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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 03 de julho de 2022

Posses e suspeita de novo ataque mudam rotina de Brasilia

Posses e suspeita de novo ataque mudam rotina de BrasiliaFoto:

A partir de amanhã, o trânsito na Esplanada estará interditado e só será liberado depois da passagem da faixa presidencial, em 1º de janeiro. No mesmo dia, a troca de cargos no Executivo local causará interrupções no tráfego de veículos.

Correio Braziliense - 28/12/2018 - 09:13:35

Os preparativos para a posse presidencial começam a mudar a rotina dos brasilienses. Na madrugada de amanhã, o trânsito na Esplanada dos Ministérios já será interditado para as operações de organização do evento, que vai mobilizar um sistema de segurança inédito na capital federal. Barricadas e cercas de metal estão sendo montadas e policiais têm circulado o local com mais frequência. A intenção é evitar um novo ataque ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e às autoridades presentes.

As forças de segurança, tanto distritais quanto federais, atuam de forma integrada. As operações e preparativos serão intensificados a partir de amanhã e continuarão até o encerramento do evento político, marcado para 1º de janeiro e que deve receber entre 250 mil e 500 mil pessoas, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF).

Além das polícias Federal, Militar e Civil, compõem esse grupo o Exército, o Corpo de Bombeiros e o Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF). O monitoramento e a coordenação das atividades estão a cargo do Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), ligado à SSP-DF. Também será criada a Cidade Policial, espaço instalado próximo ao Museu da República e que servirá de ponto de apoio a profissionais de todos os órgãos de segurança envolvidos.

Quatro linhas de revistas serão montadas a partir da Rodoviária do Plano Piloto, com fiscalização manual. Detectores de metais também serão usados, aleatoriamente, ao longo do percurso. Segundo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), só será permitida a entrada com frutas e pacotes de biscoitos. Barracas com água estarão espalhadas ao longo da Esplanada e banheiros químicos, à disposição do público. Entre os objetos restritos durante a solenidade estão guarda-chuva, carrinhos de bebês, fogos de artifício e bolsas e mochilas (veja quadro).

Foram instalados ainda bloqueadores de aparelhos controladores de drones e de objetos que operem com frequência clandestina. Esses aparelhos não devem afetar, no entanto, o uso de celulares.

Delegacias próximas ao local terão reforço. Mais investigadores serão disponibilizados para a 1ª, 2ª e 5ª delegacias de Polícia, além das especializadas da Criança e do Adolescente e da Mulher. Na Esplanada atuarão mais de 2,6 mil policiais militares, 36 agentes de trânsito e mais de 350 militares do Corpo de Bombeiros.

Mudanças

Na madrugada deste sábado, as vias N1 e S1 serão interditadas para o tráfego de veículos. Os pedestres ainda poderão circular livremente. No domingo, porém, a N2 e a S2 também ficarão fechadas, o que limitará o acesso à Esplanada dos Ministérios apenas às pessoas credenciadas.

No dia da posse, mais vias passarão por interdição. Parte da L4 será bloqueada, entre a Vila Planalto e a Procuradoria-Geral da República (PGR), sentido Saída Sul. O tráfego estará liberado no sentido inverso. O ponto de acesso da Ponte JK até a L4 também permanecerá interditado. A orientação é de que os condutores sigam pelo Setor de Clubes Sul. O acesso ao Buraco do Tatuí, próximo ao Museu da República, não estará liberado (confira Mapa).

O presidente eleito sai da Granja do Torto por volta das 14h e, de lá, deve seguir para a Catedral Metropolitana de Brasília, onde haverá culto ecumênico. O cortejo passará pelo Congresso Nacional, onde ocorrerá a troca de faixa. Em seguida, Bolsonaro irá ao Palácio do Planalto e o encerramento da cerimônia está previsto para as 18h30, no Itamaraty. Três telões serão instalados ao longo da Esplanada para transmitir o evento.

Ontem, placas de concreto começaram a ser instaladas próximo à Rodoviária do Plano Piloto. Elas ficarão espalhadas ao longo da Esplanada para impedir que veículos invadam o gramado durante a posse presidencial. O trânsito de veículos permanecerá inalterado nos Eixos Norte e Sul, por isso, o Eixão do Lazer, tradicional aos domingos e feriados, não será realizado.

Além do plano de segurança e trânsito, os presentes na posse contarão com esquema para emergências médicas. Ao todo, 70 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) estarão de plantão, com técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e coordenadores de área. Um posto móvel de regulação e uma unidade de atendimento a múltiplas vítimas serão instalados. A operação prevê ainda a presença de transporte aeromédico.

A cerimônia de posse de Ibaneis Rocha (MDB) no Governo do Distrito Federal também alterará o trânsito. A solenidade começa às 8h, com missa no Santuário Dom Bosco. Nesse momento, não haverá mudanças nas vias, mas a recomendação é de que os motoristas fiquem atentos à movimentação. Às 9h30, o novo governador seguirá para a Câmara Legislativa do DF. A faixa da direita da Epig, pista que dá acesso ao Eixo Monumental e passa ao lado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), será usada exclusivamente para os participantes do evento. Em seguida, a cerimônia prossegue no Palácio do Buriti e haverá uma interdição na via S1, em frente à CLDF.

Enquanto ocorre a troca de faixas entre Rodrigo Rollemberg (PSB) e Ibaneis, no Palácio do Buriti, o trânsito na via N1 ficará totalmente bloqueado em frente à sede do Executivo local. O Detran-DF desviará o tráfego para a lateral do Tribunal de Contas do DF (TCDF) e seguirá pela pista atrás do Palácio do Buriti, que terá o sentido único invertido. Depois, os veículos serão guiados em direção à Terracap, retornando para a via N1.

Proibição

O forte efetivo de segurança mudará a rotina dos ambulantes que atuam no local há anos e que já tiveram a permissão de venderem seus produtos em outras trocas de faixas presidenciais. Dessa vez, a entrada não está autorizada. Gil Rodrigues de Araújo, 65 anos, vende seus produtos há 19 anos e conta que trabalhou nas posses de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma e nunca viu um sistema de segurança tão restritivo. “Como está todo mundo proibido, não tem o que fazer, então, não vou ter nenhuma renda nesse dia. Vou descansar, mas o dia que eu teria uma oportunidade para ganhar um pouco mais seria este.”


Confiante, Maria Odete Silva, 49, é dona do quiosque Churros da Odete, na Rodoviária do Plano Piloto e, ao contrário dos ambulantes, pretende abrir no dia da posse. A previsão é vender bem mais do que o usual. “Estão esperando centenas de milhares de pessoas, então, acredito que vá ter um movimento grande, sim. Além disso, como não vai poder entrar ambulantes, muitos devem vir se concentrar aqui”, acredita a comerciante.

Orientações

Veja onde parar o carro e o que objetos podem ser levados no dia da posse

Onde estacionar

» Setores de Autarquia Sul e Norte

» Setores Bancário Sul e Norte

» Setores de diversão Sul e Norte

» Plataforma superior da Rodoviária de Brasília

» Shoppings Conjunto Nacional e Conic

» Estádio Nacional de Brasília e Ginásio Nilson Nelson

Objetos proibidos

» Bebidas alcoólicas

» Garrafas

» Guarda-chuva

» Fogos de artifício

» Apontadores laser

» Animais

» Bolsas e mochilas

» Sprays

» Máscaras

» Produtos inflamáveis

» Armas de fogo

» Objetos cortantes

» Drones

» Carrinhos de bebê

Após descoberta de artefato explosivo próximo ao Santuário Menino Jesus, em Brazlândia, na noite de Natal, polícia averigua ameaças de mais uma ação criminosa na região, desta vez, no ano-novo

Maria Nancy da Silva frequenta o santuário há 50 anos e lamenta o ocorrido: %u201CFiquei muito triste, mas não tenho medo, porque preciso confiar em Deus e em Nossa Senhora%u201D (Ed Alves/CB/D.A Press)

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as ações de um homem ou de um grupo que estaria por trás de uma tentativa de atentado contra o Santuário Menino Jesus, em Brazlândia, na véspera de Natal (leia Memória). Por meio das redes sociais, o suspeito ameaçou cometer novos ataques a templos religiosos da região, desta vez, na noite de ano-novo. A Polícia Federal também acompanha o caso e averigua se os episódios indicam a ação de terroristas em Brasília.

O Correio apurou que a corporação não descarta a possibilidade de as mensagens on-line serem apenas uma forma de despistar a atenção das autoridades, para tirar o foco de outros alvos. Existe uma preocupação especial com a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, em 1º de janeiro, na Esplanada dos Ministérios. A região, no entanto, contará com um forte esquema de segurança.

As ameaças de futuros ataques estavam em um perfil no Instagram denominado “Terrorista de Brazlândia”, retirado do ar ontem. Nas publicações, o suspeito dizia que seis bombas teriam sido armadas na cidade, com intenção de detoná-las na noite de 31 de dezembro. O perfil também se identifica como o responsável por colocar explosivos no Santuário Menino Jesus na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal. Outro foco na noite da virada do ano seria a Paróquia São Sebastião, localizada no Setor Tradicional da cidade.

Ontem pela manhã, a equipe de inteligência da Polícia Civil identificou, por meio do IP de um computador, de onde teriam sido feitas as publicações. O suspeito é um adolescente de 17 anos. No entanto, de acordo com o delegado da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia), Adval Cardoso, o menino nega a participação. “Ele se apresentou espontaneamente, com a mãe. Nós apreendemos o celular e o computador dele para resgatarmos os arquivos apagados. Pedimos à perícia que trate o caso como prioridade”, disse.

Segundo o delegado, ainda não há data certa para o resultado da perícia. “A suspeita é de que a pessoa que colocou a bomba no dia 24 não seja a mesma que faz as ameaças pelas redes sociais. Acreditamos que a segunda pessoa esteja ‘surfando’ na onda da notícia”, relatou. Como medida protetiva, a corporação, com o apoio da Polícia Militar do Distrito Federal, organizou um planejamento de segurança nos templos durante o réveillon. O intuito é deixar a população da cidade tranquila.

A Polícia Civil tem em vista os suspeitos de colocarem a bomba em frente ao Santuário, mas, como o caso ainda está em investigação, os nomes não podem ser divulgados. Caso sejam presos e se comprove a motivação do crime como terrorismo, a pena pode variar entre 12 e 30 anos de detenção. Motivação religiosa ou social é considerada agravante.

Receio

A vendedora Karyne Alcântara, 21 anos, soube do caso no dia seguinte, por meio de clientes. Ela conta que ficou assustada com a notícia. “A gente sabe desse tipo de caso em outros países, e não tão perto assim. Estou com medo de ser vítima, ainda mais porque a gente trabalha em frente à igreja”, relatou.

O empresário Weidman Silva, 24, tem uma barbearia ao lado do templo. Apesar de ter conhecimento das ameaças, afirma não ter medo. Ele contou que, no primeiro momento, muitos moradores pensavam que era um alarme falso. No entanto, com as novas ameaças, começaram a temer. “Não é algo que me assusta. Acho que é um ateu que quer machucar as pessoas. O bom é que essa história não afetou o comércio. Os clientes têm vindo normalmente”, contou.

A aposentada Maria Nancy da Silva, 68, frequenta o santuário há 50 anos e ficou sentida com o ocorrido. Ela teme que a igreja católica esteja sofrendo uma perseguição. “Depois do que aconteceu em São Paulo, não duvido mais de nada. Fiquei muito triste, mas não tenho medo, porque preciso confiar em Deus e em Nossa Senhora. O que eu desejo é que a pessoa que fez isso se arrependa e perceba que a vida dela é preciosa. Ela também é um ser humano”, ressaltou.

Para o vigário paroquial do Santuário Menino Jesus, Padre Pietro Felice Peruzzo, não se deve ignorar nem subestimar as ameaças. Contudo, ele afirma que a rotina do templo não será mudada. “Fechar a igreja não é a solução. Temos que prestar atenção e vigiar. Pensamos que a situação será contornada. A Polícia está fazendo o trabalho dela e temos que confiar”, afirmou.

O padre acredita ainda que os suspeitos não sejam de Brazlândia, porque o local é respeitado por todos da região. Para ele, como o santuário tem visibilidade, por ser um patrimônio histórico da cidade, o responsável pelo atentado queria atenção. “Talvez seja mais fácil atingir quando se tem visibilidade. Soubemos que uma pessoa que passava na rua foi quem viu a mochila. Se ela não tivesse visto, algo pior poderia ter acontecido”, completou.


Memória

Ameaça no Natal

Em 24 de dezembro, agentes do Grupo Antibomba do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar foram até o santuário investigar uma mochila que havia sido deixada nas proximidades. Eles foram mobilizados após a ligação de um morador que estranhou a presença do objeto no local. Em nota, a PMDF confirmou que, no interior da bolsa, havia um cilindro de metal recheado de pólvora e pregos, detonado em segurança.

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