Flávio Bolsonaro, que não reconhece derrota, disse em sabatina que respeitaria resultado
Ana Luiza Albuquerque, José Marques E Ana Pompeu-são Paulo, Sp, E Brasília, Df (folhapress) - 26/10/2026 18:18:23 | Foto: LUIZ SILVEIRA/STF | CARLOS MOURA/AGÊNCIA SENADO
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial neste domingo (25), foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes (comum e diplomático) e está proibido de deixar o país, por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Flávio foi intimado pela PF pela manhã a entregar os documentos no prazo de 24 horas. A decisão de Moraes prevê ainda que ele está proibido de se comunicar com Willer Tomaz.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (26), Flávio disse que a motivação teria sido uma declaração de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que afirmou na sexta-feira (23) que o senador deveria deixar o país caso saísse derrotado das eleições.
"Eu nunca falei isso, isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? (...) Se eu tivesse ganhado as eleições, iria acontecer a mesma coisa? Essa PF iria estar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua?", questionou o senador.
De acordo com Flávio, ele foi intimado pela Polícia Federal quando deixava a casa do pai, nesta segunda, em Brasília. Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado pelo Supremo a mais de 27 anos de prisão por ter tentado um golpe em 2022.
Flávio afirmou ainda que nunca pensou em sair do país e que irá entregar seus passaportes. Nota divulgada por sua assessoria de imprensa diz que a decisão deverá ser cumprida em até 24 horas.
O senador é formalmente investigado no inquérito do Supremo que envolve o filme "Dark Horse", que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ele é alvo ainda de um pedido de inquérito que a Polícia Federal enviou ao STF para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo seu amigo, o advogado Willer Tomaz, também investigado no caso das fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O senador também afirmou nesta segunda que irá pedir a cassação da chapa de Lula, alegando que o presidente cometeu abuso de poder político e econômico. No domingo (25), ele havia dito que pediria a anulação do pleito.
No vídeo, Flávio acusa o petista de ter injetado dinheiro público "para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil", fala em "um complexo industrial de fake news" e critica a decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar o horário da votação até as 19h neste domingo.
O pedido da campanha de Lula para estender a votação foi motivado por evidências de que eleitores enfrentaram dificuldades para chegar ao local de votação, devido à oferta insuficiente de transporte público -especialmente em Salvador e na capital paulista.
A própria campanha de Flávio também pediu a extensão da votação para cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, devido a condições climáticas adversas.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, apenas 34.330 votos, ou 0,03% do total, foram registrados após as 17h, segundo registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A maioria dos principais partidos do centrão -MDB, União, Republicanos e PSD- já reconheceram a vitória de Lula.
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação do prazo de fechamento das urnas não causou problemas na totalização de votos. Ele também relatou ter telefonado aos dois candidatos à Presidência para confirmar o resultado definitivo.
Flávio Bolsonaro, que não reconhece derrota, disse em sabatina que respeitaria resultado
MATHEUS ROCHA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas eleições deste domingo (25), afirmou que iria pedir a anulação do resultado dos votos após Lula (PT) vencer o pleito.
É uma declaração que contraria o que o político afirmou durante a sua campanha. Em sabatina na TV Globo no dia 16 de outubro, ele afirmou que respeitaria os resultados das urnas. "Vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Independentemente de qual for o resultado, vou respeitar."
Desta vez, porém, Flávio afirma que pedirá a anulação dos votos sob o argumento de que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Cristiano Zanin, teria interferido nos resultados ao estender o horário de votação em duas horas.
O magistrado acatou pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que a votação fosse prorrogada.
A equipe do petista havia pedido a prorrogação sob a justificativa de que não foram colocados ônibus à disposição dos eleitores em número suficiente em algumas cidades do Brasil. Em razão da mudança de horário, Flávio afirmou que não poderia aceitar o resultado.
"O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo, no meio do jogo, às 17 horas e um minuto", disse ele.
"O ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros e diversas cidades de diferentes estados", completou, ao comentar decisão do ministro.
Apenas 34.330 votos, ou 0,03% do total, foram registrados após as 17h de domingo, segundo registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu por uma diferença de 4.430.191 votos.
A campanha de Flávio também pediu a prorrogação do término do pleito. O pedido da equipe do senador se restringiu às cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina.
De acordo com a equipe, a medida excepcional seria justificada pelas condições climáticas nessas regiões, que registraram chuvas intensas, deslizamentos, alagamentos e bloqueios de vias durante as eleições.
Comentários para "Flávio Bolsonaro é intimado pela PF a entregar passaporte por ordem de Moraes e fica proibido de deixar o país":