinada, na última segunda-feira, pelo marido Rafael Rodrigues Manuel, 35, dentro do Hospital São Francisco, em Ceilândia, durante a consulta pediátrica da filha do ex-casal, de 4 anos.

O velório começou por volta das 14h, na Capela 8 do Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. Cerca de 150 pessoas compareceram à cerimônia. Na entrada da capela, imagens de Shirley, coladas por familiares, homenagearam a segurança. Em um dos registros fotográficos, uma mensagem dizia: “Saudades eternas”. Shirley deixa dois filhos — a menina que presenciou o crime e um adolescente de 17 anos. A criança não foi levada ao velório.

A cerimônia evangélica foi tomada por orações e louvores. “Hoje, a Shirley deixa um legado para a família e para todos que conviveram com ela. Não vim aqui para relatar o ocorrido, pois todos sabem, mas para prestar essa homenagem. Com toda lealdade, estamos aqui para nos despedir desse corpo, porque o espírito dela já está no céu”, disse um dos pastores convidados.

Robson Eurípedes, 52, um dos cinco irmãos de Shirley, a descreve como companheira. “Todos os dias ela me mandava mensagem, mas no dia que ocorreu essa fatalidade, ela não me enviou nada, e eu achei estranho. Só depois que soube dessa notícia. Ela era minha amiga, meu apoio”, desabafa.

Shirley chegou a atuar como recepcionista no Hospital São Francisco entre 2013 e 2017. No trabalho, a segurança não sabia falar de outra coisa a não ser dos filhos, como descreve a amiga Mirlene Alves, 37. “Ela tatuou o nome dos dois filhos na pele e não tinha outro assunto. Era o dia inteiro falando deles. Uma excelente mãe, batalhadora. Nunca conheci uma mulher tão alegre, espontânea e forte”, destaca.

Durante o velório, uma das irmãs da vítima precisou de atendimento médico e foi retirada da capela. Emocionada, ela gritava: “Shirley, não! Quero minha irmã de volta! Não vai embora, minha irmãzinha, por favor.”

Rafael Rodrigues também foi enterrado no mesmo cemitério, mas pela manhã. Após cometer o feminicídio, ele se matou na casa onde morava com os pais, em Samambaia.

O caso

No dia do crime, Shirley Rúbia chegou ao hospital acompanhada do ex-marido Rafael, para levar a filha deles a uma consulta pediátrica. Os dois aguardaram na sala de espera e, após alguns minutos, foram chamados pelo médico.

Dentro do consultório, Rafael saiu por um instante. Segundo as investigações, nesse momento, o homem, que trabalhava como auxiliar de cinegrafista em uma emissora de televisão, foi ao carro e pegou uma faca. Ao retornar à sala, ele atingiu Shirley com diversas facadas, uma delas atacou o coração. Tanto o pediatra quanto a criança presenciaram o assassinato. No momento do crime, a menina se pesava na balança para dar início aos exames.

A segurança foi encaminhada imediatamente ao centro cirúrgico do próprio hospital, mas não resistiu e morreu. Após cometer o crime, Rafael fugiu do local, e dirigiu até a casa onde morava com os pais, em Samambaia. Lá, se matou com um tiro.

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