×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 24 de outubro de 2021

Huawei ameaça poder norte-americano de espionagem, diz pesquisador

Huawei ameaça poder norte-americano de espionagem, diz pesquisadorFoto: Divulgação

Avanços da empresa chinesa no desenvolvimento do 5G e outras estruturas de comunicação põem em cheque poderio dos EUA

Brasil De Fato - 31/05/2019 - 17:39:04

O advogado Rodrigo Val Ferreira diz que a China está preparada para a guerra comercial

O que faz a empresa chinesa Huawei, e por que ela virou alvo dos Estados Unidos?

A empresa norte-americana de tecnologia Google, cujo sistema operacional Android está instalado em grande parte dos smartphones do mundo, anunciou em 20 de maio que cortaria relações com a Huawei, gigante chinesa das telecomunicações.

A medida foi tomada após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar emergência nacional com o suposto objetivo de proteger as redes do país. A medida, que afeta principalmente a China, proíbe que companhias dos Estados Unidos utilizem equipamentos de telecomunicações de “adversários estrangeiros”.

Logo de início, ficou claro, no entanto, que o novo capítulo da guerra comercial com o país asiático ia muito além da habitual troca de hostilidades tarifárias, em voga desde que Trump sucedeu Barack Obama na Casa Branca. Desta vez, a diligência tinha como alvo a Huawei, empresa que lidera os avanços da tecnologia 5G.

Entenda:

O que é a Huawei?

A Huawei é a segunda maior companhia do mundo no setor de telefonia móvel, ficando na frente da norte-americana Apple, e atrás somente da sul-coreana Samsung.

Embora seja mais conhecida pelos telefones celulares, a empresa é responsável por produzir uma série de outros equipamentos de comunicação e por fornecer tecnologia para que outras fabricantes façam seus próprios aparelhos e redes wi-fi.

A Huawei está negociando o fornecimento da quinta geração (5G) de internet móvel com vários países do mundo. A tecnologia, que pode ter uma velocidade até 20 vezes maior que o 4G, poderá gerar uma série de novos avanços, que vão desde a implementação de novos sistemas de carros autônomos, até cirurgias feitas à distância.

Por que os EUA adotaram medidas contra a Huawei?

Há mais de um ano, em fevereiro de 2018, FBI, CIA, NSA e outras três agências de segurança dos Estados Unidos pediram que os cidadãos norte-americanos não usassem smartphones da Huawei. A razão dada é a de que os celulares poderiam ser usados como dispositivos de espionagem.

Embora não existam acusações formais desta prática contra a empresa chinesa, a retórica antiespionagem ganhou força, desembocando na declaração de emergência nacional de Trump.

Parte das desconfianças contra a Huawei se deve ao fato de seu fundador, Ren Zhengfei, ter sido engenheiro do Exército de Libertação do Povo Chinês no início dos anos 1980. A empresa nega reiteradamente que queira espionar os EUA ou que tenha qualquer vínculo com o governo chinês. Entretanto, críticos afirmam que as leis da China impedem que empresas se recusem a ajudar o governo caso ele ordene uma coleta de informações.

Segundo o advogado Rodrigo do Val Ferreira, pesquisador e consultor internacional que vive na China desde 2005, o que está em questão para os norte-americanos não é a possibilidade de a China os espionar, mas justamente o contrário: a expansão da tecnologia 5G faria Washington perder o seu próprio poder de espionagem sobre os outros.

“O problema é perder a capacidade de espionagem que [os EUA] haviam criado por meio de empresas que fomentavam seus serviços de inteligência - e, por consequência, sua economia - com informações roubadas […] É o medo de perder essa hegemonia, que sabemos bem a que classe no mundo favorece, o que está, em nível mais avançado, por trás da perseguição à Huawei”, diz.

Para ele, “o avanço da Huawei na construção de uma nova geração de infraestrutura de comunicação, sobretudo a plataforma 5G, mas não apenas ela, é sem dúvida alguma a principal motivação dessa nova escala protecionista americana, sobre o pretexto da segurança nacional”.

Como as medidas tomadas pelos EUA impactam a Huawei?

Apenas o fim da relação entre o Google e a Huawei já deverá causar uma série de problemas aos proprietários de celulares da marca chinesa. Isso porque o sistema Android não irá receber mais atualizações, afetando uma série de aplicativos, como o Gmail, Google Maps, Youtube, Play Store etc.

Para Ferreira, é difícil dizer o resultado das sanções dos EUA.

“O mais provável é que o consumidor, de uma maneira geral, e a privacidade de todos, seja a maior vítima em curto prazo. A empresa, como tem anunciado já faz tempo, vem se preparando para este risco, desde a ascensão da parcela mais elitista da direita norte-americana à Casa Branca”.

Nos últimos anos, a companhia chinesa registrou um grande crescimento no mercado global e a tendência é que siga crescendo. Especialmente na África e na Ásia, onde se concentra boa parte de suas vendas, o preço dos produtos da Huawei torna a marca muito mais acessível que sua concorrente norte-americana mais próxima, a Apple.

Além de contratos na China, a Huawei assinou uma série de outras parcerias comerciais, entre elas, 25 na Europa e 10 no Oriente Médio. As sanções dos EUA poderiam afetar o cumprimento dos acordos de implementação de novas tecnologias nos países, uma vez que impactam no fornecimento de peças.

O cerco, porém, pode não surtir efeito. Segundo Ferreira, a Huawei estocou quantidades suficientes de itens importados, para que não haja uma ruptura à sua cadeia de fornecimento, e avançou na codificação de um sistema operacional próprio.

"A China ainda tem seus gargalos na manufatura de equipamentos domésticos para a impressão de chips, mas já domina o processo de manufatura de chips de computação há muitos anos”.

As sanções dos EUA podem ter inclusive um efeito inverso, segundo o pesquisador. Para ele, “as privações pelas quais [a China] vem passando apenas aceleram, ainda mais, a sua autossuficiência e vanguardismo no setor” de telecomunicações.

Edição: Daniel Giovanaz

Comentários para "Huawei ameaça poder norte-americano de espionagem, diz pesquisador":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Rússia bate novo recorde de mortes por Covid-19

Rússia bate novo recorde de mortes por Covid-19

A Rússia foi o primeiro país do mundo a autorizar uma vacina contra covid-19 com o lançamento do Sputnik V em agosto de 2020

Moscou adotará medidas de lockdown para conter alta da Covid-19

Moscou adotará medidas de lockdown para conter alta da Covid-19

Regras entram em vigor a partir do dia 28

130ª Feira de Cantão: China continua a abertura e compartilha oportunidades com o mundo

130ª Feira de Cantão: China continua a abertura e compartilha oportunidades com o mundo

Em sua carta, Xi observou que a feira fez contribuições significativas para facilitar o comércio internacional, o intercâmbio externo-interno e o desenvolvimento econômico desde sua criação em 1957

Paraguai reforça segurança na fronteira com Brasil

Paraguai reforça segurança na fronteira com Brasil

Congressistas americanos pedem recuo na relação com Brasil

Desenvolvimento é a força motriz da erradicação da pobreza na China

Desenvolvimento é a força motriz da erradicação da pobreza na China

Entre 1990 e 2010, no contexto da arrancada industrial, proporção de população pobre chinesa passou de 66,3% para 11,2%, de acordo com o Banco Mundial

China emite selos comemorativos da COP15

China emite selos comemorativos da COP15

Foto tirada em 11 de outubro de 2021 mostra os detalhes de um selo comemorativo para a 15ª reunião da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP15) realizada em Kunming, Província de Yunnan, sudoeste da China.

ONG austríaca denuncia Jair Bolsonaro a tribunal internacional por 'crimes contra a humanidade'

ONG austríaca denuncia Jair Bolsonaro a tribunal internacional por 'crimes contra a humanidade'

O tribunal não tem obrigação de julgar todos os casos apresentados.

Veja o que dizem os presidentes latino-americanos flagrados com empresas em paraísos fiscais

Veja o que dizem os presidentes latino-americanos flagrados com empresas em paraísos fiscais

As Ilhas Virgens Britânicas são consideradas um dos principais paraísos fiscais do mundo, possuem apenas 152km² e 400 mil empresas registradas, recebendo cerca de US$ 60 bilhões anualmente

Brasil concede 80 vistos humanitários para cidadãos do Afeganistão

Brasil concede 80 vistos humanitários para cidadãos do Afeganistão

Estão em andamento mais 400 pedidos de vistos

Igreja Católica da França: 216.000 menores foram vítimas de abuso sexual em 70 anos, diz relatório

Igreja Católica da França: 216.000 menores foram vítimas de abuso sexual em 70 anos, diz relatório

Cerca de 3.000 pedófilos atuaram na Igreja Católica da França desde 1950, conforme um relatório da Comissão Independente Francesa sobre Abuso Sexual na Igreja.

Pelo menos 8 países apuram denúncias sobre uso de paraísos fiscais por líderes

Pelo menos 8 países apuram denúncias sobre uso de paraísos fiscais por líderes

Autoridades tributárias de Austrália, México, Espanha e Panamá fizeram comunicados públicos afirmando que estão acompanhando as denúncias reportadas e garantindo que investigarão possíveis crimes e indivíduos mencionados nos Pandora Papers.