Julgamento no STM pode ajudar a ‘manter vivo’ o bolsonarismo no Brasil

Jair Bolsonaro e outros militares de seu entorno podem perder as patentes

Julgamento no STM pode ajudar a ‘manter vivo’ o bolsonarismo no Brasil
Julgamento no STM pode ajudar a ‘manter vivo’ o bolsonarismo no Brasil

Por Gabriela Carvalho E Lucas Krupacz E Nara Lacerda E Yasmin Marchiori - Portal Bdf - 04/02/2026 16:07:36 | Foto: Militares do núcleo 1 condenados na trama golpista: Jair Bolsonaro, Augusto Heleno, Almir Garnier, Paulo Sérgio, e Walter Braga Netto | Crédito: Ton Molina, Fellipe Sampaio/STF, Alan Santos/PR

Condenados à prisão por envolvimento na trama golpista de 2022, Jair Bolsonaro e outros quatro oficiais militares podem, em breve, sofrer mais uma condenação. O Ministério Público Militar (MPM) apresentou ao Superior Tribunal Militar (STM) um pedido para que eles percam seus postos e honrarias. O avanço do caso na justiça militar, porém, pode trazer ganhos políticos para a extrema direita, na avaliação do cientista político Rafael Cortez.

Em entrevista ao jornal Conexão BdF , da Rádio Brasil de Fato, Cortez destacou que os desdobramentos do caso no STM são imprevisíveis. Entretanto, há uma importante repercussão política, seja qual for o resultado. E isso pode ter impacto nas eleições presidenciais deste ano.

“Mesmo que seja aprovada a perda das patentes, isso ajuda a manter vivos esses atores e esse tipo de política no Brasil. Até por que possivelmente um dos candidatos [à presidência] em 2026 vai ter o sobrenome Bolsonaro. O Flávio Bolsonaro é uma opção que o bolsonarismo faz de não simplesmente desistir desse status e dizer: ‘quem tem voto na direita no Brasil é o bolsonarismo'”, afirmou.

Além do ex-presidente, o MP enviou Representações para Declaração de Indignidade para o Oficialato dos outros quatro oficiais militares condenados na Ação Penal por golpe: o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

“Existem dois tipos de perfis [entre os condenados por golpe]: os civis e os militares que participaram desse processo. Os militares estão constrangidos por dois caminhos: por sua faceta de ser indivíduos como quaisquer outros, e também o fato de pertencerem à carreira militar, o que dá contorno mais específico para esses julgamentos e essas avaliações”, disse Cortez. “Tem muita coisa em jogo, ainda. Fica difícil antecipar o cenário”.

O especialista aponta que o Brasil ainda precisa enfrentar deixar claro o real papel dos militares na política do país. Ele lembrou que, por vários momentos, bolsonaristas evocaram o artigo 142 da Constituição Federal com uma interpretação deturpada de “intervenção militar”. O tema foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF) que, de maneira unânime, afastou a possibilidade.

“A democracia brasileira se mostra muito resiliente, porque passou desafios que não foram pequenos. A presença militar na política é delicada. Se a gente sabe que tem uma coisa que atrapalha a democracia, é a presença constante, forte dos militares na questão política”, alertou o cientista político.

Para Rafael Cortez, por mais que o bolsonarismo siga mostrando força, o enfrentamento feito pelo país aos arroubos antidemocráticos mostram que o Brasil tem, ainda, um desenho institucional que dificulta movimentos autoritários.

“O que está acontecendo na sociedade brasileira não é pouco, é super importante. Não previne, no futuro, que a gente entre em novas turbulências, mas mostra para a gente a importância de termos regras sólidas. A vigilância é constante, a democracia nunca está consolidada: é sempre um processo, ela está sempre em construção, sempre em xeque. Por isso, é necessário o alerta de quem tem poder e do eleitorado e da sociedade”, destacou. “É difícil a interrupção democrática no Brasil, mesmo que tenha gente tentando”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato .

Editado por: Nathallia Fonseca

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