Avião em que Flávio Bolsonaro estaria pousa em Miami
José Marques-brasília, Df (folhapress) - 28/10/2026 11:10:19 | Foto: Ilustrativa do Miami-Opa locka Executive Airport
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou um passaporte italiano para entrar na Argentina na noite de terça-feira (27), antes de embarcar em um voo com sua família que tem como destino final Miami, nos Estados Unidos.
Flávio, sua esposa, Fernanda, e suas duas filhas entraram no país vizinho pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. As três apresentaram passaportes brasileiros.
Os quatro não passaram por nenhum posto de controle da PF ao deixarem o Brasil, já que não é cobrada a saída de brasileiros por fronteira seca.
No domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), havia determinado que os passaportes brasileiros de Flávio fossem cancelados pela Polícia Federal.
Também decidiu que Flávio deveria entregar qualquer passaporte estrangeiro que tivesse, o que ele não fez. A polícia oficiou Moraes informando o descumprimento da ordem por parte do senador.
Não havia ordem judicial para prender Flávio ou determinar alguma medida similar contra ele, e a PF não estava monitorando o senador quando ele deixou sua residência em Brasília.
Comunicado da Direção Nacional de Migrações da Argentina disse que "às 22h50 do dia 27/10 ingressaram pelo passo fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, os cidadãos Flavio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro, que o fizeram com documentação hábil de viagem sem nenhum impedimento legal para o ingresso no país. Os trânsitos foram registrados pela autoridade de aplicação sem incidentes".
O presidente Donald Trump afirmou na noite de terça que aprovaria a entrada nos Estados Unidos do senador, mas não sabia o paradeiro do aliado.
"Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora", declarou. "Mas eu certamente me aproximaria bastante dele."
Mais cedo, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha de S.Paulo que o governo americano concederá vistos a Flávio e a seus familiares, autorizando a entrada e permanência nos Estados Unidos.
Avião em que Flávio Bolsonaro estaria pousa em Miami
NATASHA BIN-MIAMI, EUA (FOLHAPRESS) - O avião em que estaria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pousou em Miami, nos Estados Unidos nesta quarta-feira (28) às 10h23 no horário de Brasília. A aeronave saiu da Argentina na noite de terça (27) e fez escala em Guayaquil, no Equador.
O Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly S.A., aterrissou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka. Procurada pela agência AFP, a companhia não respondeu sobre o fretamento.
Flávio, a mulher, Fernanda, e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50 de terça pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, segundo a Direção Nacional de Migrações do país. O senador usou um passaporte italiano. A mulher e as filhas apresentaram documentos brasileiros.
Os quatro não passaram por posto de controle da Polícia Federal ao deixar o Brasil, já que não é cobrada a saída de brasileiros por fronteira seca.
De acordo com as autoridades argentinas, a família teria embarcado pouco depois, às 23h30, em um voo privado da Baires Fly com destino a Guayaquil. Segundo o piloto Mauro Mattosinho, trata-se do mesmo avião em cuja lista de passageiros constaria o nome de Flávio na véspera.
O piloto afirma que o senador não apareceu no horário previsto para o embarque e que a aeronave permaneceu na pista até cerca de 0h20 de quarta, quando decolou.
O Gulfstream tem autonomia para chegar aos Estados Unidos em rota direta para o norte, mas teria feito um trajeto alternativo, que evita o espaço aéreo brasileiro e consome mais combustível. O avião pousou no Equador pouco antes das 6h e, por volta das 8h30, já sobrevoava o Panamá rumo à Flórida.
Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, afirmou nesta quarta que Flávio dará entrevista coletiva em Miami na quinta (29). "Tenho visto muitas notícias falsas e desencontradas na imprensa nas últimas horas. Algumas, atribuídas inclusive a autoridades estrangeiras. O que posso dizer neste momento é que @FlavioBolsonaro está bem, em segurança e descansando com a família", declarou.
O presidente Donald Trump disse na noite de terça que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, mas que não sabia onde o aliado estava. "Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora", afirmou. "Mas eu certamente me aproximaria bastante dele."
Mais cedo, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que o governo americano concederá vistos a Flávio e aos familiares, autorizando a entrada e a permanência no país.
O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), também disse na terça desconhecer o paradeiro do candidato. Aliados acreditavam que ele teria ido aos Estados Unidos em busca de asilo.
No domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a PF cancelasse os passaportes brasileiros de Flávio e que o senador entregasse qualquer passaporte estrangeiro, o que ele não fez. A polícia informou Moraes do descumprimento.
Não havia ordem de prisão ou medida semelhante contra o senador, e a PF não o monitorava quando ele deixou sua residência em Brasília. A partir de fevereiro, quando termina seu mandato, Flávio enfrentará dois inquéritos criminais sem foro especial.
Após a derrota para o presidente Lula (PT) no domingo, Flávio afirmou que pediria a anulação da eleição. Na segunda (26), gravou um vídeo indicando desistência do questionamento. Reclamou da ordem de Moraes sobre os passaportes, mas disse que ficaria no Brasil e lideraria a oposição.
Na Argentina, a deputada Marcela Pagano apresentou denúncia criminal ao Ministério Público Federal para que a Justiça investigue a entrada do senador e a suposta operação montada para levá-lo aos Estados Unidos.
Jatinho em que Flávio e família estariam viajando para os EUA está à venda; valor pode chegar a R$ 48 milhões
FÁBIO PESCARINI-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O jato executivo Gulfstream G400 que estaria sendo usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para viajar aos EUA, está à venda. O avião, de matrícula LV-JQW, pertence à empresa argentina Baires Fly S.A. e aparece em um anúncio de compra e venda de aeronaves, mas sem preço divulgado.
De fabricação norte-americana, um G400 usado tem preço estimado entre US$ 7 milhões (R$ 37,3 milhões) e US$ 9 milhões (R$ 48,1 milhões), segundo a empresa especializada The Jet Collection.
O anúncio de venda informa que o jatinho foi fabricado em 2004 e tem 9.210,3 horas de voo e 4.048 pousos.
Flávio, a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas entraram na Argentina na noite desta terça-feira (27) pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, segundo autoridades argentinas.
"A Direção Nacional de Migrações informa que às 22h50 do dia 27/10 ingressaram pelo passo fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, os cidadãos Flavio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro, que o fizeram com documentação hábil de viagem sem nenhum impedimento legal para o ingresso no país. Os trânsitos foram registrados pela autoridade de aplicação sem incidentes", diz o comunicado da Direção Nacional de Migrações da Argentina
As autoridades argentinas também informaram que pouco depois, às 23h30, a comitiva teria embarcado em um voo privado da companhia Baires Fly S.A. com destino à cidade de Guayaquil, no Equador, de acordo com o plano.
Segundo o piloto Mauro Mattosinho, que monitora a movimentação de aeronaves na Argentina desde a madrugada desta terça, o avião que decolou rumo ao Equador é o Gulfstream G400, em cuja lista de passageiros constaria o nome de Flávio Bolsonaro na véspera.
O senador, porém, não apareceu no horário previsto para o embarque na noite anterior, e a aeronave teria permanecido na pista até por volta da 0h20 desta quarta-feira (28), quando decolou.
Mattosinho disse que o plano de voo daquela aeronave previa uma escala em Guayaquil para reabastecimento.
O Gulfstream G400 é um jato executivo de grande porte, projetado para o transporte corporativo e viagens de longa distância. O avião tem capacidade para 14 pessoas, dois motores Rolls-Royce Tay e autonomia estimada entre 7.000 km e 7.800 km, dependendo das condições operacionais.
O modelo é utilizado por empresários e milionários. Entre os nomes associados a aeronaves desse tipo está Robert Kraft, dono do time de futebol americano New England Patriots.
O ex-boxeador Floyd Mayweather Jr. e o empresário Dan Bilzerian também já foram ligados a jatos da família Gulfstream 4.
Fundada em 1996, a Baires, dona da aeronave, é uma empresa argentina de aviação executiva com sede em Buenos Aires. A companhia oferece voos privados fretados, transporte de passageiros e cargas, voos sanitários e serviços de apoio em aeroportos, incluindo abastecimento, hangaragem e assistência em solo.
Sua frota inclui jatos executivos como Gulfstream G400 e GV e modelos Learjet. A empresa também está autorizada pela autoridade aeronáutica argentina a operar serviços não regulares nacionais e internacionais de passageiros, correio e carga.
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após ter sido proibido de sair do Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, é suspeito de ter desrespeitado a ordem e fugido para os Estados Unidos, segundo aliados.
O filho de Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente condenado e preso por tramar um golpe de Estado, é alvo de inquérito enviado pela Polícia Federal ao STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro com bets junto ao advogado Willer Tomaz, de quem é amigo. A relatoria do caso é do ministro Alexandre de Moraes.
Nesta segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro foi intimado pela PF a entregar os passaportes comum e diplomático e proibido de deixar o país. Moraes também determinou que o senador não mantenha contato com Willer.
O advogado é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A relação entre ele e Flávio, ambos investigados pela PF por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo apostas, remonta pelo menos a 2019.
O celular de Willer foi apreendido durante a operação. A análise do aparelho revelou movimentações financeiras suspeitas envolvendo plataformas de apostas, holdings no exterior e outras empresas ligadas a ele, diretamente ou por meio de sócios de fachada.
No celular e no armazenamento em nuvem do advogado, os investigadores encontraram fotos, documentos pessoais do senador e referências a festas, encontros e reuniões entre os dois.
Além disso, os dois se comunicavam pelo aplicativo Confide, que permite enviar mensagens que desaparecem após serem visualizadas. Flávio aparecia entre os contatos favoritos de Willer.
A PF identificou indícios de proximidade entre eles, além de relações suspeitas do advogado com políticos próximos.
As famílias deles viajaram com passagens pagas pela Cathedral Holding, empresa portuguesa cuja maioria das ações pertence a Willer e a familiares do advogado. A Cathedral é a única acionista da Rede Loto, dona da casa de apostas BestBet.
Segundo a Polícia Federal, a ligação mais direta entre os dois é a de que Flávio também tinha acesso de "usuário master" à conta bancária da Alcazar Holding, empresa de Willer registrada na Ilha da Madeira, o que permitiria amplo controle das operações.
Segundo reportagem da revista piauí, é possível que a Cathedral tenha financiado a Alcazar Holdings.
Conforme documentos analisados pela PF, a exclusão do senador da conta foi pedida em maio de 2025.
Para os investigadores, esse acesso, somado aos demais vínculos identificados, sustenta a hipótese de que Flávio pudesse ter participação econômica ou societária de fato na Alcazar.
Diante das conexões, como mostrou a piauí, a PF abriu um inquérito para investigar se o senador também é sócio oculto da BestBet.
Após reportagem da Folha de S.Paulo mostrar que a Cathedral pagou voos para Flávio, a campanha do senador afirmou que a relação do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com Willer era apenas de amizade. O senador classificou as suspeitas de infundadas e disse que as acusações tinham motivação eleitoral.
Já a assessoria de Willer afirmou que todas as empresas e participações do advogado são lícitas, estão identificadas em registros públicos e foram informadas em declaração de Imposto de Renda.
Flávio também é investigado em outro inquérito, que apura um pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Nesse caso, o senador é investigado por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Caso tivesse sido eleito presidente, Flávio teria imunidade temporária em relação a fatos anteriores ao mandato e sem relação com o exercício do cargo.
Com a derrota, não terá esse benefício e perderá o foro especial ao deixar o Senado, em fevereiro. Será a primeira vez desde 2002 que ficará sem ocupar um cargo eletivo.
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