Por Carlos Honorato: Ibaneis entra na semana final no Governo do DF

A última semana de Ibaneis no cargo é marcada por dois movimentos simultâneos

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Por Carlos Honorato: Ibaneis entra na semana final no Governo do DF

Por Carlos Honorato - 23/03/2026 16:46:57 | Foto: Divulgação Carlos Honorato

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), entra nesta semana em sua reta final no comando do Palácio do Buriti, depois de anunciar que deixará o cargo em 28 de março para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. A saída abre formalmente o processo de transição no Executivo local e transfere o centro da articulação política do governo para a vice-governadora Celina Leão (PP), que deve assumir o comando do DF no dia seguinte.

A última semana de Ibaneis no cargo é marcada por dois movimentos simultâneos: a tentativa de consolidar um saldo administrativo de obras, programas e entregas, e a necessidade de organizar uma sucessão sem rupturas dentro da base aliada. O próprio governador confirmou, em diferentes declarações públicas ao longo de fevereiro e março, que manteria o plano de se desincompatibilizar em 28 de março, mesmo diante de especulações de bastidores sobre uma eventual mudança de estratégia eleitoral.

Nos últimos dias, Ibaneis intensificou agendas de governo com perfil de prestação de contas. Na sexta final antes da saída, por exemplo, participou da entrega de obras de infraestrutura no Itapoã, em mais um evento voltado a reforçar a narrativa de que encerra o ciclo no Buriti com marca de executor e com forte presença em intervenções urbanas nas regiões administrativas. Também vinha mantendo uma agenda de inaugurações, sanções e anúncios desde fevereiro, em meio ao esforço de associar o fechamento de mandato à imagem de estabilidade administrativa.

Politicamente, a saída de Ibaneis não representa apenas uma troca de comando, mas o início prático da montagem do palanque governista de 2026 no Distrito Federal. Reportagem do Correio Braziliense informa que o cronograma do governo prevê a posse de Celina Leão em 29 de março e uma sequência de exonerações e nomeações até o fim do mês, numa tentativa de evitar sobressaltos na máquina administrativa e acomodar os quadros que pretendem disputar as eleições. Segundo o jornal, ao menos 11 secretários do GDF devem deixar seus cargos para concorrer.

Nesse cenário, a semana derradeira de Ibaneis é também a semana em que se testa a solidez da base política construída por ele ao longo do mandato. Apesar de ruídos recentes na Câmara Legislativa, o governador ainda chega ao fim da gestão com um bloco aliado robusto, condição considerada estratégica para entregar a Celina uma estrutura minimamente coesa na largada de sua administração. O próprio Correio registrou, em março, que Ibaneis deixaria o cargo com base governista ainda forte na CLDF, mesmo após movimentos de reposicionamento de alguns distritais.

A transição, porém, vai além da mecânica administrativa. Ela redefine o eixo da disputa local para 2026. Ibaneis passa a se dedicar integralmente à construção de sua candidatura ao Senado, enquanto Celina Leão ganha a vitrine do governo e se torna peça central na continuidade do grupo político. Esse rearranjo tende a influenciar não apenas a composição da chapa majoritária, mas também as negociações com partidos do campo conservador e de centro-direita no DF, num ambiente em que nomes ligados ao bolsonarismo também se movimentam para a corrida eleitoral.

Ao mesmo tempo, Ibaneis tenta encerrar o mandato sem permitir que temas de desgaste dominem o noticiário de despedida. Em fevereiro, ao comentar pedidos de impeachment apresentados contra ele, afirmou que as iniciativas “não cumprem requisitos da lei”, numa sinalização de que pretende desautorizar crises políticas e sustentar até o último dia a imagem de controle sobre o governo e sobre sua base institucional.

A semana final, portanto, tem peso simbólico e prático. Simbólico, porque encerra o ciclo de um governador que se tornou o principal fiador do atual bloco de poder no Distrito Federal. Prático, porque define o tom da passagem de bastão e o grau de estabilidade com que Celina Leão receberá a máquina pública.

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