Toffoli acerta ao manter investigações do Master no Supremo, avalia cientista

Mayra Goulart afirmou que a devolução das investigações para a primeira instância seria 'quase uma declaração de culpa'

Toffoli acerta ao manter investigações do Master no Supremo, avalia cientista
Toffoli acerta ao manter investigações do Master no Supremo, avalia cientista

Por Lucas Krupacz E Nara Lacerda - Portal Bdf - 31/01/2026 07:56:59 | Foto: O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal | Crédito: Foto: Carlos Moura/STF

Alvo de críticas e cobranças por suposta parcialidade no caso do Banco Master, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter as investigações sob a responsabilidade de seu gabinete. A possibilidade de envio à primeira instância, ao menos por ora, está descartada.

Para a cientista política Mayra Goulart, a decisão foi acertada. Professora de ciência política na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Goulart participou da primeira edição do Conexão BdF , da Rádio Brasil de Fato, nesta sexta-feira (30). Na véspera, uma nota do gabinete de Toffoli destacou que ele foi sorteado para atuar relator das investigações, e que o sigilo sobre os trabalhos já tinha sido determinado ainda na primeira instância. O ministro foi acusado de tentar proteger pessoas próximas.

“É uma decisão que bota a bola no chão. Evita que se instaure um clima de gritaria”, disse a cientista política sobre a manutenção do caso no Supremo. “Se ele [Toffoli] remetesse para a primeira instância, seria quase uma declaração de culpa, e isso vulnerabilizaria o STF em um contexto no qual o Supremo tem sido cada vez mais acionado para cumprir seu papel constitucional”.

Para a especialista, o caso, que contabiliza acusações de envolvimento por parte de diversas figuras do cenário político nacional, tem potencial para aumentar o sentimento “antipolítico”. A força atual da extrema direita torna o cenário ainda mais desafiador do que em tempos passados, como nos movimentos que levaram ao golpe contra a Dilma Rousseff, em 2016, e à eleição de Jair Bolsonaro, dois anos mais tarde.

“Meu medo, muito em base do que a gente escutou sobre a [operação] Lava Jato, é que se instaure esse clima de ‘a política não presta, ninguém presta’. Uma vez que a gente tem muitas autoridades envolvidas, do Judiciário, do Executivo, do Legislativo, pode se criar esse sentimento antipolítica generalizado. E esse é um sentimento muito ruim em ano eleitoral, porque pode fortalecer lideranças anti-estado, que mesmo não sendo, se apresentem como ‘antissistema’ ou ‘outsiders'”, ponderou Mayra Goulart.

A especialista defende que os ministros do STF e seus familiares tenham “mais rigor” em suas relações, visando não deixar qualquer dúvida sobre a licitude de seus atos. Isso, porém, não invalida o argumento de que a Suprema Corte está sendo alvo de acusações oportunistas.

“Cuidado com esse denuncismo. A cada matéria de jornal que condena o Estado e os operadores políticos, a gente permite que o autoritarismo prolifere. A ausência de democracia só pode ser resolvida a partir de um ‘salvador’ autoritário”, alertou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato .

Editado por: Maria Teresa Cruz

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