Buriti sanciona com uma mão e devolve com a outra

No pacote do banco apareceu uma gleba com passado conhecido

Buriti sanciona com uma mão e devolve com a outra
Buriti sanciona com uma mão e devolve com a outra

Por João Zisman - 07/03/2026 10:38:49 | Foto: Divulgação

O projeto de socorro ao BRB deve ser sancionado por Ibaneis Rocha até segunda-feira, mas com um detalhe que promete manter o assunto vivo no plenário: o governador pretende vetar a maior parte das sete emendas aprovadas pelos distritais. Na prática, o texto volta para a Câmara Legislativa e reabre a disputa política que o governo imaginava ter encerrado na sessão da semana passada. Em Brasília, quando um projeto volta com veto, ninguém chama isso de desfecho. Chama-se segundo tempo.

No pacote do banco apareceu uma gleba com passado conhecido

Entre os nove imóveis listados para operações que podem envolver o BRB está a gleba “A” da Terracap no Setor Habitacional Taquari. Para quem acompanha a história fundiária da região, o terreno tem um currículo próprio: foi alvo de disputas envolvendo grileiros interessados em implantar ali o condomínio Tomahawk. Quando um pacote financeiro chega carregando uma área com esse histórico, a política local costuma levantar a sobrancelha antes de levantar a mão.

O caso Master saiu do plenário e subiu de andar

A representação que tenta associar Ibaneis às operações entre BRB e Banco Master saiu do Superior Tribunal de Justiça e foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, onde já tramita o inquérito da Operação Compliance Zero. A mudança de foro não significa condenação nem absolvição. Significa apenas que o assunto deixou de ser barulho político local para ganhar tratamento na instância onde as crises costumam ganhar dimensão nacional.

Esquerda do DF começa a campanha brigando consigo mesma

Ricardo Cappelli saiu de um jantar político com a bênção de lideranças nacionais do PSB e o incentivo de Geraldo Alckmin para disputar o Buriti em 2026. O detalhe é que o PT do Distrito Federal já havia confirmado Leandro Grass como pré-candidato ao governo. Em menos de uma semana, o campo progressista local conseguiu um feito curioso: iniciar a corrida eleitoral discutindo primeiro quem vai enfrentar quem dentro de casa.

PSol não quer virar carona de federação

A discussão nacional sobre federação partidária entre PT, PCdoB, PV e PSol encontrou resistência dentro do próprio Distrito Federal. O deputado Fábio Félix e dirigentes locais do PSol avisaram que não pretendem transformar o partido em puxadinho eleitoral do PT. Em política, alianças são comuns. Mas quando começam a parecer absorção, até aliados ficam com o pé atrás.

A urna já começou a cobrar presença

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal abriu mutirão para regularização do título de eleitor diante de um dado que acendeu o alerta no tribunal: cerca de 275 mil eleitores estão com o título cancelado, além de outros milhares que ainda não fizeram o cadastro biométrico. Com o fechamento do cadastro eleitoral marcado para maio, a estatística deixa de ser burocrática e passa a ser política. Em ano eleitoral, cada número desses é potencial voto fora do mapa.

Toga fora de combate

O Conselho Nacional de Justiça confirmou por unanimidade a aposentadoria compulsória do juiz do TJDFT João Luiz Fischer Dias, acusado de assédio moral, assédio sexual e perseguição contra servidoras de seu gabinete. A decisão encerra um processo disciplinar que reuniu relatos graves de comportamento reiterado contra funcionárias do tribunal. No vocabulário administrativo chama-se aposentadoria compulsória. No vocabulário do contribuinte, continua sendo aquela curiosa punição brasileira em que o juiz deixa o cargo, mas não deixa o contracheque.

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