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O esquema vacinal. Ministério da Saúde brasileiro encomenda 1,2 mil doses de vacina contra a difteria

O esquema vacinal. Ministério da Saúde brasileiro encomenda 1,2 mil doses de vacina contra a difteriaFoto: Pixabay

Houve problemas com a produção nacional, no momento em que cai a cobertura vacinal e há um surto na Venezuela

Estadão Conteúdo - 10/06/2019 - 09:40:52

O Ministério da Saúde teve de encomendar emergencialmente 1,2 mil doses de tratamento contra difteria de um laboratório internacional, por causa de problemas na produção do insumo pelo Instituto Butantã , único fabricante nacional. A baixa nos estoques do soro vem no momento em que a Venezuela vive um surto da doença e o Brasil registra, nos últimos três anos, sucessivas quedas nos índices de cobertura vacinal.

Desde o fim da década de 1990, a doença bacteriana que afeta principalmente amígdalas, faringe, laringe e nariz, podendo causar dificuldade de respirar, não exigiu alerta. Nos últimos cinco anos, por exemplo, foram apenas 32 casos no País.

A ameaça voltou em 2016, quando a crise na Venezuela se intensificou e fez doenças controladas reaparecerem. Depois disso, o país vizinho já registrou 1.688 casos e 284 mortes pela doença. Ao mesmo tempo, no Brasil, o índice de cobertura da vacina DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, caiu de 95% para 80%.

Só com 12 frascos no estoque, o Ministério da Saúde iniciou o processo de compra das 1,2 mil ampolas por meio de uma parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) , que intermediou a compra com o fabricante internacional. Mas as ampolas só devem chegar ao País no segundo semestre.

Para Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), embora o número de casos de difteria ainda não tenha aumentado no País, a situação é preocupante. “A volta do sarampo, com 10 mil casos no ano passado na Região Norte, nos mostrou o que pode acontecer quando a cobertura vacinal cai”, diz.

O ministério afirma que reforçou a importância da vacinação de rotina com os Estados e ofertou todas as vacinas do calendário nacional aos venezuelanos que chegam ao Brasil pela fronteira com Roraima. Questionado sobre os problemas no processo de produção, o Instituto Butantã afirmou que continua a fornecer o insumo para os casos solicitados, conforme acordo feito com o Ministério da Saúde, que prevê que, embora a entidade não esteja em condições de produzir toda a demanda da pasta federal, ela pode entregar frascos diretamente aos Estados sob demanda. O Butantã destacou ainda que “vem realizando esforços no sentido de ampliar a sua produção para atender a toda a demanda do Ministério da Saúde e, eventualmente, até fornecer para outros países”.

Reforço

O esquema vacinal contra a difteria deve ser feito com três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade, e dois reforços (1 ano e 3 meses e 4 anos). O que muitos não sabem, porém, é que o imunizante exige reforços a cada dez anos até o fim da vida. Eles são feitos com a vacina dupla adulto. “Poucas pessoas vão buscar esses reforços. A maioria só descobre a vacina quando é exposto a algum risco e tem de tomar a de tétano, que é dada na mesma vacina”, diz Cunha. Ele explica que os adultos vacinados, que não tomaram o reforço, ainda estão parcialmente protegidos, mas não de forma ideal.

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