Venda de empresa brasileira que atua com terras raras a americanos é ‘afronta à nossa soberania’

Venda de empresa brasileira que atua com terras raras a americanos é ‘afronta à nossa soberania’, diz especialista

Venda de empresa brasileira que atua com terras raras a americanos é ‘afronta à nossa soberania’
Venda de empresa brasileira que atua com terras raras a americanos é ‘afronta à nossa soberania’

Por josé Bernardes e maria Teresa Cruz - Portal Brasil De Fato  - 20/04/2026 20:51:13 | Foto: Mineração Serra Verde é considerada a única operação fora da Ásia a produzir, em escala, os quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras | Crédito: Divulgação/Serra Verde

Luiz Paulo Siqueira alerta para risco de mobilização no Congresso na direção de flexibilizar licenças para mineradoras.

A empresa brasileira Serra Verde, que atua com mineração de terras raras no município de Minaçu (GO), foi adquirida pela empresa USA Rare Earth (Usar), mineradora estadunidense, em negociação equivalente a cerca de US$ 2,8 bilhões. A compra foi anunciada nesta segunda-feira (20) pelas companhias.

Em entrevista ao Conexão do BdF , da Rádio Brasil de Fato, Luiz Paulo Siqueira, membro da Coordenação Nacional do Movimento pela Soberania Popular da Mineração (MAM), aponta que o interesse principal nas terras raras é bélico. “O que está em jogo nessa obtenção hoje é como amplia o poder direto do governo norte-americano no controle das jazidas de terras raras em território nacional, o que é uma afronta a nossa soberania”.

Embora as negociações envolvendo terras raras já estejam acontecendo, falta legislação para regulamentar essa exploração. Sobre isso, Siqueira afirma que a lei para esse tipo de negociação é a mesma que incide para qualquer outra atividade de mineração. “É uma pauta que a gente tem levantado ao governo e ele tem assumido. Houve um pedido do governo Lula e o Ministério de Minas e Energia tem construído internamente [um regramento para essa exploração específica]”, destaca.

Siqueira aponta o risco da apropriação do debate pelas bancadas mineradoras. “Há um grande risco que tem acontecido no Congresso Nacional de parlamentares que criaram a Frente Parlamentar pela Mineração Sustentável. São eles que fazem as leis que retiram os direitos dos trabalhadores, que flexibilizam as leis ambientais para ampliar a fronteira da mineração e facilitar o saque dos nossos minérios em território nacional. Eles estão tentando fazer, em regime de urgência, aprovar o projeto de lei que tem dois objetivos: garantir a desoneração fiscal de empresas que exploram esses minerais críticos e facilitar o licenciamento ambiental desses projetos. É fundamental que a sociedade olhe para isso”, aponta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

Empresa dos EUA compra única mina brasileira de terras raras

Mineradora Serra Verde foi adquirida por US$ 2,8 bi

Por - AGÊNCIA BRASIL

A empresa brasileira Serra Verde, que atua com mineração de terras raras, foi adquirida pela empresa USA Rare Earth (Usar), mineradora norte-americana, em negociação equivalente a cerca de US$ 2,8 bilhões. A compra foi anunciada nesta segunda-feira (20) pelas companhias.

Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO). Com o acordo, a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil, em produção desde 2024, ficará sob controle de uma empresa norte-americana.

É a única produtora das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas fora da Ásia: Disprosio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Mais de 90% da extração de terras raras mundiais são realizadas na China. Os materiais são usados para fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, como nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

De acordo com a mineradora brasileira, o negócio possibilitará a criação da maior empresa global do ramo. A produção em Goiás está em fase um e ainda é considerada modesta, mas a expectativa é dobrar em 2030.

“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da Usar”, informou o grupo Serra Verde, em declaração ao mercado.

Contrato de 15 anos

O contrato prevê o fornecimento de 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico (“SPV”), capitalizada por diversas agências do governo dos Estados Unidos, bem como por fontes de capital privado, para 100% de sua produção da Fase I com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas.

“O Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso”, afirma a nota do Usar.

Segundo o comunicado, o acordo possibilitará a criação de “uma empresa multinacional líder em terras raras de mineração de mina ao ímã, com oito operações, no Brasil, EUA, França e Reino Unido e com capacidades operacionais ativas em toda a cadeia de suprimentos de terras raras leves e pesadas, incluindo mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs.”

Em vários discursos, Donald Trump tem criticado a dependência mundial da produção chinesa, o que tem gerado divergências com Pequim.

“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a Usar, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, disse Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde.

O mercado recebeu bem o anúncio. Por volta das 15h30, as ações da Usar Nasdaq registravam alta de mais de 8%.

A aquisição mantém a equipe da empresa brasileira, com dois de seus executivos incorporados na diretoria da Usar, Sir Mick Davis e Thras Moraitis, respectivamente o Presidente do Conselho e o CEO do Grupo Serra Verde.

Editado por: Carolina Pimentel

Conteúdo originalmente publicado em: Agência Brasil

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